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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Mogadouro

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Mogadouro
Outras Designações
Castelo de Mogadouro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
São ainda muito discutidas as origens deste castelo. Em recentes escavações efectuadas junto da actual igreja matriz, foi detectado um nível ocupacional da época romana, que pode, eventualmente, estar em relação com um primitivo núcleo proto-histórico, mas de que não se revelaram quaisquer contextos conservados (MARCOS, 1993, p.209). A área intervencionada foi muito reduzida, mas provou o mais alargado potencial arqueológico do local, que aguarda ainda um programa de estudo integral.
Certo é que o castelo já existiria em 1145, quando foi doado aos Templários por Fernão Mendes de Bragança, juntamente com a fortaleza de Penas Róias. Esta doação não pode ser dissociada de um qualquer reduto militar aí existente, argumento que aponta para uma primitiva edificação a rondar as primeiras décadas do século XII. A presumível modéstia dessa estrutura levou a que a Ordem do Templo realizasse uma integral reforma da fortaleza, actualizando-a segundo a linguagem da arquitectura militar da época. É desta forma que se explica a construção do castelo românico de Mogadouro, de que se conserva apenas parcialmente a torre de menagem. O conjunto foi muito adulterado nos séculos posteriores e não é possível ser reconstituído no seu traçado original, mas não se deveria diferenciar muito do de Penas Róias, cuja reforma templária está atestada por uma epígrafe datada de 1172. Assim, seria uma fortaleza com torre de menagem isolada no centro do recinto muralhado, sendo este, por sua vez, defendido por torres quadrangulares.
Em 1197, num amplo processo de reconhecimento da autoridade real nesta região, D. Sancho I trocou os castelos de Mogadouro e de Penas Róias por territórios raianos da Beira Baixa, com certeza mais atractivos para os Templários, mas algumas décadas depois a vila é novamente mencionada como pertença daquela Ordem. Ao longo do século XIII, a localidade foi agraciada com dois forais régios (1272 e 1273, ambos passados por D. Afonso III) e, em 1319, transitou para a Ordem de Cristo.
Tem-se atribuído a esta época a reforma gótica do castelo, perspectiva que é reforçada pelo perfil ovalado da sua cerca, tal como Duarte d'Armas a desenhou nos inícios do século XVI. Neste documento gráfico, o mais antigo que se conhece sobre a fortaleza, a torre de menagem, apesar de se encontrar no centro do pátio, parece estar ligada a um superior caminho de ronda, mas as múltiplas transformações por que o conjunto passou nos derradeiros séculos da Idade Média fazem com que qualquer conclusão seja, por agora, prematura.
Como comenda da Ordem de Cristo, o castelo foi adaptado a residência dos comendadores, facto que implicou grandes transformações na estrutura original. Desta forma, e durante os séculos XIV e XV, foram vários os edifícios construídos no interior, em especial durante o governo dos Távoras (primeira metade do século XV). É essa residência que Duarte d'Armas desenhou, composta por "três corpos principais, dispostos perpendicularmente e construídos em altura de dois pisos" (GOMES, 2003, p.130). Para além disso, as antigas dependências trecentistas foram utilizadas como estrebarias, facto que levou a que praticamente todo o pátio interior fosse ocupado por uma densa malha de construções, que chegaram a englobar a torre de menagem.
Em termos militares, o castelo desenhado por Duarte d'Armas incluía apenas três torres (a de menagem e duas adossadas às muralhas, uma pentagonal e outra quadrangular). Para além disso, o reduto dispunha de uma barbacã mais baixa, que o rodeava integralmente e ao qual se associava um espaço livre, "pequeno reduto cinegético onde se conservavam coelhos" (IDEM, p.130).
