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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja matriz de Estômbar, incluindo os retábulos e azulejos que revestem o seu interior, bem como as duas notáveis colunas com o fuste esculpido, adossadas ao interior da parede de entrada

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja matriz de Estômbar, incluindo os retábulos e azulejos que revestem o seu interior, bem como as duas notáveis colunas com o fuste esculpido, adossadas ao interior da parede de entrada
Outras Designações
Igreja de São Tiago, matriz de Estombar / Igreja Paroquial de Estômbar / Igreja São Tiago Maior (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja Matriz de Estômbar é o produto da mais coerente oficina manuelina do Barlavento algarvio, responsável também pelas igrejas da Misericórdia de Silves e de São João de Alvor (RAMOS, 1996, p.111). O templo foi muito adulterado ao longo dos tempos, em particular após o terramoto de 1755, mas conserva ainda abundantes motivos de interesse para todos aqueles que se dedicam ou pretendem descobrir o Manuelino algarvio.
O portal principal é a peça que melhor testemunha a fase dos inícios do século XVI. De arco de volta perfeita, limitado por duas arquivoltas, os seus capitéis são decorados com ampla folhagem (de tipologia semelhante à que encontramos no portal axial da igreja de Alvor), de que sobressaem representações dos típicos green men - compostas por máscaras humanas de cujas bocas saem hastes vegetalistas com frutos pendentes -, bem como de crocodilos lutando entre si. Entre as colunas, o espaço disponível foi também ocupado por decoração fitomórfica de recorte cuidado, mas as aduelas que compõem a parcela entre arquivoltas não possuem qualquer ornamentação, facto que, a juntar ao motivo concheado (vieira) que remata o portal, são indícios da cronologia tardia da obra e do novo marco estilístico, renascentista, que começava já a vingar na província (CORREIA, 1985, p.17).
Outras marcas tardo-manuelinas importantes são dadas pelos portais laterais (o setentrional de perfil recto e o meridional de arco apontado), cuja decoração vegetalista segue o esquema do portal principal, preenchendo os capitéis e o espaço entre colunas, mas deixando vazias as aduelas entre arquivoltas. No interior, conservam-se ainda duas colunas de inícios do século XVI, que têm a particularidade de os seus fustes serem profusamente decorados, "o que é único no Algarve e, no seu género, muito pouco comum no panorama nacional" (RAMOS, 1996, p.118). De acordo com este último autor, a abundância de representações humanas nestas colunas, que se situam à entrada da igreja (músicos, guerreiros, crianças, eclesiásticos, populares), mais não são que o retrato "colectivo de uma comunidade no exercício combinado das suas cerimónias rituais" e assemelham-se ao que se executou no portal axial da matriz de Alvor (IDEM, p.118).
Não se sabe a razão de uma tão grande alteração na restante construção do templo, que apresenta uma feição estilística entre o Renascimento e o Maneirismo. À excepção das colunas interiores junto à fachada principal, os restantes elementos estruturais que definem os 4 tramos do corpo tripartido do corpo da igreja, bem como o seu arco triunfal, são lisos e apresentam capitéis dóricos, onde descarregam arcos formeiros de volta perfeita. É possível que tenham existido paragens no processo construtivo, mas o mais natural é que, pela segunda metade do século, escassos anos depois de edificado o templo, se tenha procedido a uma campanha reformuladora, ainda de contornos obscuros.
O actual aspecto geral do monumento muito deve ao século XVIII. Em 1709, Custódio Mesquita contratou a realização do retábulo-mor de talha dourada, a ele se atribuindo também outras obras da igreja, como o retábulo da capela de Nossa Senhora da Conceição (LAMEIRA, 2000, pp.163-164). Ligeiramente posteriores, mas ainda inseridos no ciclo barroco do reinado de D. João V e na ampla produção oficinal lisboeta, são os painéis de azulejos azuis e brancos que cobrem as paredes laterais da capela-mor. Em 1755, o terramoto provocou alguns danos, contando-se o desabamento das torres da fachada principal. Elas haveriam de ser reconstruídas nos anos seguintes, pelo menos até 1763, datando dessa última campanha o actual figurino dos registos superiores da frontaria.
Alvo de restauro na década de 60 do século XX (em que se conta o entaipamento de algumas frestas que podiam bem corresponder à primitiva edificação), a igreja é um dos monumentos manuelinos mais importantes do Algarve.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 12699926
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Lagoa / Estombar e Parchal
Largo da Igreja
Estombar -
Polícia:
LATITUDE
37.146265
LONGITUDE
-8.487343
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1709
1709, Custódio Mesquita contratou a realização do retábulo-mor de talha dourada, a ele se atribuindo também outras ob...
1755
1755, mas conserva ainda abundantes motivos de interesse para todos aqueles que se dedicam ou pretendem descobrir o M...
1763
1763, datando dessa última campanha o actual figurino dos registos superiores da frontaria.Alvo de restauro na década...
1984
1984 (ver Decreto) A igreja Matriz de Estômbar é o produto da mais coerente oficina manuelina do Barlavento algarvio,...
1985
1985, p.17).Outras marcas tardo-manuelinas importantes são dadas pelos portais laterais (o setentrional de perfil rec...
1996
1996, p.111).
2000
2000, pp.163-164).
7
IMAGENS
7
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura religiosa do Algarve de 1520 a 1600 CORREIA, José Eduardo Horta Edição 1987 Lisboa
A talha no Algarve durante o Antigo Regime LAMEIRA, Francisco Edição 2000 Faro
Itinerário do Barroco no Algarve LAMEIRA, Francisco Edição 1988
"O manuelino algarvio", O Algarve da Antiguidade aos nossos dias, pp.227-232 RAMOS, Manuel Francisco Castelo Edição 1999
"Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI)", Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142 RAMOS, Manuel Francisco Castelo Edição 1996 Silves
O lugar de Santiago de Estômbar no século XVI VIOLA, Alda Rodrigues Edição 1994 Estômbar
A Igreja de Santiago de Estômbar SIMÕES, João Miguel Edição 2008 Lagoa

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