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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Quinta do Molha Pão

Arquitectura Civil / Quinta

Designação
Designação Atual
Quinta do Molha Pão
Outras Designações
Casa da Quinta do Molha Pão (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Quinta
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A longa reconstrução da casa da Quinta do Molha Pão, que decorreu entre o último quartel do século XVII e o primeiro da centúria seguinte, encontra-se bem patente nas características do imóvel, cuja arquitectura segue um modelo maneirista de grande depuração, mas animada por uma decoração barroca, que tira partido dos revestimentos azulejares para criar um ambiente de grande aparato.
As primeiras referências conhecidas datam de 1633, mais precisamente, de 19 de Novembro, e encontram-se num documento pelo qual Antão Gonçalves se comprometia a pagar o foro relativo à Quinta a António Correia, senhor da casa e vila de Belas (STOOP, p. 198). Seria preciso esperar até 1682 para que toda a propriedade se tornasse posse da família Barberino, na qual ainda hoje se mantém. Bartolomeu Quifel Barberino era natural de Itália, e foi conselheiro dos reis D. Pedro II e D. João V. A crer na lápide que se encontra sobre a entrada, aí mandada colocar pela sua bisneta em 1952 (no mesmo ano em que adquiriu a Quinta), o primeiro Barberino instituiu-a como morgado. Naturalmente, já existiam edifícios de habitação e outros anexos no local, mas não deveriam satisfazer o conselheiro do rei, que os mandou reformular. Não sabemos quando ficaram concluídas as obras, mas é possível que à data da sua morte, em 1719, boa parte da decoração do interior estivesse já terminadas.
O novo edifício pauta-se pela linearidade e depuração que caracterizou a arquitectura civil do século XVII: marcada por sucessivos problemas políticos com reflexos a diferentes níveis, a construção senhorial nesta centúria foi em número reduzido, pautando-se por um certo conservadorismo e simplicidade, de que a Casa da Quinta do Molha-Pão é um bom exemplo (AZEVEDO, 1969). Se em determinados casos se optou pela novidade da planta em U, nesta casa de Belas o desenvolvimento planimétrico privilegiou a forma rectangular, de volumes simples e com a capela no seguimento da habitação, cuja fachada é, também, um prolongamento do frontispício da casa. Este, pauta-se por um ritmo regular na abertura dos vãos, apresentando, ao centro, uma escadaria de dois lanços convergentes, que permitem o acesso ao andar nobre. Nesta medida, o alçado mais interessante é o posterior, com duas loggia de linguagem clássica, de arcaria tripla, nas extremidades do alçado. O seu interior é revestido por azulejos que ilustram cenas galantes, mas são de época mais avançada, pois o seu desenho é mais próximo do ciclo da grande produção joanina.
Contemporâneos do impulsionador da primeira campanha decorativa são os painéis de azulejo que revestem as salas, representando cenas pastoris, caçadas, episódios galantes, jardins com imponentes fontes, ou cenas mitológicas, como as Metamorfoses de Ovídio, e cuja execução tem vindo a ser atribuída a um pintor identificado pelas iniciais P.M.P., activo na segunda e terceira décadas do século XVIII. Na loggia, no salão e no quarto do Conde de Anadia (proprietário do imóvel no século XIX), os azulejos são, como já referimos, de época mais avançada. Em todos os compartimentos é visível, no entanto, a preocupação em adaptar os temas representados á funcionalidade de cada espaço, o que denuncia um programa único, possivelmente encomendado por Bartolomeu Quifel Barberino, mas apenas concluído depois da sua morte (STOOP, p. 201).
Uma última referência para a capela, cujos azulejos integram este espaço apenas desde 1899, data em que o palácio Galvão Mexia, em Lisboa, foi demolido, e o então proprietário da Quinta do Molha-Pão os adquiriu e aplicou na capela de sua casa. São exemplares holandeses, representando a vida de Cristo, que datam de 1707, e foram executados por Willem van der Kloet. Para além deste conjunto de seis painéis, ganha especial importância no interior da capela o tecto pintado com motivos de folhas de acanto, e o retábulo, em trompe l'oeil a imitar talha, exibindo, ao centro, uma pintura do orago da capela, Nossa Senhora do Rosário.
(RC)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-DE/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 22-10-2012 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 13105/2011, DR, 2.ª série, n.º 181, de 20-09-2011 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 28-03-2007 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 19-03-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Nova proposta de 29-12-2006 da DR de Lisboa do IPPAR
Proposta de 29-03-1999 da DR de Lisboa do IPPAR para a alteração da delimitação e da designação
Edital N.º 177 de 23-04-1997 da CM de Sintra
Proposta de 8-04-1997 do proprietário para redução dos limites do conjunto a classificar
Despacho de classificação de 31-05-1996 do Ministro da Cultura
Parecer de 7-05-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Propostade 20-09-1993 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Proposta de classificação de 3-09-1993 da DGEMN
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 740-DE/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (sem restrições) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 22-10-2012 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 13105/2011, DR, 2.ª série, n.º 181, de 20-09-2011 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 28-03-2007 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 19-03-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 29-12-2006 da DR de Lisboa
Afectação 9914630
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Sintra / Queluz e Belas
Estrada da Carregueira
Belas -
Polícia:
LATITUDE
38.795582
LONGITUDE
-9.299113
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1633
1633, mais precisamente, de 19 de Novembro, e encontram-se num documento pelo qual Antão Gonçalves se comprometia a p...
1682
1682 para que toda a propriedade se tornasse posse da família Barberino, na qual ainda hoje se mantém. B
1707
1707, e foram executados por Willem van der Kloet.
1719
1719, boa parte da decoração do interior estivesse já terminadas.O novo edifício pauta-se pela linearidade e depuraçã...
1899
1899, data em que o palácio Galvão Mexia, em Lisboa, foi demolido, e o então proprietário da Quinta do Molha-Pão os a...
1952
1952 (no mesmo ano em que adquiriu a Quinta), o primeiro Barberino instituiu-a como morgado.
1969
1969).
1993
1993 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação Proposta de classificação de ...
1996
1996 do Ministro da Cultura Parecer de 7-05-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP Pr...
1997
1997 da CM de Sintra Proposta de 8-04-1997 do proprietário para redução dos limites do conjunto a classificar Despach...
1999
1999 da DR de Lisboa do IPPAR para a alteração da delimitação e da designação Edital N.º 177 de 23-04-1997 da CM de S...
2006
2006 da DR de Lisboa do IPPAR Proposta de 29-03-1999 da DR de Lisboa do IPPAR para a alteração da delimitação e da de...
2007
2007 do presidente do IPPAR Parecer favorável de 19-03-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
2011
2011, DR, 2.ª série, n.º 181, de 20-09-2011 (ver Anúncio)Despacho de concordância de 28-03-2007 do presidente do IPPA...
2012
2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria) Relatório final do procedimento aprovado por ...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Quintas e palácios nos arredores de Lisboa STOOP, Anne de Edição 1986 Lisboa
Azulejaria em Portugal no século XVIII SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1979 Lisboa
"Mais azulejos holandeses em Portugal", Belas Artes - Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas Artes, n.º 13-14, pp. 53-61. SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1959 Lisboa
Solares Portugueses AZEVEDO, Carlos de Edição 1988 Lisboa
Os azulejos de Willem van der Kloet em Portugal (catálogo da exposição) AA.VV. Edição 1994 Lisboa

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