Nota Histórico-Artistica
A construção da primitiva igreja paroquial de Nossa Senhora da Conceição, matriz das Abitureiras foi realizada na centúria de duzentos ou de trezentos e encontra-se envolta na lenda "de duas senhoras tecedeiras (ou fiandeiras), que percorreram estradas e caminhos, pedindo a uns esmolas e a outros diversos materiais para a construção da dita igreja, que seria a forma de pagamento de uma promessa. Pediram também aos mais próximos que as ajudassem na construção da igreja através do esforço dos seus braços. Este sonho tornado realidade por estas duas mulheres, que conseguiram unir os esforços de todos na construção deste empreendimento, valeu-lhes o epíteto de "Aventureiras", associando-se assim ao primitivo nome desta vila.
Lenda ou verdade, há que associar a existência de um fuso, uma roca e uma dobadoura, (símbolos daquela profissão e utensílios das tecedeiras), gravados na torre da igreja.
Há no entanto uma outra versão que associa o primitivo nome do lugar, ao facto de naquela zona existirem muitos abutres e assim se chamar "abutreira".(José Manuel Vieira dos Santos, "O Pentecostes da Igreja de Nossa Senhora da Conceição Como Origem de Uma Incógnita da Pintura Portuguesa dos Séculos XV e XVI- O Mestre das Abitureiras", Relatório, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2001, pp. 11-12.).
O edifício religioso actual data dos inícios do século XVI, como atestam o portal manuelino e os testemunhos azulejares hispano-mouriscos localizados no frontal do altar lateral. No século XVII procedeu-se à reconstrução da nave e da capela-mor, como indicia a inscrição na base do púlpito maneirista.
A fachada da igreja é enquadrada por cunhais apilastrados, tendo no primeiro registo um nártex com cinco arcos semicirculares suportados por pilastras toscanas, que dá acesso ao portal manuelino, no registo superior observa-se um vão decorado por profusa moldura de cantaria. O remate do conjunto é conferido por um frontão triangular.
Do seu património móvel destacamos um painel representando o "Pentecostes", obra gótica de finais do século XV ou inícios do séc. XVI, executada sobre madeira de carvalho, em estudo pelo historiador de arte, José Manuel Vieira dos Santos. Esta pintura constituí, pelas suas características estético-artísticas, um importante testemunho da produção pictórica gótica de Santarém.
Diploma de Classificação
Portaria n.º 273/2013, DR, 2.ª série, n.º 91, de 13-05-2013 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncion.º 13727/2012, DR, 2.ª série, n.º 225, de 21-11-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 11-01-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Proposta de 8-06-2007 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 25-03-1997 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 25-03-1997 da DR de Lisboa do IPPAR
Número do Processo
Nas proximidades do cruzamento das estradas para Moçarria e Vilgateira.