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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela de Santo Amaro

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela de Santo Amaro
Outras Designações
Igreja de Santo Amaro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Implantada numa colina sobranceira ao Rio Tejo, perto do vale de Alcântara, a Capela de Santo Amaro foi edificada em 1549, conforme indica a inscrição colocada sobre a porta principal do templo. O projecto desta ermida de planta centralizada, única na cidade de Lisboa, é atribuído a Diogo de Torralva (MARKL, PEREIRA, 1986; MOREIRA, 1995; SERRÃO, 2002), um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto do Maneirismo, nomeadamente as vias da tratadística italiana da época.
Templo de peregrinação, a fundação da capela dedicada ao santo milagreiro está envolta em lendas, não se sabendo ao certo se a sua instituição se deve a um grupo de marinheiros galegos ou a uma confraria instituída no local em 1532 por freires da Ordem de Cristo, com autorização régia de D. João III (CORTEZ, 1994, p. 856).
Na verdade, a Capela de Santo Amaro destaca-se pela singular, e erudita, estrutura centralizada, composta por "(...) dois cilindros secantes de inspiração serliana, a que se agrega uma original galilé de planta semicircular (...)" (CORREIA, 1991). Espaço ímpar no panorama arquitectónico português, este templo terá sido inspirado numa gravura do tratadista Sebastiano Serlio, que representa o mausoléu dos Crescenzi, na Via Appia, em Roma (MOREIRA, 1995, p. 352).
A par com a capelinha de Bom Jesus de Valverde, em Évora, e a capela do Paço de Salvaterra de Magos, é um dos poucos espaços religiosos quinhentistas a explorar a planta centralizada, que voltará ao panorama arquitectónico português apenas na segunda metade da centúria seguinte.
O núcleo da estrutura é o espaço circular do oratório, envolvido em metade da sua área pela galilé semicircular, que compõe a fachada, à qual corresponde, do lado oposto, a pequena capela-mor, também cilíndrica.
Aberta por uma arcada de cinco vãos, dois dos quais são cegos, a galilé é coberta por abóbada de nervuras abatida, com fechos decorados com símbolos alusivos ao santo padroeiro, cruzes de Cristo, florões e estrelas. Os três arcos principais foram fechados, no século XVIII, com portões de ferro forjado.
As paredes deste espaço estão totalmente revestidas por azulejos polícromos tardo-maneiristas, organizados em dois registos, cujas figurações centrais, alusivas a Santo Amaro, são envoltas por ferroneries, putti, motivos de grutesco e pendurados. Nos vãos cegos da arcada foram erigidos dois altares de estrutura maneirista, em trompe l'oeil, executados em azulejo policromo.
O acesso ao interior é feito através de três portas, abertas na galilé, estando gravada sobre a porta principal uma inscrição alusiva à data de fundação da capela. A nave circular é coberta por cúpula semi-esférica com lanternim, possuindo coro-alto, ao qual se acede pelo terraço. Um arco de volta perfeita, sem qualquer decoração, abre para a capela-mor, também coberta por cúpula semi-esférica, que ao centro alberga retábulo de talha azul e dourada em estilo nacional. Contígua à capela-mor foi construída a sacristia.
Celebrada a 15 de Janeiro, a romaria de Santo Amaro era uma das mais concorridas da cidade, tendo sido realizada pela última vez em 1911. Com o advento da República, a ermida foi abandonada e saqueada, chegando a servir de carvoaria. Em 1927 foi entregue à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR,I.P./ Setembro de 2007
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 39/96, DR, I Série-B, n.º 37, de 13-02-1996 (sem restrições) (ZEP conjunta da Capela de Santo Amaro, da Casa Nobre de Lázaro Leitão Aranha, do Palácio Burnay e da Sala designada «Salão Pompeia» no antigo Palácio da Ega) (ver Portaria)
Edital N.º 64/95 de 26-05-1995 da CM de Lisboa
Despacho de homologação de 10-10-1991 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 1-10-1991 do presidente do IPPC
Parecer favorável de 26-09-1991 do Conselho Consultivo do IPPC
Nova proposta de 18-09-1991 do IPPC
Despacho de homologação de 15-05-1981 do Secretário de Estado da Cultura
Novo parecer de 8-05-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC
Despacho de homologação de 8-04-1981 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 31-03-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC a propor a fixação de uma ZEP conjunta com outros imóveis
Afectação 9913929
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Lisboa / Alcântara
Rua Gil Vicente
Lisboa -
Polícia:
Calçada de Santo Amaro
Lisboa -
Polícia:
LATITUDE
38.702107
LONGITUDE
-9.182674
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1532
1532 por freires da Ordem de Cristo, com autorização régia de D. Jo
1549
1549, conforme indica a inscrição colocada sobre a porta principal do templo. O
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Implantada numa colina sobranceira ao Rio Tejo, perto do vale de Alcân...
1911
1911.
1927
1927 foi entregue à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.Catar...
1986
1986; MOREIRA, 1995; SERRÃO, 2002), um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entend...
1991
1991).
1994
1994, p.
1995
1995; SERRÃO, 2002), um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto...
2002
2002), um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto do Maneirismo...
2007
2007
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IMAGENS
9
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
História da Arte em Portugal - o Renascimento e o Maneirismo SERRÃO, Vítor Edição 2002 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Renascimento, vol. 6 MARKL, Dagoberto, PEREIRA, Fernando António Baptista Edição 1986 Lisboa
Arquitectura Portuguesa - Renascimento, Maneirismo, «Estilo Chão» CORREIA, José Eduardo Horta Edição 1991 Lisboa
A Arquitectura Portuguesa Chã - Entre as Especiarias e os Diamantes 1521-1706 KUBLER, George Edição 1988 Lisboa
Azulejaria Portuguesa MECO, José Edição 1986 Lisboa
"Arquitectura: renascimento e classicismo", História da Arte Portuguesa, vol. II, 1995, pp. 303-375 MOREIRA, Rafael Edição 1995 Lisboa
A Arquitectura "ao Romano" CRAVEIRO, Maria de Lurdes Edição 2009 Vila Nova de Gaia
A Ermida de Santo Amaro MOITA, Luís Edição 1938 Lisboa
"Santo Amaro (Ermida de), Dicionário da História de Lisboa CORTEZ, Maria do Carmo Edição 1994 Lisboa

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