Nota Histórico-Artistica
Os casais saloios, juntamente com os moinhos de vento e as azenhas, constituem os elementos mais significativos da arquitectura popular no meio rural sintrense, sendo igualmente testemunhos privilegiados da história local. Em vários destes locais encontram-se vestígios de ocupação humana desde tempos muito remotos, datando por vezes do período romano. Tais vestígios parecem confirmar não apenas a persistência da exploração agrícola destes territórios ao longo dos séculos, mas igualmente, para alguns autores, a antiquíssima origem da população saloia, de ascendência hispano-romana, moçárabe e mourisca.
A estrutura e evolução dos casais vai reflectindo as formas de economia rural da região, assente na lavoura, bem como o desenvolvimento de novas valências para os mesmos espaços. Particularmente a partir do século XIX estes casais serão progressivamente adaptados a quintas de recreio, respondendo o apelo das amenidades da serra, tão adequada aos ideais românticos da época, e a proximidade da capital, tal como séculos antes havia sido a fertilidade dos solos a determinar os seus usos.
Assafora é ainda hoje uma aldeia rústica muito dispersa, numa zona periférica em relação à vila de Sintra, onde as habitações estão rodeadas de hortas, casas de arrumação de alfaias agrícolas, lagares e eiras, conservando-se alguns moinhos tradicionais. O Casal Saloio da Assafora, de origem setecentista, é constituído por um conjunto de dependências habitacionais e agrícolas, participando da tipologia habitual destas unidades, pequenas explorações de tipo familiar, dotadas de todas as estruturas necessárias para assegurar a auto-suficiência económica dos agregados. Integra casas e diversos anexos, incluindo zonas de armazenamento, palheiro, celeiro, terreiro e telheiros, eira, poço, adega, curral (arriba) e galinheiro (poleiro).
Existem duas casas de habitação, ambas de dois pisos. A maior, de planta alongada, tem um pitoresco alpendre na fachada principal, e coberturas em telhados de quatro águas. Por baixo do alpendre que dá acesso ao piso superior fica a entrada da cozinha, ao lado da qual existia um antigo forno, entretanto transformado em instalação sanitária. Junto da porta principal do piso térreo, à esquerda da fachada, está um banco corrido em pedra. A casa de menores dimensões tem planta quadrada. Os soalhos são em sobrado, e em algumas dependências ainda são visíveis as traves de sustentação dos mesmos. As duas casas são ligadas pelo corpo térreo da adega, aberta por uma porta dupla. Os anexos para os animais e restantes dependências agrícolas distribuem-se à direita da fachada, e o celeiro fica isolado, junto da estrada. A eira situa-se nas traseiras, e tem hoje em dia piso de cimento. A origem setecentista da casa é atestada por uma inscrição na fachada, onde se pode ler a data de 1784.
Sílvia Leite / DIDA - IGESPAR, I.P. / 2010
Diploma de Classificação
Em 6-07-2010 a CM de Sintra informou que não iria prosseguir com o procedimento de classificação, dado o imóvel já não reunir os requisitos iniciais
Enviada cópia do processo pelo Ministério da Cultura à CM de Sintra, em 11-05-2010, a fim de ponderar a conclusão do procedimento
Edital N.º 190/2006 de 27-04-2006 da CM de Sintra
Despacho de homologação de 23-03-2000 da Secretária de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 6-01-2000 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 22-11-1999 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 6-08-1998 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como VC do conjunto
Edital 265 de 23-09-1996 da CM de Sintra
Despacho de abertura de 28-06-1996 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 12-06-1996 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de um processo de classificação
Em 21-02-1996 a CM de Sintra enviou a documentação solicitada
Em 11-07-1983 foi solicitado à CM de Sintra o envio de documentação para a instrução de um processo de classificação
Proposta de classificação de 7-06-1983 da CM de Sintra
Número do Processo
Não disponível