Nota Histórico-Artistica
Situada na povoação de Cães de Cima, a Casa da Portelada, ou de Santa Quitéria, pertencia ao antigo concelho de Azurara da Beira, criado por foral do Conde D. Henrique em 1102. Este foral viria a ser confirmado por D. Afonso III em 1218, e posteriormente, no início do século XVI, durante as reformas administrativas manuelinas. No século XIX, o concelho passaria a designar-se Mangualde, topónimo que mantém até hoje.
A Casa da Portelada foi edificada no início do século XVII, sendo seu proprietário Henrique da Costa Faro. Em 1580 Costa Faro foi desterrado da corte de D. Filipe I por não ter tomado o partido castelhano, ficando degredado no lugar de Cães de Cima, onde posteriormente edificou a Casa da Portelada, ou de Santa Quitéria.
Este edifício é um exemplar da arquitectura solarenga seiscentista, com planta rectangular disposta longitudinalmente, dividida em dois pisos. A estrutura exterior destaca-se pela sobriedade e simetria das fachadas, destacando-se na zona posterior um alpendre assente sobre colunata toscana, que dá acesso a uma loggia , disposta lateralmente.
O espaço interior, à semelhança do que era designado na tratadística da época, divide-se em duas áreas completamente distintas, correspondentes às dependências de serviço, organizadas no primeiro piso, e ao espaço residencial, que ocupa o piso superior. Um corredor disposto ao longo do alçado permite a entrada nas várias dependências residenciais, algumas comunicantes entre si.
Junto à casa foi edificada no século XVIII a capela privada da residência. De planta rectangular, composta pela nave única com coro-alto e pela sacristia, é o elemento mais exuberante da casa, apresentando um modelo de gosto barroco. Possui retábulo-mor de talha rocaille dourada e policromada, que inclui telas. O espaço interior é decorado com azulejos de figura avulsa setecentistas e coberto por tecto de madeira pintado com imagens em trompe l'oeil .
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 28 de Junho de 2005
Diploma de Classificação
Portaria n.º 258/2010, DR, 2.ª série, n.º 69, de 9-04-2010 (classificou como MIP) (ver Portaria)
Edital de 20-01-2003 da CM de Coimbra
Despacho de homologação de 23-10-2002 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 26-09-2002 do Conselho Consultivo do IPPAR
Informação de 15-03-1999 da DR de Coimbra do IPPAR favorável à reclassificação como IIP
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (classificou como VC) (ver Decreto)
Edital de 22-10-1996 da CM de Mangualde (relativo ao despacho de homologação como VC)
Proposta de 30-09-1996 do proprietário para a classificação como IIP
Despacho de homologação de 12-08-1996 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 18-06-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 10-05-1996 da DR de Coimbra do IPPAR para a classificação como VC
Despacho de abertura de 2-08-1995 do presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 17-07-1995 da DR de Coimbra do IPPAR
Proposta de classificação de 7-02-1995, do proprietário
Número do Processo
Não disponível