Nota Histórico-Artistica
Classificado em 1997 como "Imóvel de Interesse Municipal", o "Conjunto Megalítico de Felgueiras-Feirão" inclui oito mamoas distribuídas ao longo de uma área relativamente extensa, abrangendo, na actualidade, duas zonas administrativas do concelho de Resende, as freguesias de Felgueiras e de Feirão.
Edificadas no Neo-calcolítico desta região do actual território português, as mamoas foram objecto de intervenção arqueológica apenas no início dos anos noventa do século passado, ainda que a sua presença fosse conhecida das populações locais, que, tal como nos demais recantos nacionais, as imputavam ao "tempo dos moutros". Necrópole de inumação colectiva de consideráveis dimensões, a sua implantação geográfica apresenta um certo diferencial, independentemente dos critérios que o ditaram.
Apresentando uma certa consistência ao nível da orientação (Norte-Sul) e do diâmetro (aproximadamente entre os seis e os vinte e um metros), as mamoas - tumulus - primitivas destes exemplares funerários megalíticos ainda ostentam, na sua maioria, quase intactas as respectivas couraças pétreas que protegiam, na origem, toda a estrutura subjacente, ou seja, os denominados dolmenes, ainda que, em muitos casos, estes não conservem, na totalidade, os diversos elementos que os compunham de início. Uma situação que advirá, certamente, de uma prática há muito enraizada no imaginário popular de quase todos os tempos e lugares, sobretudo da ocidentalidade: a eterna busca de tesouros encantados, em locais, como estes, associados, durante largos séculos e, até, milénios, às mais imaginativas lendas, raramente (ou nunca) relacionadas com a sua verdadeira função e cronologia, ao mesmo tempo que se reaproveitavam alguns esteios compósitos em construções mais coadunáveis às necessidades quotidianas dos habitantes das suas cercanias, perdido que estaria o sentido e a memória da sua existência e significação. Esta terá sido, na verdade, uma das razões pelas quais se retiraram, quase invariavelmente, os blocos correspondentes ao esteio de cabeceira e à laje de cobertura, não apenas por serem os melhor afeiçoados e de maiores dimensões, como pelo facto de serem os mais rapidamente detectados sempre que se procedesse à abertura das denominadas "crateras de violação" destes arqueossítios.
[AMartins]
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível