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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela dos Ferreiros, anexa à igreja matriz de Oliveira do Hospital, com todo o seu recheio, túmulos e retábulos

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela dos Ferreiros, anexa à igreja matriz de Oliveira do Hospital, com todo o seu recheio, túmulos e retábulos
Outras Designações
Igreja Paroquial de Oliveira do Hospital e Capela dos Ferreiros / Igreja da Exaltação da Santa Cruz (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Adossada à barroca igreja matriz de Oliveira do Hospital, a capela dos Ferreiros é um dos mais importantes espaços funerários góticos nacionais, pela relevância das obras que encerra, mas também por ser das poucas capelas sepulcrais baixo-medievais de iniciativa privada que se conservou até aos nossos dias.
Ela ficou a dever-se a Domingos Joanes, ao que tudo indica um nobre de ascendência obscura, neto de D. Chavão e que terá feito fama em guerras por terras de França (HALL, 1998, p.124). As semelhanças do seu brasão com o de Bartolomeu Joanes, rico burguês da cidade de Lisboa, que se fez sepultar em capela própria na Sé da capital, tem levado alguns autores a considerar Domingos Joanes como um homem oriundo de uma família nobre recente (BARROCA, 2000, p.1631, cit. José Mattoso), cuja vontade de legitimar a sua promoção social ficou bem expressa no conjunto escultórico que encomendou para a capela. Por outro lado, uma desaparecida lápide referia-o como "cavaleiro de Oliveira", facto que, a juntar ao estatuto de seu avô como governador das terras de Seia, permite perceber a escolha deste nobre por Oliveira do Hospital para sua última morada. Com ele, sepultou-se sua mulher, D. Domingas Sabachais, uma figura igualmente mal documentada da nossa história medieval.
A capela é um espaço rectangular mal iluminado e cujas características construtivas revelam a manutenção dos arcaísmos com que a arquitectura gótica portuguesa (em particular a do reinado de D. Dinis) é maioritariamente avaliada. "Com pouco mais de 6,50m por 3,50m, e uma cobertura de berço quebrado e contínuo" (DIAS, 1994, p.98), é uma massa edificada compacta, com grandes silhares de granito e iluminada por dois pequenos óculos quadrilobados, abertos na fachada lateral Sul. Uma fresta, localizada axialmente no alçado do lado nascente, iluminaria originalmente o espaço, mas a posterior ligação Sul à igreja determinou a perda de função deste elemento.
Durante muito tempo, considerou-se ser obra de 1279 (de acordo com aquela inscrição apenas vistas por Coelho Gasco no século XVII), um dado que faria desta obra uma das mais antigas capelas funerárias nacionais (CORREIA e GONÇALVES, 1952). No entanto, estudos mais recentes vieram questionar esta datação, assumindo-se o ano de 1341 (Era de 1379) como o mais provável (BARROCA, 2000, pp.1627-1628).
Se, arquitectonicamente, a capela dos Ferreiros pode ser considerada mais uma de tantas construções arcaizantes levantadas entre os séculos XIII e XIV, o notável conjunto escultórico do seu interior revela uma actualidade de gosto e um desafogo económico pouco comum no panorama nacional da primeira metade do século XIV. Dois túmulos, uma estátua de um cavaleiro e um retábulo, são o mais completo conjunto escultórico gótico português, e uma das obras maiores de um incontornável escultor aragonês estabelecido no nosso país a partir do casamento de D. Dinis com D. Isabel de Aragão: Mestre Pero.
Os dois jacentes foram figurados em decúbito lateral, composição muito pouco comum no panorama da tumulária nacional (BARROCA, 2000, p.1629), sendo a iconografia escolhida por Domingos Joanes característica da Nobreza trecentista, com espada e lebreu aos pés. Este conteúdo senhorial é ainda reforçado pela estátua de cavaleiro, representado como participante de um torneio medieval e não em contexto de guerra, numa clara intenção de "sublinhar a dimensão ideal da cavalaria" e do seu estatuto de nobre (FONSECA, 1992, p.170). O jacente de Domingas Sabachais é igualmente comum às damas nobres, com cabeça coberta por véu e um pequeno cão aos pés, mas simbolicamente menos afirmativo que o de seu marido. O retábulo destinou-se a reforçar o programa de afirmação pessoal e social, na medida em que a Virgem com o Menino é ladeada por duas figuras menores, representando os doadores, no fundo, Domingos Joanes e Domingas Sabachais que, desta forma, se autonomizaram dos seus túmulos terrenos e passaram a figurar no reino dos céus.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 26 500, DG, I Série, n.º 79, de 4-04-1936 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 636/2015, DR, 2.ª série, n.º 161, de 19-08-2015 (sem restrições) (ver Portaria)
Parecer favorável de 11-06-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR,I.P.
Proposta de 15-04-2008 da DRC do Centro para a ZEP da Capela dos Ferreiros e do Pelourinho de Oliveira do Hospital
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Coimbra / Oliveira do Hospital / Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços
Largo Conselheiro Cabral Metelo
Oliveira do Hospital -
Polícia:
LATITUDE
40.359453
LONGITUDE
-7.861815
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1279
1279 (de acordo com aquela inscrição apenas vistas por Coelho Gasco no século XVII), um dado que faria desta obra uma...
1341
1341 (Era de 1379) como o mais provável (BARROCA, 2000, pp.1627-1628).Se, arquitectonicamente, a capela dos Ferreiros...
1379
1379) como o mais provável (BARROCA, 2000, pp.1627-1628).Se, arquitectonicamente, a capela dos Ferreiros pode ser con...
1627
1627-1628).Se, arquitectonicamente, a capela dos Ferreiros pode ser considerada mais uma de tantas construções arcaiz...
1628
1628).Se, arquitectonicamente, a capela dos Ferreiros pode ser considerada mais uma de tantas construções arcaizantes...
1629
1629), sendo a iconografia escolhida por Domingos Joanes característica da Nobreza trecentista, com espada e lebreu a...
1631
1631, cit.
1936
1936 (ver Decreto) Adossada à barroca igreja matriz de Oliveira do Hospital, a capela dos Ferreiros é um dos mais imp...
1952
1952).
1992
1992, p.170).
1994
1994, p.98), é uma massa edificada compacta, com grandes silhares de granito e iluminada por dois pequenos óculos qua...
1998
1998, p.124).
2000
2000, p.1631, cit.
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. IV (O Gótico) DIAS, Pedro Edição 1986 Lisboa
Inventário Artístico de Portugal: distrito de Coimbra GONCALVES, António Nogueira, CORREIA, Vergílio Edição 1952 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
Três túmulos CORREIA, Vergílio Edição 1924 Lisboa
"O claustro da Sé de Lisboa: uma arquitectura «cheia de imperfeições»?", Murphy, nº1, pp.18-69 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2006 Coimbra
A escultura em Portugal (séculos XII-XV) SANTOS, Reinaldo dos Edição 1948 Lisboa
"O descanso eterno. A tumulária", História da Arte Portuguesa, vol.1, pp.435-455 MACEDO, Francisco Pato de Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal LACERDA, Aarão de Edição 1942 Porto
"Cavaleiro medieval", ficha técnica de catálogo, Nos confins da Idade Média, p.170 FONSECA, Luís Adão da, Edição 1992 Porto
"Esculturas da Capela dos Ferreiros", Ilustração Moderna, nº40, pp.34-37 GONÇALVES, António Augusto Edição 1930 Porto
Concelho de Oliveira do Hospital: subsídios para a sua História HALL, Tarquínio Edição 1998 Oliveira do Hospital

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