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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Noudar

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Noudar
Outras Designações
Castelo de Nodar
Castelo de Noudal / Fortificação de Noudar (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Ao contrário do que tem sido sucessivamente repetido, a história do castelo de Noudar não tem início na época da reconquista, mas algum tempo antes, muito provavelmente nos séculos X ou XI, altura em que se terá edificado uma torre ou um pequeno castelo, que tinha como missão o controlo sobre a via que ligava a Beja (REGO, 2003, p.74). Desse reduto primitivo, as escavações arqueológicas ainda não revelaram qualquer vestígio, mas conserva-se parte da muralha Sul, em taipa revestida por alvenaria da fase construtiva gótica, o que aponta para uma pré-existência islâmica (com grande probabilidade já do século XII e devida aos almóadas), à qual se subordinou, ao menos parcialmente, o castelo que D. Dinis posteriormente promoveu (IDEM).
A actual configuração da fortaleza deve-se à nova ordem cristã implantada nesta região ao longo do século XIII. No entanto, não é certo que imediatamente após a reconquista do território se tenham realizado obras no reduto militar, não obstante a sua óbvia posição de fronteira. Em 1253, a povoação recebeu foral de Afonso X de Castela, juntamente com outras localidades do Além-Guadiana, entre as quais Moura e Serpa. Ela haveria de passar para a posse portuguesa cerca de meio século depois, pelo tratado de paz entre D. Dinis e Fernando IV, celebrado em 1295. É só a partir dessa data que encontramos as primeiras referências à vontade régia de erguer aqui um reduto militar relevante. Em Dezembro desse mesmo ano, D. Dinis passou carta de foral à vila e, oito anos depois, o monarca entregou-a à Ordem de Avis, ficando esta instituição obrigada a lavrar "esse castello de boo muro e" fazer "y huum boom Alcaçar forte" (BARROCA, 2000, p.1339).
Do castelo então mandado erguer pelo Mestre D. Lourenço Afonso chegaram duas importantes inscrições, ambas atribuídas a 1308. A primeira, datada de 1 de Abril de 1308, comemora a acção do mestre de Avis na fundação do castelo e no povoamento da vila. A segunda, criticamente atribuída ao ano de 1308 (IDEM, pp.1359-1360), noticia o empenho do comendador Aires Afonso na edificação da torre de menagem. Por estas duas informações, é fácil perceber como a definição do sistema defensivo de Noudar foi uma prioridade para a Ordem de Avis nesses primeiros anos do século XIV.
A estrutura gótica então erguida conserva-se genericamente e dela fazem parte dois espaços essenciais: a alcáçova e a cerca da vila. Aquela ocupa o sector meridional do conjunto e é de planta quadrangular irregular, onde sobressai a torre de menagem, poderosa estrutura elevada a c. 18 metros de altura e que protege activamente a entrada no recinto. De planta quadrangular, e construção cuidada, possui cisterna interior e duas portas de acesso a pisos distintos. A cerca é bastante maior que a alcáçova e possui 10 torreões adossados, o principal protegendo a porta da vila.
Como fortaleza de fronteira, foram muitas as ocasiões em que passou de Portugal a Castela, e vice-versa, tendo sido o século XIV particularmente fértil. Quando Duarte d'Armas a desenhou, em 1509, não parece que tivessem existido assinaláveis obras de reconfiguração, à excepção, talvez, das barbacãs que circundavam o castelo, estruturas defensivas mais características do século XV. De novo na posse de espanhóis em 1644 e em 1707, a sua vulnerabilidade não foi suficiente para que se empreendessem obras de abaluartamento, ao contrário do que sucedeu, por exemplo, em Elvas, facto que consolidou a imagem medieval do conjunto.
A partir do século XVIII, a história deste castelo é a de um abandono progressivo, consumado em 1893 com a sua venda a um privado, João Barroso Domingues, importante proprietário de Barrancos. Só em 1997, mais de um século depois, a autarquia conseguiu adquirir o conjunto, desenvolvendo-se, a partir de então, um projecto de investigação arqueológica sistemática que, para já, revelou alguns níveis da presença islâmica no local.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913729
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Beja / Barrancos / Barrancos
Herdade da Coitadinha
Barrancos -
Polícia:
LATITUDE
38.178076
LONGITUDE
-7.062966
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1253
1253, a povoação recebeu foral de Afonso X de Castela, juntamente com outras localidades do Além-Guadiana, entre as q...
