Nota Histórico-Artistica
A edificação da torre do relógio, e do corpo rectangular que se lhe encontra adossado, remonta a uma das últimas fases de obras do Palácio de Queluz, já durante o reinado de D. Maria I, e após o casamento de D. José com D. Maria Benedita. Manuel Caetano de Sousa, a quem é atribuído o traçado desta campanha de obras, sucedeu a Mateus Vicente e a Jean Baptiste Robillion à frente das obras de Queluz, sendo da sua responsabilidade o Pavilhão D. Maria e a torre do relógio, fronteira ao palácio, com o edifício anexo destinado à guarda real, à casa da administração e às cavalariças.
Nesta fase, as intervenções arquitectónicas em Queluz pautam-se por um maior sentido utilitário e funcional, afastando-se do espírito que caracterizou os projectos de Mateus Vicente ou Robillion. Considerado por muitos como o último representante do tardobarroco nacional, Caetano de Sousa exige hoje uma reavaliação, principalmente pelo seu gosto ecléctico que pode ser interpretado como uma tentativa de superação dos modelos arquitectónicos vigentes (FERRÃO, 1989, p. 463).
Na torre de Queluz, o arquitecto optou por manter a linguagem rocaille, mas sem grande inovação. A torre ergue-se sobre uma base de planta quadrada, cuja fachada principal é seccionada por pilastras, definindo três planos e dois registos, separados por frisos. Ambos são abertos ao centro, por uma janela inscrita num arco abatido no primeiro registo, e por uma outra janela de frontão curvo, no segundo. As pilastras são rematadas por fogaréus. O corpo mais elevado é, também, mais estreito e em cantaria. O primeiro registo é ocupado pelo relógio, e no segundo abrem-se as sineiras, em arco de volta perfeita, com colunas nos cunhais, que terminam em fogaréus. Todo o conjunto é rematado por cúpula bolbosa, vazada por óculo.
O edifício da guarda real desenvolve-se num único piso de planta rectangular, cuja fachada principal, seccionada por pilastras, é aberta por janelas e portas de frontão recortado, e que termina em platibanda rasgada por óculos quadrilobados.
Este edifício acolhe, desde 1995, a Pousada D. Maria I, que integra a rede das Pousadas de Portugal.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Em 9-02-2011 a DRC de Lisboa e Vale do Tejo informou a CM de Sintra de que não fora proposta a inclusão do imóvel no despacho de prorrogação, atendendo às profundas alterações a que tinha sido sujeito
Em 10-01-2011 a CM de Sintra solicitou a retificação do Despacho n.º 19338/2010, publicado no DR, 2.ª série, n.º 252, de 31-12-2010, que prorrogou o prazo de vários procedimentos de classificação, no sentido de integrar o imóvel
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Despacho de 20-08-1996 a determinar a abertura da instrução do processo de classificação
Número do Processo
Não disponível