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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Fornos da Fábrica de Louça de Massarelos

Arquitectura Civil / Forno

Designação
Designação Atual
Fornos da Fábrica de Louça de Massarelos
Outras Designações
Fábrica de Massarelos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Forno
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Terá sido com a instalação da fábrica de Massarelos - a única com título de "Real", na cidade do Porto -, no terceiro quartel do século XVIII, que se deu início ao verdadeiro movimento industrial cerâmico portuense.

Representando a mais antiga fábrica de faiança do Porto, a "Fábrica de Louça de Massarelos" foi fundada em 1766 pelo vimarenense Manuel Duarte Silva, que a dirigiu até 1786, data do seu falecimento, após o que passou a ser gerida pelo genro, Domingos Ferreira da Silva Guimarães e por outros descendentes directos, numa sucessão de heranças e arrendamentos, estes últimos a partir do final da segunda década de oitocentos.

Em 1886, procedeu-se a uma série de remodelações no prédio fabril, edificando-se a fachada voltada para o rio. E, depois de encerrada, entre 1895 e 1900, a fábrica foi arrendada a William MacLaren, antigo mestre da Fábrica de Sacavém, que, juntamente com outras individualidades, constituiu a sociedade "MacLaren Wall & Comandita", com a qual Massarelos prosperou, produzindo loiça de faiança tipo inglês, geralmente estampilhada. E, em 1904, surgiu com a designação de "Empreza Cerâmica Portuense, Limitada", até que, em 1920, foi destruída por um grande incêndio. Mas como a nona condição do contrato firmado em 1914 estabelecera que num caso similar, a fábrica não seria reconstruída, cabendo apenas aos arrendatários a obrigatoriedade de comprar o terreno e o remanescente das estruturas existentes, as ruínas estruturais e os terrenos anexos foram adquiridos pela firma "Chambers & Wall", que continuou a aplicar a sua reconhecida marca "Massarelos-Porto" na louça manufacturada na fábrica de Roriz, em Quebrantões, perto da ponte D. Maria Pia, uma vez que a de Massarelos nunca seria reedificada.

Para além de louça de uso doméstico, sairiam desta unidade fabril peças decorativas, vidradas, e não vidradas, como pratos ornamentais e comemorativos. E uma vez que a sua produção foi explorada por vários proprietários e industriais, que utilizaram diferentes tipos de pintura executados com várias cores, o fabrico da louça de Massarelos poderá ser dividido em cinco grandes períodos, o primeiro dos quais ocorrido entre 1766 e 1819, quando a carqueja era o combustível empregue nos fornos. Ainda nesta fase, privilegiaram-se os azuis, os verdes, os amarelos e a cor de vinho na decoração das peças, enquanto no período compreendido entre 1819 e 1845, a pasta utilizada na feitura das faianças era mais fina, com decoração policroma ou monocromática, de cor azul e de vinho, bem como as cores e esmaltes usados na fábrica de Miragaia.

Entre 1845 e 1873, o terceiro período caracterizou-se pelo emprego de esmalte plumbífero, pintura monocromática azul e decoração estampilhada, enquanto se aplicava o barro vermelho de Valbom de Baixo, em Gondomar.

Mediado entre 1873 e 1895, o quatro período pautou-se por um esforço de maior produção industrial - então a funcionar com apenas um forno -, produzindo-se azulejos lisos e relevados (em cuja decoração se introduziu a técnica do "transfer-prints"), além de louça sanitária e várias peças artísticas, cujos esforços foram coroados em 1882, com a obtenção, ex aequeo, de um prémio, na modalidade "azulejo", na Exposição de Cerâmica realizada no Porto, enquanto, em 1888, as torres e a frontaria da Igreja de Lordelo do Ouro eram forradas com cerca de treze mil dos seus azulejos.

Quanto ao último período - o quinto -, decorrido desde 1900 e 1920, ele evidenciou-se pela produção de faiança tipo inglês, através da aplicação de decalques. Finalmente, em 1984, a fábrica foi expropriada e destruída parcialmente para construção da Ponte de São João, enquanto a envolvente dos dois únicos fornos subsistentes foi melhorada na década subsequente, permitindo visualizar melhor estes exemplares executados em tijolo, que se prolongam por uma superfície cónica rematada por alguns frisos salientes, numa forma conhecida em Inglaterra por "Bottle-Ovens".

[AMartins]
Diploma de Classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma) , alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 1-10-1984
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Procedimento caducado - sem protecção legal
Não aplicável

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Porto / Bonfim
Avenida Paiva Couceiro
Porto -
Polícia:
LATITUDE
LONGITUDE
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1766
1766 pelo vimarenense Manuel Duarte Silva, que a dirigiu até 1786, data do seu falecimento, após o que passou a ser g...
1786
1786, data do seu falecimento, após o que passou a ser gerida pelo genro, Domingos Ferreira da Silva Guimarães e por ...
1819
1819, quando a carqueja era o combustível empregue nos fornos.
1845
1845, a pasta utilizada na feitura das faianças era mais fina, com decoração policroma ou monocromática, de cor azul ...
1873
1873, o terceiro período caracterizou-se pelo emprego de esmalte plumbífero, pintura monocromática azul e decoração e...
1882
1882, com a obtenção, ex aequeo, de um prémio, na modalidade "azulejo", na Exposição de Cerâmica realizada no Porto, ...
1886
1886, procedeu-se a uma série de remodelações no prédio fabril, edificando-se a fachada voltada para o rio. E,
1888
1888, as torres e a frontaria da Igreja de Lordelo do Ouro eram forradas com cerca de treze mil dos seus azulejos.
1895
1895 e 1900, a fábrica foi arrendada a William MacLaren, antigo mestre da Fábrica de Sacavém, que, juntamente com out...
1900
1900, a fábrica foi arrendada a William MacLaren, antigo mestre da Fábrica de Sacavém, que, juntamente com outras ind...
1904
1904, surgiu com a designação de "Empreza Cerâmica Portuense, Limitada", até que, em 1920, foi destruída por um grand...
1914
1914 estabelecera que num caso similar, a fábrica não seria reconstruída, cabendo apenas aos arrendatários a obrigato...
1920
1920, foi destruída por um grande incêndio. M
1984
1984 Terá sido com a instalação da fábrica de Massarelos - a única com título de "Real", na cidade do Porto -, no ter...
2009
2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma) , alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º...
2010
2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)Despacho de abertura de 1-10-1984 Terá sido com a instalaçã...
2011
2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma) Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2....
2012
2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º ...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"As fábricas portuenses e a produção de azulejos de fachada (Sécs. XIX - XX)", Azulejos no Porto CORDEIRO, José Manuel Edição 1996 Porto
Faiança Portuguesa. Sécs. XVIII e XIX SANDÃO, Arthur de Edição 1976 Barcelos
Cerâmica artística portuense dos séculos XVIII e XIX VALENTE, Vasco Edição Porto

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