Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizada no Lugar de São Gonçalo, em Cavalões, a antiga Capela das Almas é formada por estrutura de planimetria quadrangular composta por dois corpos, o do templo propriamente dito e o da sacristia.
A fachada principal, delimitada por pilastras de cunhal com pináculo superior, apresenta uma composição singular, uma vez que o pano murário é rasgado por duas portas simétricas separadas por uma pilastra, colocada ao centro do frontispício. Cada uma das entradas é composta por moldura retangular em granito ladeada por dois janelos e encimada com frontão triangular, sobre o qual foi rasgado um óculo, quadrilobado à esquerda e circular à direita. O conjunto da fachada é rematado por uma larga empena triangular, assente sobre cornija embebida. O campanário ergue-se a Norte da frontaria. O corpo da sacristia, de cércea mais baixa, adossa-se à esquerda da fachada, exibindo nas paredes laterais janelões retangulares.
O espaço interior divide-se em duas naves, separadas por uma arcada de volta perfeita assente sobre colunas lisas com capitéis prismáticos, atravessadas superiormente por dois tramos longitudinais que detêm funções estruturais, uma vez que os topos intercetam o pano da fachada. Em cada uma das naves ergue-se um altar sobrelevado, funcionando o do lado da Epístola como altar-mor.
História
Erguida na época barroca, possivelmente entre as décadas finais do século XVII e a primeira metade do século XVIII, esta capela de Cavalões é um templo dedicado a São Gonçalo, embora seja também conhecida localmente como Capela das Almas.
A sua disposição singular, marcada por duas portas exteriores e por uma arcada interior que divide o templo em duas naves com dois altares distintos, destinava-se a separar os homens e as mulheres, durante as liturgias. Originalmente, esta divisão interior era reforçada por uma balaustrada de madeira, colocada sob os arcos centrais.
No ano de 1942 a capela sofreu um incêndio, tendo permanecido em ruínas por algumas décadas. A própria designação da classificação como de interesse municipal, promulgada em 1978, alude precisamente a esta situação ruinosa em que, então, o pequeno templo se encontrava. Depois de 1979 a Comissão Fabriqueira encetou um restauro da estrutura, que lhe devolveu a feição original.
Catarina Oliveira
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível