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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Castelo Rodrigo

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Castelo Rodrigo
Outras Designações
Muralhas do Castelo de Castelo Rodrigo / Muralhas do Castelo e Palácio de Cristóvão de Moura / Castelo e cerca urbana de Castelo Rodrigo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
São duas as fases medievais essenciais da história deste castelo: a construção leonesa, de finais do século XII ou inícios do século XIII, e a reforma patrocinada por D. Dinis, na primeira metade do século XIV. As lendárias notícias acerca da fundação do castelo por volta de 500 a. C., pelos Túrdulos, e a posterior instalação de um oppidum romano, permanecem, ainda, no domínio da lenda e os vestígios romanos achados (IPPAR, 2002, p.1) não permitem uma clara caracterização do local antes da Idade Média, duvidando-se da sua proveniência (PERESTRELO, 2003).
Historicamente, sabemos que Afonso IX, de Leão (1188-1230), promoveu a construção de um castelo, que integrava a linha defensiva do Côa, juntamente com Castelo Melhor, Alfaiates, Castelo Bom e Almeida. Dessa fortaleza românica, conservam-se alguns vestígios importantes e de grande interesse para a evolução da arquitectura militar na região. Mário Barroca, que valorizou recentemente estes elementos, referiu a constante opção por torres circulares, por oposição aos contemporâneos e vizinhos castelos portugueses, que recorreram sistematicamente às torres quadrangulares. Paralelamente, edificou-se a mais setentrional das torres albarrãs actualmente em território nacional, hoje já inexistente, mas ainda desenhada por Duarte d'Armas nos inícios do século XVI (BARROCA, 2000, p.223). O castelo deveria estar concluído, ou em fase adiantada de obras, por 1209, altura em que o monarca leonês passou a célebre carta de foro à localidade.
Menos de um século passado, Castelo Rodrigo viu-se no epicentro de uma das mais importantes querelas territoriais do Portugal medieval. Em 1296, D. Dinis conquistou a localidade e confirmou os foros passados por Afonso IX. Um ano depois, a fortaleza passou definitivamente para a coroa portuguesa, pelo Tratado de Alcanices.
A reforma dionisina foi semelhante a tantas outras patrocinadas por este monarca, mas adquire maior relevância por se situar nas terras de Riba Côa, região onde as campanhas arquitectónicas militares de D. Dinis denotam a "clara vontade do monarca de afirmar o seu senhorio sobre castelos recém-incorporados no território nacional" (IDEM, p.223). Uma das materializações mais inequívocas dessa "vontade" foi a construção de um cenográfico e imponente sistema de entrada principal, composto por arco quebrado axial, encimado por balcão de matacães (de que restam apenas os suportes inferiores) e ladeado por duas robustas torres quadrangulares, onde se inscreveram dois brasões reais. Esta tipologia de entrada pode considerar-se tipicamente dionisina e encontra-se, ainda, em alguns castelos reformados por este monarca, com exemplos marcantes em Pinhel ou Trancoso.
Outra marca da reforma gótica foi a construção de uma torre de menagem, quadrangular e adossada "ao muro do castelo pela banda de fora, voltada ao povoado amuralhado" (IDEM, p.224). Ela constituía, também, um poderoso símbolo da nova autoridade que, a par das restantes reformas no núcleo principal do castelo e da edificação de uma cerca que enquadrava o povoado, testemunham aquela vontade de D. Dinis em deixar clara a sua autoridade.
No início do século XVI, reconstruiu-se a torre de menagem e, em 1508, o monarca enviou Mateus Fernandes e Álvaro Pires para avaliar do estado da fortaleza. No final do século, em 1594, Filipe I elevou a localidade a condado, legando o título a Cristóvão de Moura. Este homem, que chegou a ser vice-rei de Portugal, construiu em Castelo Rodrigo o seu palácio e procedeu a outras obras na fortaleza.
Depois de 1640, com a Restauração da Independência, o paço foi arrasado pela população (que o via como uma marca do domínio espanhol, mesmo tendo o seu promotor falecido há quase três décadas), permanecendo em ruínas até à actualidade. Com relevância militar ainda nos séculos XVIII e XIX, o castelo foi parcialmente restaurado na década de 40 do século XX, mas só muito recentemente foi alvo de um programa global de intervenção.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 8 228, DG, I Série, n.º 133, de 4-07-1922 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 181501
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Localização
Guarda / Figueira de Castelo Rodrigo / Castelo Rodrigo
-- -
Castelo Rodrigo -
Polícia:
LATITUDE
40.877307
LONGITUDE
-6.964058
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1188
1188-1230), promoveu a construção de um castelo, que integrava a linha defensiva do Côa, juntamente com Castelo Melho...
1209
1209, altura em que o monarca leonês passou a célebre carta de foro à localidade.Menos de um século passado, Castelo ...
1230
1230), promoveu a construção de um castelo, que integrava a linha defensiva do Côa, juntamente com Castelo Melhor, Al...
1296
1296, D.
1508
1508, o monarca enviou Mateus Fernandes e Álvaro Pires para avaliar do estado da fortaleza.
1594
1594, Filipe I elevou a localidade a condado, legando o título a Cristóvão de Moura. Es
1640
1640, com a Restauração da Independência, o paço foi arrasado pela população (que o via como uma marca do domínio esp...
1922
1922 (ver Decreto) São duas as fases medievais essenciais da história deste castelo: a construção leonesa, de finais ...
2000
2000, p.223).
2002
2002, p.1) não permitem uma clara caracterização do local antes da Idade Média, duvidando-se da sua proveniência (PER...
2003
2003).Historicamente, sabemos que Afonso IX, de Leão (1188-1230), promoveu a construção de um castelo, que integrava ...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Castelo Rodrigo. Reconquista cristã e repovoamento", Beira Alta, vol. 22, pp.305-326 CABRAL, A.. A. Dinis Edição 1963 Viseu
Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses ALMEIDA, João de Edição 1948 Lisboa
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
Castelos da Raia Vol. I: Beira GOMES, Rita Costa Edição 1996 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
"O Tratado de Alcanizes e as Terras da Riba Côa. Uma identidade geográfica, histórica e social à espera de conveniente valorização", Altitude, 2ª sér., ano II, nº3, pp.7-24 RODRIGUES, Adriano Vasco Edição 1981 Guarda
"Aspectos da evolução da arquitectura militar da Beira Interior", Beira Interior - História e Património, pp.215-238 BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Guarda
"Da Reconquista a D. Dinis", Nova História Militar de Portugal, vol. I, pp.21-161 BARROCA, Mário Jorge Edição 2003 Lisboa
Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal GIL, Júlio, CABRITA, Augusto Edição 1986 Lisboa
Castelos da Beira histórica BEÇA, Humberto Edição 1922 Porto
"Os castelos medievais de Riba Côa", O Tratado de Alcanices e a importância histórica das Terras de Riba Côa, pp.247-258 NUNES, António Pires Edição
"O concelho de Figueira de Castelo Rodrigo - II", in Beira Alta, vol. LX, nº 3 e 4 BORGES, Júlio António Edição 2000 Viseu
Figueira de Castelo Rodrigo. Roteiro turístico do concelho, 2ªed. BORGES, Júlio António Edição 1997 Figueira de Castelo Rodrigo
"O concelho de Figueira de Castelo Rodrigo - III", in Beira Alta, vol. LXI, 3-4 BORGES, Júlio António Edição 2002 Viseu
"Riba-Coa e a sua ligação histórica ao reino de Portugal", Scientia Ivridica, t. 30, nº175-178, separata NOGUEIRA, José Artur Anes Duarte Edição 1982 Braga
"Os municípios municipais em Riba Côa dos inícios do século XIII a 1297", O Tratado de Alcanices e a importância histórica das Terras de Riba Côa, pp.197-209 NOGUEIRA, José Artur Anes Duarte Edição 1998 Lisboa
Roteiro ilustrado de Castelo Rodrigo MARTINS, José Canário Edição 1983 Castelo Rodrigo
A linguagem dos foros de Castelo Rodrigo CINTRA, Luís F. Lindley Edição 1959 Lisboa
"Invasão de Trás-os-Montes e das Beiras na guerra dos sete anos pelos exércitos bourbónicos, em 1762, através da correspondência oficial dos comandantes...", Anais da Academia Portuguesa de História, 2ª sér., nº31, pp.379-442 MOURINHO, António Maria Edição 1986 Lisboa
Monografia de Figueira de Castelo Rodrigo SILVA, José Joaquim Edição 1992 Figueira de Castelo Rodrigo
Os castelos da Beira-Interior na defesa de Portugal (séculos XII-XVI) GONÇALVES, Luís Jorge Rodrigues Edição 1995 Lisboa
A romanização na bacia do rio Côa PERESTRELO, Manuel Sabino Edição 2003 Lisboa
"Castelos de Alcanices - fortalezas da restauração", O Tratado de Alcanices e a importância histórica das Terras de Riba Côa, pp.315-330 LOBO, Francisco de Sousa Edição 1998 Lisboa
"Castelo Rodrigo nas Guerras da Restauração", O Tratado de Alcanices e a importância histórica das Terras de Riba Côa, pp.331-354 BARATA, Maria do Rosário Themudo Edição 1998 Lisboa
Castelos em Portugal. Retrato do seu Perfil Arquitectónico CORREIA, Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos Edição 2010 Coimbra
Castelo Rodrigo Edição 2002 Lisboa

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