Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizada na antiga estrada medieval que ligava o Porto a Guimarães, permitindo a passagem sobre o rio Leça, na freguesia de Alfena, a Ponte de São Lázaro apresenta uma estrutura de aparelho de pedra composta por dois arcos desiguais, um mais amplo e central, virado a Este, e outro menor, do lado da margem esquerda, destinado ao escoamento mais eficiente da água em épocas de forte correnteza. Ambos são construídos com aduelas compridas e estreitas, formando uma volta perfeita; o seu intradorso é extremamente regular, constituído por silhares bem aparelhados e dispostos horizontalmente.
Em contraste, o aparelho de enchimento irregular é revelador das sucessivas fases de consolidação da estrutura. Recorrendo a fiadas horizontais de blocos genericamente retangulares, apresenta numerosos cotovelos e cortes verticais, caracterizando-se por uma composição pseudo-isódoma.
O tabuleiro dispõem-se em cavalete de dupla rampa, lajeado com grandes blocos, tendo uma largura máxima de 3,2m, ideal para a passagem de carros de tração animal.
História
A construção primitiva da Ponte de São Lázaro tem sido tradicionalmente atribuída à época romana (Pacheco: 1986, p. 170), hipótese que, por ocasião do restauro da estrutura em 1995, veio a ser encarada como muito provável, na medida em que se identificou um silhar almofado, com "recorte romano" e "marca dos ferrei forfex" (www.monumentos.pt).
Apesar desse provável passado romano, a ponte que chegou até à atualidade data da Baixa Idade Média, cronologia confirmada pelas suas características estruturais e pela documentação que a ela se refere. O tabuleiro é o principal elemento de cronologia medieval, e o facto de algumas pedras apresentarem siglas de canteiro confirma a cronologia pelo século XIII, mas muitas outras existem que não possuem qualquer marca, o que indica ter o monumento sido alvo de reconstruções na Idade Moderna.
Por seu turno, as Inquirições de 1258 indicam que, associada à ponte, existia uma gafaria de leprosos (Ribeiro: 1998, p. 139), solução que tem eco em outras estruturas de passagem da Idade Média portuguesa, em particular em meios rurais. Esta informação atesta a existência da ponte em meados do século XIII, assim como confirma a sua importância no contexto regional, a ponto de aqui se ter implantado uma instituição de assistência. Essa gafaria, a seu tempo, transformou-se em Hospital, sendo referido em 1747, altura em que lhe estava anexa uma capela e algumas casas nas imediações.
No ano de 1995, a Câmara de Valongo procedeu a obras de consolidação da estrutura, substituindo-se, então, o lajeado do pavimento, reconstituindo-se as guardas em granito e impermeabilizando-se o tabuleiro, através de uma solução não visível do exterior. No ano seguinte, a autarquia promoveu um arranjo parcial das margens, com a regularização do curso do rio e a definição de uma zona de lazer.
Junto à ponte, a Capela de São Lázaro recorda o passado assistencial do local. A sua configuração data da época moderna, mas conserva dois elementos espaciais reminiscentes de um templo medieval devotado à assistência: o santuário propriamente dito (composto por nave única e sem capela-mor individualizada volumetricamente) e um alpendre suportado por pilares e protegido por muro a todo a volta.
A Ponte de São Lázaro está classificada como de interesse municipal desde 1977.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível