A carregar dados...

Logótipo MCJD PCI
Logótipo MCJD PCI

Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santa Clara, compreendendo os túmulos, designadamente os dos fundadores D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Santa Clara, compreendendo os túmulos, designadamente os dos fundadores D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins
Outras Designações
Convento de Santa Clara / Mosteiro de Santa Clara / Igreja do Convento de Santa Clara (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Aqueduto de Vila do Conde / Aqueduto de Santa Clara (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Mandado edificar em 1318 por D. Afonso Sanches (filho bastardo de D. Dinis) e sua mulher, D. Teresa de Menezes, o Convento de Santa Clara é um templo fundamental do Gótico português a Norte do Douro, não obstante as numerosas alterações a que foi sujeito ao longo dos séculos. O conjunto monumental domina o centro histórico da vila - edificando-se no local onde se pensa ter existido o castelo dos Condes de Cantanhede, senhores do burgo (MIRANDA, 1998, p.24) -, com a igreja a ser secundarizada pelo majestoso corpo sul neoclássico, construído em 1777 pelo arquitecto Henrique Ventura Lobo, um dos mais importantes nomes do chamado ciclo neoclássico portuense.
Logo em 1319 os fundadores doaram o espaço às clarissas, tendo sido este braço feminino dos franciscanos o responsável pela construção do complexo, um processo que conferiu à igreja a configuração que ainda mantém e que significou um exemplo pioneiro de implantação mendicante na região, a par das conturbadas histórias de São Francisco do Porto e de São Domingos de Guimarães. A austeridade e monumentalidade exteriores lembram, em parte, os primeiros exemplos de arquitectura mendicante clarissa do país, especialmente a fachada ocidental, onde o único elemento é a rosácea radiante, inscrita num enorme muro compacto, delimitado por dois contrafortes. A organização interna, no entanto, difere substancialmente. Enquanto que, por exemplo, no Convento de Santa Clara de Santarém a construção clarissa marca o triunfo do discurso mendicante numa cidade fortemente urbanizada, explicando-se por isso o longuíssimo corpo de três naves, a de Vila do Conde apresenta somente uma nave, de tal forma pequena que a construção do coro ocidental (verificada na época moderna) provoca uma sensação de planta em cruz grega interna.
A cabeceira e a sua implantação num terreno irregular é outro aspecto interessante da igreja. Exteriormente, apresenta-se como uma fortaleza, com as janelas muito altas e a estrutura coroada por ameias, sugestão reforçada pela existência de poderosos contrafortes, que ajudam a vencer o desnível do terreno. Interiormente, porém, a rigidez formal é assumida de forma proporcional, com os absidíolos bastante mais baixos que a capela-mor.
A marcha das obras góticas do Convento revelou-se bastante demorada, não estando o conjunto terminado em 1354, altura em que D. Afonso Sanches pede ao seu filho, por testamento, que as conclua. Deste último período é o que resta da Sala do Capítulo, organizada de forma tripartida, como era usual, com porta axial ladeada por duas janelas (aqui tratadas de forma idêntica, com finos colunelos e pequenos capitéis vegetalistas que provam a sua tardia cronologia) e alçado coroado de ameias.
Muitas foram as alterações que se efectuaram no conjunto ao longo dos séculos seguintes. A mais importante verificou-se nos primeiros anos do século XVI, sob o impulso das abadesas D. Isabel de Castro e D. Catarina de Lima. A elas se deve a construção da capela dos fundadores, aberta por arco apontado de moldura inferior cairelada, e coberta por abóbada polinervada estrelada. No seu interior, as abadessas mandaram colocar os túmulos dos fundadores, refeitos para o efeito, de acordo com a estética do tempo manuelino. Dotados de jacentes ainda plenamente medievais, com D. Afonso a segurar a espada e com um leão aos pés e D.Teresa vestindo o hábito de clarissa, são das mais impressionantes obras de tumulária manuelina, saídas da oficina de Diogo Pires-o-Moço.
Outros enterramentos existem neste convento, que evidenciam a deliberada procura de alguns poderosos nomes da sociedade baixo-medieval por instituições mendicantes. De c.1415 é o túmulo de D. Brites, decorado com motivos heráldicos, e da década de 40 de Quatrocentos é o moimento duplo dos Condes de Cantanhede, D. Fernando de Meneses e sua mulher, D. Brites de Andrade, obra claramente filiada no modelo inaugurado por D. João I e D. Filipa de Lencastre na Batalha (GOULÃO, 1995, vol. II, p.172).
PAF
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 65/2014, DR, 2.ª série, n.º 54, de 18-03-2014 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 31-01-2014 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 5-11-2013 da DRC do Norte para ampliação da classificação, de forma a abranger o claustro e as dependências, e alteração da designação para "Convento de Santa Clara"
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 11-06-1960, publicada no DG, II Série, n.º 145, de 23-06-1960 (com ZNA)
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Vila do Conde / Vila do Conde
Largo do Monte
Vila do Conde -
Polícia:
LATITUDE
41.353006
LONGITUDE
-8.739209
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1318
1318 por D.
1319
1319 os fundadores doaram o espaço às clarissas, tendo sido este braço feminino dos franciscanos o responsável pela c...
1354
1354, altura em que D.
1415
1415 é o túmulo de D. B
1777
1777 pelo arquitecto Henrique Ventura Lobo, um dos mais importantes nomes do chamado ciclo neoclássico portuense.Logo...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Mandado edificar em 1318 por D.
1995
1995, vol.
1998
1998, p.24) -, com a igreja a ser secundarizada pelo majestoso corpo sul neoclássico, construído em 1777 pelo arquite...
2013
2013 da DRC do Norte para ampliação da classificação, de forma a abranger o claustro e as dependências, e alteração d...
2014
2014, DR, 2.ª série, n.º 54, de 18-03-2014 (ver Anúncio) Despacho de abertura de 31-01-2014 da diretora-geral da DGPC...
17
IMAGENS
26
BIBLIOGRAFIAS
PCIP Logo
Acesso Móvel
QR Code

