Nota Histórico-Artistica
Situado a Norte da região do Vale do Sousa, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Felgueiras destaca-se, não apenas pela beleza natural das suas paisagens, como pela centralidade geográfica que assume e que justificou o lançamento, ao tempo do domínio romano, de várias vias que ligavam importantes localidades da Península Ibérica, de entre as quais a que ia de Bracara Augusta (Braga) a Aqua Flaviae (Chaves), passando por Ciada/Caladuno, posteriormente reutilizadas nos tempos medievos, numa comprovação da sua valência.
Embora mais conhecido por edifícios de monumentalidade semelhante ao do Mosteiro de Pombeiro, o termo de Felgueiras possui exemplares arquitectónicos distintivos de várias épocas e estilos, numa evidência da sua relevância ao longo dos tempos e, em especial, durante a construção da nacionalidade, a par de testemunhos de uma vivência anterior, como no caso da "Igreja de Santa Maria de Airães", erguida num adro lajeado a granito, no Lugar do Mosteiro.
Com referências documentais que apontam para a sua existência em finais da primeira centúria do novo milénio, é de 1184 a data hipoteticamente inscrita numa pedra entretanto desaparecida do púlpito, embora referida nas primeiras décadas de setecentos por Francisco Xavier da Serra Craesbeeck (1673-1736), descendente de Peeter van Craesbeeck (1572-1632), tipógrafo que se instalou em Lisboa refugiado das lutas religiosas que assolavam a Antuérpia.
Remodelado entre os séculos XIII e XIV, o templo foi, então, dotado de elementos arquitectónicos e gramática decorativa filiados no gótico, remontando a esta mesma campanha de obras o alargamento do seu interior que passaria de uma a três naves, até que o movimento barroco acrescentou à capela-mor o revestimento com painéis azulejares (ainda que de padrão seiscentista policromos a azul e amarelo,) que podemos observar nos nossos dias, assim como o altar central e sacrário de talha dourada e profusamente decorados com motivos fitomórficos, para além dos próprios retábulos colaterais, executados em talha policroma, com copiosa decoração composta dos mesmos elementos fitomórficos, a par de concheados ("Airães", 1976, p. 58).
Dedicada a Santa Maria e preservando ainda inúmeros elementos do seu ciclo primitivo de construção, a igreja, de planta longitudinal, exibe, lateralmente, sacristia e torre sineira (de acesso exterior), penetrando-se no seu interior através de portal principal de quatro arquivoltas perfeitas apoiadas em impostas assentes em colunas de fuste liso, mas de capitéis e bases lavradas com motivos vegetalistas e círculos enlaçados.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Lugar do Mosteiro