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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Ponte sobre o Lima

Arquitectura Civil / Ponte

Designação
Designação Atual
Ponte sobre o Lima
Outras Designações
Ponte sobre o Rio Lima (Ponte de Lima) / Ponte de Ponte de Lima (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Ponte
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A ponte sobre o rio Lima é o elemento estruturante da vila, e o que lhe conferiu a sua própria denominação. "Espinha dorsal da rede viária do Entre-Douro-e-Minho" (ANDRADE, 1990, p.14), durante largos séculos foi a única passagem pedestre sobre o Lima, fazendo com que, inevitavelmente, os homens e os caminhos aqui confluíssem.
A sua origem é romana, embora desse período pouco mais reste que dois arcos, muito transfigurados, junto à margem direita. Nessa altura, instituiu-se como ponto fundamental numa ampla rede viária que se alargava a todo o Noroeste peninsular, cuja importância, na Idade Média, foi decisiva, ligando Braga a Compostela, passando por Tui e prolongando-se, no sentido oposto, até ao Porto. O que se conserva da obra romana revela uma estrutura de grande qualidade, assente sobre arcos de volta perfeita compostos por silhares de talhe regular (alguns almofadados), e pavimento horizontal de seis metros de largura protegido por guardas. Uma parte significativa desta parcela encontra-se soterrada na margem direita, sendo esta uma zona onde melhor se podem compreender as sucessivas reconstruções realizadas ao longo dos séculos, que lhe conferem uma feição muito pouco homogénea.
Diferente é a parcela actualmente sobre o leito do Lima, caracterizada por uma racional homogeneidade e uma sucessão sistemática de elementos construtivos. Na segunda metade do século XIV, realizou-se uma obra praticamente de raiz. A causa imediata desta opção parece estar nas transformações ocorridas no leito do Lima, em consequência dos arroteamentos: "frente a Ponte de Lima, o rio desviara-se um pouco para sul e a velha ponte romana, certamente destruída em grande parte, deixara de transpor o rio" (ALMEIDA, 1987, p.100).
Não se sabe ainda, ao certo, qual a cronologia exacta da obra. Vários autores relacionaram-na com a inscrição de 1359, que alude ao início da construção da cerca, patrocinada por D. Pedro. No entanto, não está provado que a ponte fizesse parte dessa empreitada (BARROCA, 2000, p.1731) e o facto de a inscrição ter sido colocada na Torre Velha (a torre que defendia a ponte) faz crer que, quer esta estrutura militar, quer a própria ponte, sejam anteriores.
A nova estrutura representou um salto qualitativo na actividade pontística do país e a sua monumentalidade não tem paralelo no Portugal medieval até então. Compõe-se de dezoito arcos apontados - os três primeiros do lado Sul estão soterrados sob a actual Praça Camões, recentemente intervencionada arqueologicamente (ALMEIDA, 2000) -, e possui pegões reforçados por talhamares, sobre os quais se abrem olhais de perfil quebrado, fundamentais para conferir menor peso à estrutura e permitir um melhor escoamento em altura de cheias. Superiormente, o tabuleiro manteve a horizontalidade inicial, aqui com uma ligeira zona rampante a Norte.
Os estudos mais recentes têm sido unânimes em considerar este um modelo de importação, já ensaiado em outras zonas da Península Ibérica e, muito particularmente, ao longo do Caminho de Santiago. Com efeito, são notórias semelhanças com as pontes de Puente la Reina e de Zamora (ALMEIDA, 1987, p.101), significando a adopção de um modelo de sucesso que viria a triunfar, também, no nosso país, a ponto de ser posteriormente aplicado às pontes de Ponte da Barca e de Vilar de Mouros.
A edificação da ponte aconteceu num momento em que Ponte de Lima se cercava de muralhas. Elas foram levantadas a partir de 1359 e estariam concluídas por 1370. Neste contexto, ela foi um elemento mais do sistema defensivo, nela se construindo duas torres, localizadas nos extremos do circuito. No lado Sul, a Torre da Ponte ligava à restante cerca; no lado Norte, existia a Torre Velha, estrutura maciça quadrangular, fotografada ainda em 1858, e de que restam os alicerces. No reinado de D. Manuel, a importância militar da ponte mantinha-se e o monarca ordenou a colocação de ameias ao longo das guardas, facto que reforçou a sua feição fortificada.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 721/77, DR, I Série, n.º 269, de 21-11-1977 (com ZNA) (ver Portaria)
Afectação 9914629
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Ponte de Lima / Arca e Ponte de Lima
-- -
Ponte de Lima -
Polícia:
LATITUDE
41.769147
LONGITUDE
-8.586326
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1359
1359, que alude ao início da construção da cerca, patrocinada por D. Pe
1370
1370.
1731
1731) e o facto de a inscrição ter sido colocada na Torre Velha (a torre que defendia a ponte) faz crer que, quer est...
1858
1858, e de que restam os alicerces.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) A ponte sobre o rio Lima é o elemento estruturante da vila, e o que lh...
1987
1987, p.100).Não se sabe ainda, ao certo, qual a cronologia exacta da obra.
1990
1990, p.14), durante largos séculos foi a única passagem pedestre sobre o Lima, fazendo com que, inevitavelmente, os ...
2000
2000, p.1731) e o facto de a inscrição ter sido colocada na Torre Velha (a torre que defendia a ponte) faz crer que, ...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Arqueologia no Largo Camões", Boletim Municipal de Ponte de Lima, ano IV, nº11 ALMEIDA, Carlos Alberto Brochado de Edição 2000 Ponte de Lima
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
"Ponte de Lima na Alta Idade Média", Arquivo do Alto Minho, vol. 9 FERNANDES, A. de Almeida Edição 1960 Viana do Castelo
Pontes romanas de Portugal PINTO, Paulo Mendes Edição 1999 Lisboa
Roteiro da Ribeira Lima AURORA, Conde de Edição 1959 Porto
Monografia do concelho de Ponte de Lima AURORA, Conde de Edição 1946 Porto
O Minho Pittoresco VIEIRA, José Augusto Edição 1887 Lisboa
Caminhos velhos e Pontes de Viana e Ponte de Lima ARAÚJO, José Rosa de Edição 1962 Viana do Castelo
Itinerários de Ponte de Lima REIS, António Matos Edição 1973 Ponte de Lima
A romanização do concelho de Ponte de Lima REIS, António Matos Edição 1978 Ponte de Lima
Pontes Antigas Classificadas RIBEIRO, Aníbal Soares Edição 1998 Lisboa
"O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção", Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80 ALVES, Lourenço Edição 1987 Caminha
"A ponte romana de Ponte de Lima", Studium Generale, nº9 MACHADO, Alberto de Sousa Edição 1962 Porto
Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima) Edição 1974 Porto
Um espaço urbano medieval: Ponte de Lima Obra

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