A destruição de todo este complexo, que no século XVIII ainda era designado por "Palácio, a que chamam castelo" (cf. IDEM) desenrolou-se ao longo da época moderna e acentuou-se nos últimos séculos, chegando até aos nossos dias como uma notável ruína, de que se conserva apenas a torre de menagem e parte das antigas muralhas.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 35 443, DG, I Série, n.º 1, de 2-01-1946 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 15-11-1965, publicada no DG, II Série, n.º 29, de 4-02-1966 (com ZNA)
Afectação 12220649
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Bragança / Mogadouro / Mogadouro, Valverde, Vale de Porco e Vilar de Rei
-- -
Mogadouro -
Polícia:
LATITUDE
41.338267
LONGITUDE
-6.720115
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1145
1145, quando foi doado aos Templários por Fernão Mendes de Bragança, juntamente com a fortaleza de Penas Róias. Est
1172
1172.
1197
1197, num amplo processo de reconhecimento da autoridade real nesta região, D.
1272
1272 e 1273, ambos passados por D.
1273
1273, ambos passados por D.
1319
1319, transitou para a Ordem de Cristo.Tem-se atribuído a esta época a reforma gótica do castelo, perspectiva que é r...
1946
1946 (ver Decreto) São ainda muito discutidas as origens deste castelo.
1993
1993, p.209).
2003
2003, p.130).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed. ALVES, Francisco Manuel Edição 2000 Bragança
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
Castelos da Raia Vol. II:Trás-os-Montes GOMES, Rita Costa Edição 2003 Lisboa
Pré-História recente no Planalto Mirandês (Leste de Trás-os-Montes) SANCHES, Maria de Jesus Edição 1992 Porto
Apontamentos arqueológicos LOPO, Albino dos Santos Pereira Edição 1987 Lisboa
Povoamento Romano de Trás-os-Montes Oriental, 6 vols., Dissertação de Doutoramento apresentada à Universidade do Minho LEMOS, Francisco Sande Edição 1993 Braga
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
"O povoamento medieval em Trás-os-Montes e no Alto Douro. Primeiras impressões e hipóteses de trabalho", Arqueologia Medieval, nº2, pp.171-190 GOMES, Paulo José Antunes Dórdio Edição 1993 Porto
O Leste do Território Bracarense NETO, Joaquim Maria Edição 1975 Torres Vedras
"Castelo de Mogadouro", Do Douro Internacional ao Côa. As raízes de uma fronteira, CD-ROM BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Porto
"A Ordem do Templo e a arquitectura militar portuguesa do século XII", Portugália, vol. XVII-XVIII, pp.171-209 BARROCA, Mário Jorge Edição 1997 Porto
"Da Reconquista a D. Dinis", Nova História Militar de Portugal, vol. I, pp.21-161 BARROCA, Mário Jorge Edição 2003 Lisboa
"Catálogo dos monumentos e sítios arqueológicos do Planalto Mirandês (Pré-História)", Brigantia, vol. 13, nº3/4, pp.193-233 MARCOS, Domingos dos Santos Edição 1993 Bragança
As terras entre Douro e Sabor PEREIRA, José Manuel Martins Edição 1908 Setúbal
"Mogadouro", Illustração transmontana, ano I, pp.183-186 FONSECA, Acácio Augusto da Edição 1908 Porto
"O castelo de Mogadouro no sistema defensivo do Nordeste transmontano", II Congresso de Monumentos Militares Portugueses, pp.26-29 SALGADO, Abílio José Edição 1983 Lisboa
"Subsídios para a História do Mogadouro", Douro Litoral, nº4, separata MACHADO, Casimiro Henrique de Morais Edição 1959 Porto
Mogadouro. Um olhar sobre o passado MACHADO, Casimiro Henrique de Morais Edição 1998 Mogadouro
"Mogadouro. Apontamentos históricos", Brigantia VARIZO, Aníbal Edição 1990 Bragança
Roteiro dos castelos de Trás-os-Montes VERDELHO, Pedro Edição 2000 Chaves
Os castelos portugueses dos finais da Idade Média: presença, perfil, conservação, vigilância e comando MONTEIRO, João Gouveia Edição 1999 Coimbra
"Castelo de Mogadouro: uma intervenção", Revista Estudos / Património, nº9, pp.173-179 BARROS, Márcia, CUPIDO, Amândio Edição 2006 Lisboa

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