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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castro da Fórnea

Arqueologia / Castro

Designação
Designação Atual
Castro da Fórnea
Outras Designações
Tipologia
Castro
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O território correspondente ao actual município de Torres Vedras tem-se destacado pelo número expressivo de vestígios arqueológicos datáveis da mais alta antiguidade, numa demonstração da abundância dos recursos naturais que proporcionou desde cedo às comunidades humanas que aí procuravam a sua sobrevivência e fixação, não sendo, por conseguinte, surpreendente que avultem sítios tumulares, nomeadamente dos atribuídos ao Calcolítico, revelando-se alguns exemplares fundamentais "[...] para o estudo da cultura do vaso campaniforme [...]." (FERREIRA, O. da V., 1970, p. 180) no actual território português, o melhor conhecido dos quais é o do Zambujal (Cf. LUCAS, Maria Miguel, 2002).

Um dos exemplos desta última situação - a permanência no tempo - é revelado no "Castro da Fórnea", arqueossítio situado num pequeno morro de rocha calcária do Jurássico, com um bom domínio sobre o vale do rio Sizandro. Além disso, "Próximo existem fontes de matéria-prima (ocre, sílex, e algum mineral cuprífero) o que levaria a supor que os seus habitantes poderiam explorar estas riquezas naturais e, certamente, comerciá-las [...]."(GONÇALVES, J. L. M., 1992, p. 139).

Mas apesar desta região ter despertado o interesse dos pioneiros da Arqueologia em Portugal (SOUSA, A. C., 1998, p. 43), numa tradição retomada já nas primeiras décadas do século XX, o facto é que a estação foi escavada apenas no início dos anos trinta, numa altura em que o exercício arqueológico ganhava maior estatuto no seio dos círculos políticos portugueses, depois de a legislação reconhecer, em 1901, o valor arqueológico, e se aproximava a criação da Junta Nacional de Escavações e Antiguidades (Cf. MARTINS, A. C., 2005).

Com efeito, coube a Aurélio Ricardo Belo a coordenação desta primeira campanha de escavações no sítio, em 1931 (Cf. BELO, Aurélio Ricardo, 1955), o mesmo investigador que procederia a outras intervenções arqueológicas no termo de Torres Vedras, nomeadamente de parceria com Afonso do Paço (1895-1968), muito antes de outros autores estudarem a estação, já entre os anos setenta (Cf. GONÇALVES, J. L. M., 1972) e oitenta (Id., 1992, p. 123).

Erguido durante o Calcolítico, o povoado foi dotado de um sistema defensivo do qual remanescem alguns troços de dois muralhados constituídos por blocos de pedra calcária que seriam originalmente complementados por afloramentos rochosos aí existentes "[...] aparentando una orientação convergente, de modo a fecharem o acesso da estreita passagem para a plataforma Este, formando assim uma frente de defesa." (Id., 1992, p. 125), num exemplo de aproveitamento das características naturais de defesa do local.

Um sistema que envolvia todo um espaço no qual foi identificado, já nos anos trinta (vide supra), um fundo de cabana com paredes pétreas, a exemplo do que se verifica noutros povoados de altura da mesma cronologia.

Quanto aos artefactos recolhidos no terreno, destacam-se os instrumentos líticos (pontas de seta e fragmentos de lamelas e lâminas executadas em sílex, bem como um machado de pedra polida talhado em xisto anfibólico), peças trabalhadas em osso (alfinetes de cabelo) e pedra (possivelmente uma peça de adorno), a par de fragmentos de cerâmica lisa, dos quais sobressaem exemplares de taças carenadas recolhidas, numa demonstração da sobrevivência de formas normalmente associadas ao Neolítico final. Foram ainda recolhidos vasos hemisféricos altos e de bordo simples, mais comuns em povoados calcolíticos. Integradas no mesmo Calcolítico inicial e médio encontram-se as cerâmicas decoradas, nomeadamente com caneluras leves, com sulcos horizontais, oblíquos e demais motivos compósitos, juntamente a exemplares com decoração "penteada", com losangos, axadrezados, espinhados, para além de fragmentos com motivo de "folha de acácia" (Ibid.). Materiais estes que se encontram expostos no Museu Municipal de Torres Vedras.

[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)
Número do Processo
Situado em Matacães, junto à estrada nacional n.º 9.
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 181504
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Torres Vedras / Santa Maria, São Pedro e Matacães
EN 9
Matacães -
Polícia:
LATITUDE
39.086842
LONGITUDE
-9.220368
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1895
1895-1968), muito antes de outros autores estudarem a estação, já entre os anos setenta (Cf. GO
1901
1901, o valor arqueológico, e se aproximava a criação da Junta Nacional de Escavações e Antiguidades (Cf. MART
1931
1931 (Cf.
1955
1955), o mesmo investigador que procederia a outras intervenções arqueológicas no termo de Torres Vedras, nomeadament...
1968
1968), muito antes de outros autores estudarem a estação, já entre os anos setenta (Cf. GO
1970
1970, p.
1972
1972) e oitenta (Id., 1992, p.
1992
1992, p.
1998
1998, p.
2002
2002, DR, I Série-B.
2005
2005).
0
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Complexificação das sociedades e sua inserção numa vasta rede de intercâmbios", Nova História de Portugal JORGE, Vítor de Oliveira Edição 1990 Lisboa
"Subsídios para o estudo da época do bronze na região de Torres Vedras", Estremadura. Boletim da Junta de Província BELO, Aurélio Ricardo Edição 1955 Lisboa
"La culture du vase campaniforme au Portugal", Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal FERREIRA, Octávio da Veiga Edição 1966 Lisboa
"O Calcolítico na região de Torres Vedras", Turres Veteras IV. Actas de Pré-história e História Antiga LUCAS, Maria Miguel Edição 2002 Torres Vedras
A Associação dos Arqueólogos Portugueses na senda da salvaguarda patrimonial. Cem anos de transformação (1863-1963). Texto policopiado. Tese de Doutoramento em Letras. MARTINS, Ana Cristina Edição 2005 Lisboa
"O castro da Fórnea - Uma fortificação calcolítica em Matacões (Torres Vedras)", Arqueologia GONÇALVES, João Ludgero Marques Edição 1972 Porto
"O povoado fortificado da Fórnea (Matacães - Torres Vedras)", Origens, estruturas e relações das culturas calcolíticas da Península Ibérica. actas das I Jornadas Arqueológicas de Torres Vedras GONÇALVES, João Ludgero Marques Edição 1995 Lisboa

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