Aponte a câmara do telemóvel para aceder a esta ficha no imediato.

Partilhar Património

Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Uma série de painéis do mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde", Vila do Conde, nº5, separata GONÇALVES, Flávio Edição 1964 Vila do Conde
"Duas pinturas seiscentistas do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde", O Comércio do Porto, 23/6 GONÇALVES, Flávio Edição 1964 Porto
A talha no concelho de Vila do Conde. Catálogo de Exposição GONÇALVES, Flávio Edição 1978 Vila do Conde
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. IV (O Gótico) DIAS, Pedro Edição 1986 Lisboa
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
"A Arquitectura (1250-1450)", História da Arte Portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433 PEREIRA, Paulo Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
Três túmulos CORREIA, Vergílio Edição 1924 Lisboa
"Santa Clara de Vila do Conde", Diário de Coimbra, 20/2 CORREIA, Vergílio Edição 1939 Coimbra
"Artes e artistas em Vila do Conde", Museu, 2ª sér., nº4, separata FREITAS, Eugénio de Andrea da Cunha e Edição 1962 Porto
"O saque de um convento", O Primeiro de Janeiro, 21/2 PEIXOTO, Rocha Edição 1903 Porto
"O claustro da Sé de Lisboa: uma arquitectura «cheia de imperfeições»?", Murphy, nº1, pp.18-69 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2006 Coimbra
As Cidades e as Vilas da Monarquia Portuguesa que têm brasão de armas BARBOSA, Inácio de Vilhena Edição 1860 Lisboa
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
A Arquitectura Gótica em Portugal CHICÓ, Mário Tavares Edição 1981 Lisboa
História da Arte em Portugal LACERDA, Aarão de Edição 1942 Porto
O Minho Pittoresco VIEIRA, José Augusto Edição 1887 Lisboa
"Os túmulos dos fundadores do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde", Arte, ano V MONTEIRO, Manuel Edição 1909 Porto
Os tumulos do Mosteiro de Santa Clara de Villa do Conde : estudo histórico, seguido do catalogo das abbadessas do referido Mosteiro, no qual estão representadas as principaes "Casas Nobres" do Entre Douro e Minho FERREIRA, José Augusto Edição 1925 Porto
"Duas peças provenientes do convento de Santa Clara de Vila do Conde", Museu, 2ª sér., nº1 LOPES, Carlos da Silva Edição 1960 Porto
Vila do Conde e o seu Alfoz - Origens e Monumentos FERREIRA, Augusto Edição 1923 Porto
Vila do Conde NEVES, Joaquim Pacheco Edição 1991 Vila do Conde
O mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde (pequena crónica dum grande mosteiro) NEVES, Joaquim Pacheco Edição 1982 Vila do Conde
Vila do Conde MIRANDA, Marta Edição 1998 Lisboa

Galeria de Imagens

Visualização Geográfica

Imóveis nas Proximidades

Exploração Geográfica
Casa de Submosteiro
Casa de Submosteiro

Vila do Conde

Ver Ficha
Igreja Matriz de Vila do Conde
Igreja Matriz de Vila do Conde

Vila do Conde

Ver Ficha
Centro Histórico de Vila do Conde
Centro Histórico de Vila do Conde

Vila do Conde

Ver Ficha
Aqueduto de Vila do Conde
Aqueduto de Vila do Conde

Vila do Conde

Ver Ficha