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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Mosteiro de Lorvão, compreendendo os túmulos de Santa Teresa e de Santa Sancha

Arquitectura Religiosa / Mosteiro - Itinerário de Cister

Designação
Designação Atual
Mosteiro de Lorvão, compreendendo os túmulos de Santa Teresa e de Santa Sancha
Outras Designações
Tipologia
Mosteiro - Itinerário de Cister
Itinerário Temático
Itinerários de Cister
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Envolta em diversas lendas, a fundação do Mosteiro de Lorvão tem vindo a ser recuada até ao século VI, época em que, pela primeira vez, foi identificada a paróquia suevo-visigótica de "Lurbane". Muito embora subsista uma pedra de mármore com ornato visigótico (mas há também vestígios arqueológicos de uma villa romana), é mais correcto, na perspectiva historiográfica actual, considerar a sua fundação na sequência da primeira reconquista de Coimbra (878), data a partir da qual surgem as primeiras referências documentais conhecidas (MATOSO, 1993). No século X, a sua importância era já considerável, mas a centúria seguinte trouxe consigo um período de grande decadência. No século XII aconteceram, com certeza, importantes remodelações (c.1180), das quais resultaram, muito possivelmente, um novo claustro e uma igreja de três naves, mas das quais apenas subsistem os capitéis românicos. Tudo o resto desapareceu.
Depois de uma fase inicial na posse dos monges eremitas de Santo Agostinho (dos quais se encontraram esqueletos) ou sem regra fixa, o mosteiro adoptou, em meados do século XI, a Regra Beneditina, que se manteve até 1200, quando passou para a Ordem de Cister. Nesta data, não apenas se adoptou a nova reforma cisterciense, como o mosteiro passou a ser feminino, tendo por invocação Santa Maria. Deve-se esta profunda mudança, que implicou, naturalmente, adaptações nos espaços, a D. Teresa, filha do rei D. Sancho I, que aqui viveu até à data da sua morte, em 1250, encontrando-se sepultada na igreja juntamente com sua irmã, D. Sancha (urnas executadas pelo ourives portuense Manuel Carneiro da Silva, em 1714).
Desta época até às grandes campanhas de obras que, nos séculos XVII e XVIII, conferiram ao Mosteiro o aspecto que hoje possui, muito haveria a registar. Limitamo-nos, contudo, a destacar a importância deste cenóbio no contexto político nacional, no qual ocorreram disputas significativas entre o Rei e as freiras do Lorvão (caso da que opôs D. João III a D. Filipa d'Eça) e o governo de algumas das mais influentes famílias, entre as quais se salienta, naturalmente, as Eça.
A actualização do mosteiro teve início nos últimos anos do século XVI, incidindo, em primeiro lugar, no claustro, numa linguagem renascentista, onde se incluem várias capelas e a que se acrescentou, em 1677, as varandas, já de pendor mais próximo do barroco. A portaria data de 1630, integrada no novo edifício, iniciado na década de 1620. Foi, no entanto, o ciclo barroco que mais marcou o mosteiro, intimamente relacionado com o culto oficializado às Santas Rainhas, cujo processo terminou em 1724 (BORGES, 2002). Numa primeira fase, renovou-se o retábulo-mor e o dourado invadiu o interior da igreja. Em 1728 edificava-se a nova noviciaria num "acto duplamente simbólico", que marcou "o início de uma nova geração de religiosas e ao mesmo tempo o fecho de um grande ciclo renovador das estruturas materiais da comunidade" (IDEM, p. 468).
Contudo, todo este esforço seria inviabilizado uma década mais tarde, quando se procedeu a nova remodelação, entre 1748 e 1761. A igreja foi reconstruída e o seu traçado denota toda uma influência de Mafra, "mas numa versão requintada e esbelta em que o autor se movimenta com á-vontade, dominando com segurança as proporções e a gramática decorativa do classicismo, dando emotividade aos entablamentos" (IDEM, 1986, p. 330). Paralelamente a esta campanha, procedeu-se à mobilação litúrgica e artística. No campo da talha setecentista, o Mosteiro do Lorvão constitui uma referência fundamental à escala nacional, com especial destaque para o cadeiral do coro-baixo (1742-47), em jacarandá e nogueira, com espaldares altos e decorado com figuras de santos mártires, envoltas por folhagens.
A Extinção das Ordens Religiosas e os problemas sentidos até ao falecimento da última freira (1887) levaram a que boa parte do património do Lorvão se encontre disperso pelos diferentes Museus Nacionais, e outra parte se tenha perdido.
(RC)
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 12-11-1960, publicada no DG, II Série, n.º 269, de 18-11-1960 (sem restrições)
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Coimbra / Penacova / Lorvão
-- a 7 km de Penacova
Lorvão -
Polícia:
LATITUDE
40.259345
LONGITUDE
-8.317306
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1180
1180), das quais resultaram, muito possivelmente, um novo claustro e uma igreja de três naves, mas das quais apenas s...
1200
1200, quando passou para a Ordem de Cister.
1250
1250, encontrando-se sepultada na igreja juntamente com sua irmã, D.
1620
1620.
1630
1630, integrada no novo edifício, iniciado na década de 1620. F
1677
1677, as varandas, já de pendor mais próximo do barroco. A
1714
1714).Desta época até às grandes campanhas de obras que, nos séculos XVII e XVIII, conferiram ao Mosteiro o aspecto q...
1724
1724 (BORGES, 2002).
1728
1728 edificava-se a nova noviciaria num "acto duplamente simbólico", que marcou "o início de uma nova geração de reli...
1742
1742-47), em jacarandá e nogueira, com espaldares altos e decorado com figuras de santos mártires, envoltas por folha...
1748
1748 e 1761.
1761
1761.
1887
1887) levaram a que boa parte do património do Lorvão se encontre disperso pelos diferentes Museus Nacionais, e outra...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Envolta em diversas lendas, a fundação do Mosteiro de Lorvão tem vindo...
1986
1986, p.
1993
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2002
2002).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O barroco do século XVIII", História da Arte Portuguesa, vol.3 PEREIRA, José Fernandes Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal. Do Barroco ao Rococó BORGES, Nelson Correia Edição 1986 Lisboa
Arte Monástica em Lorvão, Sombras e Realidade, Dissertação de Doutoramento BORGES, Nelson Correia Edição 1992 Coimbra
Arte monástica em Lorvão sombras e realidade BORGES, Nelson Correia Edição 2002 Lisboa
O Mosteiro de Lorvão BORGES, Nelson Correia Edição 1982 Coimbra
História de Portugal, vol. I MATTOSO, José Edição 1993 Lisboa

Galeria de Imagens

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