Alfredo da Silva (1871-1942), oriundo de uma importante família de comerciantes lisboetas, foi um dos nomes mais importantes da nossa tímida revolução industrial. Na verdade, é considerado o primeiro grande industrial português, deixando uma vasta obra, de que se destacam os empreendimentos da CUF (Companhia União Fabril), da Tabaqueira, do estaleiro da Rocha do Conde de Óbidos (que mais tarde viria a dar origem à Lisnave), da Carris e até do Banco Totta. O seu corpo foi depositado num monumental mausoléu mandado edificar pela família no antigo cemitério do Barreiro, à entrada da CUF, obra do arquitecto Luís Cristino da Silva e do escultor Leopoldo de Almeida, de que se destaca a pirâmide central que suporta o simbólico sarcófago.
A Casa do Monte Estoril foi construída em 1917 e contou com projecto do arquitecto Tertuliano Marques. "É um palacete que reinterpreta o estilo barroco joanino, marcado por linhas rectas e uma assumida ideia de grandiosidade" (FERNANDES, 2007:2), produto acabado da "arquitectura de ostentação" que contaminou o Monte Estoril logo após a implantação da República, em palavras de Raquel Henriques da SILVA, 1984. A entrada principal localiza-se do lado Norte, mas é no longo alçado voltado a Sul, sobranceiro à Avenida Marginal e à Praia das Moitas, que se exibe toda a magnificência do projecto. De dois pisos, esta monumental fachada compõe-se de três corpos, sendo o central recuado para permitir o desenvolvimento de uma ampla varanda panorâmica, assente sobre imponente colunata de gosto classicizante.
A opção por dispositivos estéticos clássicos é, de resto, a mais importante marca artística do conjunto, destacando-se os frontões e molduras que enquadram os vãos, as pilastras caneladas que definem verticalmente os panos e as colunas dóricas que sustentam a varanda meridional. No seu conjunto, tratam-se de elementos que propositadamente contradizem o vocabulário ainda romântico do parque urbano do Monte. A própria monumentalidade é um valor que se impõe, ombreando os dois andares da Casa de São Cristóvão com os cinco pisos da vizinha residência da rainha D. Maria Pia. Por 1917, a imensa disponibilidade financeira de Alfredo da Silva permitiu a Tertuliano Marques conceber um monumento único no concelho de Cascais, esteticamente algo incongruente - porque detém uma ideia de grandiosidade vincadamente pessoal, com certeza ditada pelo proprietário -, mas uma peça mais que singulariza a arquitectura residencial de excepção dos Estoris.
Paulo Fernandes | DIDA | IGESPAR, I. P.
17.08.2007
Diploma de Classificação
Em 25-05-2011 foi dado conhecimento do despacho à proprietária e à CM de Cascais
Despacho de 21-12-2010 do director do IGESPAR, I.P. a revogar o despacho de abertura
Proposta de 17-12-2010 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a revogação do despacho de abertura, por o imóvel não ter valor nacional
Em 11-11-2005 a CM de Cascais enviou a documentação solicitada
Em 22-06-2005 foi solicitado à CM de Cascais o envio de documentação complementar para a instrução do processo de classificação
Em 1-09-1993 a CM de Cascais informou não ver qualquer inconveniente quanto à classificação do imóvel
Despacho de abertura de 9-06-1992 do presidente do IPPAR
Proposta de 9-06-1992 do IPPC para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de classificação de 12-03-1985 da CM de Cascais, após deliberação de 20-02-1985
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal
Não aplicável
ZEP
n/a
Afectação
9914630
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Cascais / Cascais e Estoril
Rua Alfredo da Silva
Monte Estoril -
Polícia:
3
LATITUDE
LONGITUDE
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1871
1871-1942), oriundo de uma importante família de comerciantes lisboetas, foi um dos nomes mais importantes da nossa t...
1917
1917 e contou com projecto do arquitecto Tertuliano Marques.
1942
1942), oriundo de uma importante família de comerciantes lisboetas, foi um dos nomes mais importantes da nossa tímida...
1984
1984.
1985
1985 da CM de Cascais, após deliberação de 20-02-1985 Alfredo da Silva (1871-1942), oriundo de uma importante família...
1992
1992 do presidente do IPPAR Proposta de 9-06-1992 do IPPC para a abertura da instrução de processo de classificação P...
1993
1993 a CM de Cascais informou não ver qualquer inconveniente quanto à classificação do imóvel Despacho de abertura de...
2005
2005 a CM de Cascais enviou a documentação solicitada Em 22-06-2005 foi solicitado à CM de Cascais o envio de documen...
2007
2007:2), produto acabado da "arquitectura de ostentação" que contaminou o Monte Estoril logo após a implantação da Re...
2010
2010 do director do IGESPAR, I.P.
2011
2011 foi dado conhecimento do despacho à proprietária e à CM de Cascais Despacho de 21-12-2010 do director do IGESPAR...
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
<i>Estoril a visitar. Monte Estoril / Estoril</i>
FERNANDES, Paulo Almeida
Edição
2007
Cascais
"Sobre a arquitectura do Monte Estoril, 1880-1920", Arquivo de Cascais, nº5