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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Núcleo de Arte Rupestre da Fonte Frieira - Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa

Arqueologia / Conjunto

Designação
Designação Atual
Núcleo de Arte Rupestre da Fonte Frieira - Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa
Outras Designações
Núcleo de Arte Rupestre da Fonte Frieira (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Conjunto
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Foi graças aos trabalhos desenvolvidos no âmbito do projecto de construção da barragem, junto à foz do Côa, que se levantaram alguns vestígios da actividade humana que poderiam ser submergidos, ao abrigo de um protocolo estabelecido em 1992 entre o IPPAR e a EDP, com vista ao acompanhamento arqueológico das obras.

Deu-se, assim, início ao conhecido "Projecto Arqueológico do Côa" (PAC), que proporcionaria a rápida identificação das primeiras gravuras rupestres paleolíticas, dessa feita na zona da "Canada do Inferno", ao serem visitados os sítios com arte rupestre descritos, em 1986, por Francisco Sande Lemos, no primeiro relatório de estudo de impacte ambiental daquele empreendimento (BAPTISTA, A.M., GOMES, M. V., 1995, p. 47). E, no ano seguinte, foi a vez de João Félix e Manuel Almeida descobrirem novas rochas decoradas na mesma zona, aproveitando o abaixamento do rio Côa para a construção da ensecadeira, enquanto se ensaiavam técnicas de levantamento das gravuras, que privilegiariam o decalque integral, em plástico, executado preferencialmente durante a noite, altura em que se torna mais fácil detectar os elementos figurados, por iluminação com luz rasante. Entretanto, o registo de novos conjuntos, já em 1994, transformou o vale do Côa num dos assuntos mais debatidos na comunicação social, razões suficientes para que o Verão de 1995 estabelecesse uma fronteira assaz explícita na política patrimonial conduzida entre nós e no próprio estatuto da Arqueologia e do exercício arqueológico em Portugal, convidando-se consultores do estudo da Arte do Côa e constituindo-se uma comissão científica internacional, na sequência da consulta efectuada à UNESCO (Id., Idem, p. 49).

Não obstante a enorme repercussão que as demonstrações de Arte paleolítica identificadas no do Côa iam alcançando no seio da comunidade científica nacional e internacional, a valência do Vale não se circunscreveu a este período extenso da História da Humanidade. Pelo contrário, uma das principais riquezas desta vasta região peninsular consistirá, precisamente, no facto de ter sido eleita como local de permanência, mais ou menos contínua e expressiva, por parte de diferentes comunidades humanas, ao longo de milénios, num testemunho inequívoco da sua força cinegética, ao mesmo tempo que de uma contínua (re)apropriação da simbologia carreada pela paisagem em que se fixavam.

E, na verdade, os testemunhos ocorridos já em plena Pré-história Recente, confirmarão esta tendência, como constatamos no "Núcleo de Arte Rupestre da Fonte Frieira", localizado nas imediações de Castelo Melhor, na margem direita do rio Côa, e nas proximidades da albufeira do Pocinho.

Aqui, deparamo-nos com uma estação arqueológica prospectada por Nelson Rebanda, ainda em 1994, altura em que foram identificadas duas rochas com gravuras rupestres datáveis da Idade do Ferro, obtidas através da técnica da incisão filiforme, a qual, juntamente com a picotagem, o abrasão e a raspagem, constitui uma das técnicas de gravação identificadas em todo o vale (COIXÃO, A. do N. S. C., 2000, pp. 31-34). Com este método, representaram-se, numa das rochas de xisto (um dos poucos materiais pétreos que suportam aquele tipo de gravação), um cervídeo, de modo esquemático, enquanto que, na segunda, foram gravados diversos traços lineares e elementos zoomórficos, para além de armas. Estes últimos motivos inserem-se na gramática decorativa do universo cronológico que lhes é proposto (vide supra), numa altura em que, a par do surgimento e propagação expansão da siderurgia, de uma arte decorativa fundamentalmente geométrica e da ampliação do rito funerário de incineração, o actual território português assistia, de um modo geral, à "[...] construção e progressiva consolidação de uma estrutura social hierárquica dominada pelos chefes da classe militar predominantemente estabelecidos em povoados de carácter defensivo." (SILVA, A. C. F. da, 1990, p. 259).
[AMartins]
Diploma de Classificação
Sobre a classificação de todos os núcleos, ver Ficha geral dos Sítios Arqueológicos no Vale do Rio Côa
Número do Processo
Não disponível
Proteção
N/A
N/A

ZEP n/a
Afectação 9823123
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Guarda / Vila Nova de Foz Côa / Castelo Melhor
- no Vale do rio Côa
Lugar de Frieira, -
Polícia:
LATITUDE
LONGITUDE
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1986
1986, por Francisco Sande Lemos, no primeiro relatório de estudo de impacte ambiental daquele empreendimento (BAPTIST...
1990
1990, p.
1992
1992 entre o IPPAR e a EDP, com vista ao acompanhamento arqueológico das obras.
1994
1994, transformou o vale do Côa num dos assuntos mais debatidos na comunicação social, razões suficientes para que o ...
1995
1995, p.
2000
2000, pp.
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Vale do Côa. Arte rupestre e Pré-história CARVALHO, António Manuel Faustino, ZILHÃO, João, AUBRY, Thierry Jean Edição 1996 Vila Nova de Foz Côa
Carta Arqueológica do Concelho de Vila Nova de Foz Côa COIXÃO, António do Nascimento Sá Edição 2000 Vila Nova de Foz Côa
Dossier Côa JORGE, Vítor de Oliveira Edição 1995 Porto
"Por que é que o património cultural do Côa não pode ir por água abaixo?", Dossier Côa JORGE, Vítor de Oliveira Edição 1995 Porto
Os trabalhos arqueológicos e o complexo de Arte Rupestre do Côa REBANDA, Nelson Edição 1995 Lisboa
"Arte rupestre do Vale do Côa. 1. Canada do Inferno. Primeiras impressões", Dossier Côa GOMES, Mário Varela, BAPTISTA, António Martinho Edição 1995 Porto
Arte rupestre e Pré-história do Vale do Côa. Trabalhos de 1995-1996 ZILHÃO, João Edição 1997 Lisboa
"A Idade do Ferro em Portugal", Nova História de Portugal SILVA, Armando Coelho Ferreira da Edição 1990 Lisboa
No tempo sem tempo. A arte dos caçadores paleolíticos do Vale do Côa. Com uma perspectiva dos ciclos rupestres pós-glaciares BAPTISTA, António Martinho Edição 1999 Vila Nova de Foz Côa
"Arte rupestre pós glaciária. Esquematismo e abstracção", História de Arte em Portugal, 1. Do Paleolítico à Arte Visigótica BAPTISTA, António Martinho Edição 1986 Lisboa

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