1295
1295.
1308
1308.
1339
1339).Do castelo então mandado erguer pelo Mestre D.
1359
1359-1360), noticia o empenho do comendador Aires Afonso na edificação da torre de menagem. P
1360
1360), noticia o empenho do comendador Aires Afonso na edificação da torre de menagem. P
1509
1509, não parece que tivessem existido assinaláveis obras de reconfiguração, à excepção, talvez, das barbacãs que cir...
1644
1644 e em 1707, a sua vulnerabilidade não foi suficiente para que se empreendessem obras de abaluartamento, ao contrá...
1707
1707, a sua vulnerabilidade não foi suficiente para que se empreendessem obras de abaluartamento, ao contrário do que...
1893
1893 com a sua venda a um privado, João Barroso Domingues, importante proprietário de Barrancos. S
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Ao contrário do que tem sido sucessivamente repetido, a história do ca...
1997
1997, mais de um século depois, a autarquia conseguiu adquirir o conjunto, desenvolvendo-se, a partir de então, um pr...
2000
2000, p.1339).Do castelo então mandado erguer pelo Mestre D.
2003
2003, p.74).
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses ALMEIDA, João de Edição 1948 Lisboa
O Livro das Fortalezas de Duarte Darmas (edição anotada) ALMEIDA, João de Edição 1943 Lisboa
O legado islâmico em Portugal MACIAS, Santiago, TORRES, Cláudio Edição 1998 Lisboa
"Inscrições árabes de Noudar", Arqueologia Medieval, nº2, pp.215-217 BORGES, Artur Goulart de Melo Edição 1993 Porto
"Noudar-1982", Informação Arqueológica, nº5, pp.39-40 TORRES, Cláudio Edição 1985 Lisboa
"Auto d'uma posse do Castelo de Noudar e Inventario do que la existia no sec. XVI", O Archeólogo Portuguez, 1ª série, nº5, pp.146-151 AZEVEDO, Pedro A. de Edição 1900 Lisboa
"Noudar, fortaleza militar do século XVI - notícia histórica", Boletim da Associação dos Architectos Civis e Archeólogos Portuguezes, vol. 11, nº10 SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1909 Lisboa
Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal GIL, Júlio, CABRITA, Augusto Edição 1986 Lisboa
"300 Sítios arqueológicos visitáveis em Portugal", Al-madan RAPOSO, Jorge Edição 2001 Almada
Le Portugal musulman PICARD, Christophe Edição 2000 Paris
"Memória sobre os Forais - Noudar", Terras Portuguesas, vol. I, pp.382-384 LIMA, Baptista de Edição 1932 Póvoa do Varzim
"A ocupação islâmica de Noudar", Arqueologia Medieval, nº8, pp.69-82 REGO, Miguel Edição 2003 Porto
"Investigações arqueológicas no Castelo de Noudar", Arqueologia en el Entorno del Bajo Guadiana. Actas del Encuentro Internacional de Arqueologia del Suroeste, pp.37-53 REGO, Miguel Edição 1994 Huelva
O Castelo de Noudar - fortaleza medieval COELHO, Adelino de Matos Edição 1986 Barrancos
O porquê de Barrancos FRANCO, Norberto Edição 2000 Amadora
O espaço medieval da Reconquista no Sudoeste da Península Ibérica GARCIA, João Carlos Edição 1986 Lisboa
"Levantamento documental sobre Noudar e Barrancos existente na Torre do Tombo", Cadernos do Museu, nº1, pp.5-38 PÁSCOA, Marta Edição 1998 Barrancos
"Boas práticas. Castelo de Noudar: a reconstrução da torre sudoeste.", Pedra e Cal, nº 51, pp. 18-19 SILVA, André Lourenço e Edição 2011 Lisboa

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