Nota Histórico-Artistica
Os fidalgos Sousa e Faro foram donatários da vila do Vimieiro entre 1437, data na qual D. Duarte deu o respectivo senhorio a D. Sancho de Noronha, 1.º conde de Odemira, e do século XIX, quando a casa titular foi extinta. Os paços velhos, ou a primeira habitação da família no Vimieiro, foram erguidos por D. Francisco de Faro e Noronha, 4.º senhor de Vimieiro, presumivelmente na primeira metade do século XVI. Foram substituídos pelo actual palácio, construído entre 1770 e 1790, por D. Sancho de Faro e Sousa (1735-1790), governador da praça de Estremoz, 11.º senhor e 4.º conde do Vimieiro, que aqui nasceu e viveu durante largos anos.
O edifício é composto por dois grandes corpos rectangulares em L, de dois registos, cobertos por telhados de quatro águas, com mansardas. O espaço quadrangular definido pelas duas alas é ocupado por um terraço, delimitado por dois altos muros rematados em torre-mirante, deitando sobre os jardins. Na fachada principal, voltada a O., rasga-se o portal principal, em mármore. A maior parte dos vãos do piso térreo são de peitoril. No piso superior destacam-se varandas de sacada, com grades de barrinhas de ferro. A escadaria do interior é iluminada por uma grande luneta ovóide, a meio da fachada. Um dos ângulos do edifício conserva ainda vestígios arquitectónicos do paço quinhentista, que se podem observar igualmente nas traseiras e no pátio (ESPANCA, Túlio, 1975). No interior, destacam-se alguns salões com tectos estucados, pintados e dourados, fogões de mármore barrocos, e muitos painéis decorativos de influência francesa.
Os jardins são directamente acessíveis pelo muro N. da cerca, onde se abre um grande pórtico, entre duas pilastras almofadadas, encimadas por cornijas molduradas muito salientes e urnas cilíndricas. Originalmente, tratava-se de um verdadeiro complexo agrícola, com cavalariças, lagar, celeiros e dependências anexas, pomar de laranjeiras e horta. O jardim propriamente dito era formado por áleas de canteiros e buxos, fontes com cascatas, e várias estátuas e bustos de figuras clássicas, incluindo uma urna dedicada a Luís de Camões, denotando a influência da poetisa D. Teresa de Melo Breyner, mulher de D. Sancho de Faro e Sousa.
No cruzamento das ruas de buxo destaca-se finalmente uma monumental fonte-obelisco, datada de 1774, cujo desenho neoclássico se deve atribuir ao engenheiro francês Guilherme Luís Antoine de Valleré, que trabalhou no Forte de Lippe, em Elvas, e igualmente na construção da Fonte de São Lourenço da mesma cidade. O monumento é constituído por uma larga taça circular, onde se levanta um pedestal central, com quatro carrancas antropomórficas, servindo de base a uma pirâmide quadrada de grande altura, em mármore branco. A pirâmide, ou agulha, é rematada por pequena pinha, e decorada na base por medalhões alegóricos das Artes e Letras, entre festões e grinaldas; inclui ainda o busto de D. Teresa de Melo Breyner, a quem o monumento celebra, de acordo com as várias inscrições latinas que nele se podem ler.
O palácio e os jardins, na posse de particulares, encontram-se muito degradados, com troços ameaçando ruína.
Sílvia Leite