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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de São Martinho de Crasto

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de São Martinho de Crasto
Outras Designações
Mosteiro de Crasto / Igreja Paroquial de Crasto / Igreja de São Martinho (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Documentado na segunda metade do século XI (COSTA, 1959, vol. 2, p.195), o mosteiro de Crasto foi totalmente reformulado no século XII, numa campanha não isenta de dúvidas acerca da marcha das obras e dos elementos remanescentes que a ela pertencem. A atribulada história deste cenóbio durante a época moderna é também um factor imprescindível à rigorosa análise do templo, que agrava a dificuldade em datar convenientemente as partes constituintes do conjunto.
Os problemas de catalogação estão bem evidenciados na produção historiográfica dedicada ao monumento. Carlos Alberto Ferreira de Almeida, por exemplo, começou por equacionar um estaleiro activo no século XIII, mas incorporando elementos de uma anterior construção (ALMEIDA, 1978, vol. 2, p.215). Posteriormente, recuou as suas propostas, situando o essencial do labor construtivo nas décadas finais do século XII e em associação com a indicação de Aguiar Barreiros (1926), que havia visto, nos estatutos de uma confraria que funcionava na igreja, a data de 1182, como a da sagração do templo (ALMEIDA, 1986, p.64).
A história da edificação românica de Crasto, todavia, recua à primeira metade do século XII, altura em que a primitiva comunidade foi entregue aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. De 1136 era uma discutida inscrição comemorativa do arranque das obras - entretanto desaparecida, mas que, por analogias com outras semelhantes de Neiva e de Refóios do Lima não deve motivar dúvidas quanto à sua real existência (BARROCA, 2000, p.1235). Seria esta empreitada a que se estaria concluída pela década de 80 desse século e, pretensamente, a que fora sagrada pelo arcebispo de Braga, D. Godinho.
Infelizmente, as múltiplas transformações por que o conjunto passou dificultam uma mais rigorosa classificação da obra. A servir de suporte à cornija exterior, existe um capitel que, presumivelmente, deveria pertencer ao portal principal, e do arco triunfal original reaproveitaram-se algumas aduelas nas paredes da capela-mor (ALMEIDA, 1986, p.64). São realizações modestas, onde se pode identificar um fundo bracarense (ALMEIDA, 2001, p.98), patente, por exemplo, nas folhas lanceoladas que recordam modelos utilizados na primeira fase da igreja de São Cláudio de Nogueira (c.1145), ela própria dotada de arco triunfal com arquivolta de lanceolados.
O elemento mais interessante do templo é a torre quadrangular que se adossa à fachada principal, integrando-a. Trata-se de uma solução característica dos templos românicos patrocinados pelos Agostinhos, cuja função inicial tinha conteúdo defensivo mas que, com o passar dos anos, se prestou a outros usos, como os funerários (REAL, 1982). A torre ocidental de Crasto é, à semelhança da sua igreja, uma obra simples, de planta quadrangular e de dois pisos, com aberturas nas quatro faces do andar superior, profundamente mutiladas quando a estrutura passou a servir de torre sineira, e com acesso apenas pelo interior do templo ou, em alternativa, pelas áreas claustrais (IDEM, p.128). Tal como se encontra, parece ter tido reformulações medievais, provavelmente no século XIII (GRAF, 1986, vol.2, p.32), quando o carácter defensivo terá dado lugar a outra funcionalidade.
A possibilidade de ter existido uma campanha reformadora no século XIII é ainda uma hipótese válida. Ferreira de Almeida atribuiu uma datação duocentista ao conjunto ao verificar o aspecto tardio dos modilhões. E o facto de, entre eles, existir um capitel reaproveitado parece ser um indicador importante nesse sentido. Bastante melhor conhecidas são as obras patrocinadas no século XVI, embora nos pareça que alguns autores exageraram a sua amplitude. Sabe-se que a nave foi prolongada para ocidente, devendo atribuir-se a essa época as anomalias de junção entre o corpo do templo e a torre que Manuel Real notou (IDEM, p.128). Na época barroca, alteou-se a capela-mor para receber o retábulo de estilo nacional, abriram-se novas janelas e reorganizaram-se as entradas laterais.
PAF
Diploma de Classificação
Declaração de Rectificação n.º 10-E/96, DR, I Série-B, n.º 127, de 31-05-1996 (rectificou a designação para "São Martinho de Castro") (ver Declaração)
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (Designou como "São Marinho de Castro") (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Ponte da Barca / Crasto, Ruivos e Grovelas
-- acesso pela EN 101, ao km 30
- -
Polícia:
LATITUDE
41.774877
LONGITUDE
-8.430323
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1136
1136 era uma discutida inscrição comemorativa do arranque das obras - entretanto desaparecida, mas que, por analogias...
1145
1145), ela própria dotada de arco triunfal com arquivolta de lanceolados.O elemento mais interessante do templo é a t...
1182
1182, como a da sagração do templo (ALMEIDA, 1986, p.64).A história da edificação românica de Crasto, todavia, recua ...
1235
1235).
1926
1926), que havia visto, nos estatutos de uma confraria que funcionava na igreja, a data de 1182, como a da sagração d...
1959
1959, vol.
1978
1978, vol.
1982
1982).
1986
1986, p.64).A história da edificação românica de Crasto, todavia, recua à primeira metade do século XII, altura em qu...
1996
1996 (rectificou a designação para "São Martinho de Castro") (ver Declaração)Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56,...
2000
2000, p.1235).
2001
2001, p.98), patente, por exemplo, nas folhas lanceoladas que recordam modelos utilizados na primeira fase da igreja ...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"A organização do espaço arquitectónico entre beneditinos e agostinhos no século XII", Arqueologia, nº6, pp.118-132 REAL, Manuel Luís Edição 1982 Porto
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima BARREIROS, Manuel de Aguiar Edição 1926 Porto
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. II GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"Igrejas e Capelas românicas da Ribeira Lima", Caminiana, ano IV, nº7, pp.47-118 ALVES, Lourenço Edição 1982 Caminha
Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols. ALVES, Lourenço Edição 1987 Viana do Castelo
"Terra da Nóbrega: notas históricas", O Instituto, nº57 ABREU, João Gomes de Edição 1910 Coimbra
Inventário artístico da região Norte - II, nº3 (Concelho de Ponte da Barca) Edição 1973

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