Nota Histórico-Artistica
A primeira instituição assistencial referenciada na história da vila de Nisa é a Albergaria, fundada em 1218 pelo mestre templário D. Pedro Alvitis, com o objectivo de "recolher e hospedar os passageiros, tratando os enfermos, fossem ricos ou pobres" (FIGUEIREDO, José, 1989, p. 132). Com a extinção da Ordem do Templo em 1312, a Albergaria de Nisa ficou entregue a uma confraria local, funcionando até ao início do século XVI.
Em 1520 um grupo de homens bons da vila fundou a Irmandade da Misericórdia local, seguindo o Compromisso da Misericórdia de Lisboa (União das Misericórdias Portuguesas, 2003, p. 295). Os bens da albergaria medieval passaram então para esta confraria, e os irmãos deram início à edificação do seu templo no primeiro quartel do século XVI.
Este templo apresenta uma estrutura exterior muito comum nas igrejas das irmandades de Misericórdia construídas na primeira metade do século XVI. O conjunto apresenta um modelo simples, em que se destaca o portal principal pela riqueza decorativa. De pano único, a frontaria apresenta ao centro um portal de arco de volta perfeita inserido num alfiz rectangular enquadrado por pilastras.
O arco é lavrado com motivos de grotesco, num efeito decorativo que se estende também à arquitrave do pórtico e às sineiras, colocadas nos remates superiores do pano da fachada. Sobre o conjunto do portal foi aberto um nicho com volutas e encimado por cruz, ladeada por duas frestas abertas na parede.
O espaço interior, de dimensões muito reduzidas, é composto por uma única nave coberta por abóbada. Nas paredes laterais, marcando um registo superior, foram colocadas as tribunas dos irmãos da Misericórdia. Edificadas em madeira, a do lado direito destinava-se aos irmãos que não faziam parte da Mesa da irmandade, e a do lado oposto, que permite a ligação ao púlpito, destinava-se ao provedor e aos mesários (FIGUEIREDO, José, 1989, p. 79).
A capela-mor, de planta quadrangular, apresenta um programa decorativo de gosto rococó, realizado no final do século XVIII. Tanto a cobertura do espaço, feita por tecto de madeira pintado, como o conjunto do altar foram executados e dourados em 1791 (Idem, ibidem, p. 80)
Catarina Oliveira
IPPAR/2006
Diploma de Classificação
Portaria n.º 646/2012, DR, de 2.ª série, n.º 212, de 2-11-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 4-09-2012 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 12204/2012, DR, 2.ª série, n.º 107, de 1-06-2012 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 15-12-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer de 5-12-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Nova proposta de 15-03-2010 da DRC do Alentejo
Proposta de 10-12-2009 da DRC do Alentejo para a classificação como IIP
Proposta de 25-01-2005 da DR de Évora do IPPAR para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 13-01-1992 do presidente do IPPC
Proposta de 3-01-1992 do IPPC para a abertura da instrução do processo de classificação
Processo iniciado em 1986 no IPPC
Número do Processo
Não disponível