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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja da Raposeira

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja da Raposeira
Outras Designações
Igreja Paroquial de Raposeira / Igreja de Nossa Senhora da Encarnação (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja matriz da Raposeira é um templo manuelino, edificado, muito possivelmente, pela terceira ou quarta década do século XVI, cronologia aproximada obtida através das relações estilísticas que existem entre esta construção e a vizinha igreja de Nossa Senhora da Luz de Lagos (construída pela década de 20), embora outras semelhanças com a Misericórdia de Albufeira possam fazer recuar um pouco essa datação.
Construtivamente, é uma realização relativamente modesta (nave única de dois tramos e capela-mor rectangular, integralmente coberta por tecto de madeira), própria de uma região rural e periférica, embora de inegável importância na conjuntura tardo-gótica nacional. Esse mesmo estatuto periférico está na base da manutenção das suas características originais, em detrimento de significativas campanhas posteriores, que, em boa verdade, praticamente não existiram, à excepção de uma escassa actualização estética e consolidação arquitectónica verificada no período barroco.
Com efeito, são ainda muitos os vestígios manuelinos no conjunto, a começar pelo portal principal, de "tipo pentalobado em duas arquivoltas, quase sobrepostas, uma como que simulando a sombra da outra" (RAMOS, 1996, p.97). A decoração é aqui muito escassa, limitando-se aos capitéis (ornamentados com singelos motivos vegetalistas e geométricos) e às bases dos colunelos (onde aparecem as pequenas aspas, que Manuel Castelo RAMOS, 1996, p.98, identificou também no arco triunfal da igreja da Misericórdia de Albufeira).
Se esta porta revela um tratamento muito esquemático e reduzido do vocabulário artístico manuelino, as entradas laterais foram tratadas de forma ainda mais sumária. A do lado Norte é de lintel recto e, não fosse o chanfrado das suas arestas interiores, nada a daria como manuelina. A do lado Sul é mais característica, com perfil superior contracurvado e moldurado. No interior, o arco triunfal é o elemento original mais importante e, ao contrário das faces exteriores dos portais, revela um maior cuidado estilístico. É de três arquivoltas assentes sobre "bases poligonais" de "socos alongados, como na porta principal da vizinha igreja de Nossa Senhora da Luz de Lagos" (IDEM, p.98). Os capitéis são oitavados e, ainda que não integrem elementos figurativos ou vegetelistas exuberantes, são uniformemente decorados com calabres entrançados e meias esferas que formam o célebre motivo do "turbante".
Como se disse, foram escassas as alterações verificadas ao longo dos séculos. Na primeira metade de Setecentos, construíram-se os dois retábulos de talha dourada que ladeiam o arco triunfal. São de estrutura rectangular, de duas arquivoltas que, por sua vez, definem amplas tribunas de volta perfeita, onde existem imagens de Cristo Crucificado e Nossa Senhora da Encarnação. No exterior, a campanha barroca fez-se também sentir. O registo superior da fachada principal, em empena triangular e com janelão axial quadrangular provido de grelha, deverá datar deste período, assim como a torre sineira que se adossa do lado Sul, com quatro arcos de volta perfeita, pináculos nos ângulos e coroamento piramidal.
Nos últimos séculos, o monumento não foi objecto de grandes obras. Sabe-se que, em 1873, o tecto da igreja abateu e, em 1969, o sismo sentido em Portugal provocou alguns estragos de pequena monta. Sem assinaláveis intervenções de restauro, a igreja permanece como uma das mais interessantes construções manuelinas do extremo Sudoeste do território continental nacional e evoca simbolicamente o período em que a região mais floresceu, precisamente a transição para o século XVI.
PAF
Diploma de Classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Procedimento caducado - sem protecção legal
Não aplicável

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Vila do Bispo / Vila do Bispo e Raposeira
- -
Raposeira -
Polícia:
LATITUDE
LONGITUDE
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1873
1873, o tecto da igreja abateu e, em 1969, o sismo sentido em Portugal provocou alguns estragos de pequena monta.
1969
1969, o sismo sentido em Portugal provocou alguns estragos de pequena monta.
1996
1996, p.97).
2009
2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma) A igreja matriz da Raposeira é um templo manuelino, edificad...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Guia turístico e ambiental do concelho de Vila do Bispo BAPTISTA, Carlos Manuel Maximiano Edição 2000 Lisboa
A talha no Algarve durante o Antigo Regime LAMEIRA, Francisco Edição 2000 Faro
"Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI)", Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142 RAMOS, Manuel Francisco Castelo Edição 1996 Silves

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