Nota Histórico-Artistica
O Mercado de Escravos foi o último dos edifícios seiscentistas, de carácter civil e de apoio à Praça forte de Lagos, a ser construído. Integra-se no mesmo contexto de racionalização dos recursos, e de especialização dos espaços, que deu origem à Oficina do Espingardeiro e ao vizinho Armazém Regimental, mas a sua linguagem arquitectónica e estilística, bem como a diferente projecção e o cuidado posto no lançamento dos seus volumes, colocam-no num lugar bem distinto dos restantes.
Ao que uma extensa epígrafe indica, a sua construção deu-se em 1691, por vontade do 2º Marquês de Niza, D. Francisco Luís da Gama, que edificou o Corpo da Guarda "sobre o edifício que primeiramente serviu como venda de escravos, que existia desde o século XV" (PAULA, 1992, p.211).
Estilisticamente, é um monumento de grande impacto urbanístico, constituindo mesmo um dos vértices da principal praça da cidade, defronte da igreja Matriz. Compõe-se de dois pisos, de arquitectura racionalizada, erudita e simétrica. A fachada principal, organizada a dois registos, dispõe de um amplo narthex, de dupla arcaria, hoje protegido com grades de ferro, atribuível ainda a um período maneirista. Superiormente, duas grandes janelas rectangulares e molduradas, de finais do século XVII, demonstram a qualidade da obra empreendida pelo conde de Niza. No piso térreo, o espaço interior é ocupado por uma vasta sala, actualmente convertida em galeria de arte. No andar superior, funcionou a Alfândega de Lagos, até 1820, altura em que transitou para o Edifício da Portagem. A Direcção Geral das Alfândegas mantém, ainda, a posse parcial do imóvel. Ao longo dos séculos, desempenhou várias funções, como a de Vedoria, que deu mesmo o nome a uma das ruas laterais.
Na praça principal da cidade, constituindo mesmo um dos seus vértices definidores, o Mercado de Escravos é um dos mais emblemáticos monumentos da cidade, reafirmando, pela sua existência, a umbilical ligação de Lagos à empresa dos Descobrimentos e cristalizando, até à actualidade, a memória do local onde, desde a primeira hora, se instalou a venda de escravos.
PAF
Diploma de Classificação
Portaria n.º 177/2014, DR, 2.ª série, n.º 44, de 4-03-2014 (ver Portaria)
Despacho de homologação de 23-10-2002 do Ministro da Cultura
Parecer de 26-09-2002 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Informação de 29-06-1998 da DR de Faro do IPPAR a propor a classificação
Despacho de abertura de 8-08-1991 do presidente do IPPC
Proposta de 31-07-1991 do IPPC para a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 8-01-1987 da CM de Lagos
Número do Processo
Não disponível