Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situado na Parede, fronteiro ao mar, o Hospital de Sant'Ana foi construído entre 1899 e 1904 como sanatório para doentes tuberculosos. É um conjunto de edifícios dispostos numa planta em H, que contempla a ala principal, fronteira ao oceano e originalmente destinada a tratamento pediátrico, e duas alas menores, do lado oposto, então dirigidas ao tratamento de homens e mulheres. As alas são unidas pelo corpo central, disposto longitudinalmente, que integra a capela e o Jardim de Inverno.
O edifício é uma imponente obra de gosto neo-românico, pensado e desenhado com extrema perícia quer do ponto de vista estrutural e de implantação no terreno quer no que concerne ao discurso ornamental, experimentando num programa assistencial uma tipologia habitualmente reservada a espaços religiosos e tumulares. Mais do que uma solução estética revivalista, o hospital deve ser entendido como "um projecto que pensa as funcionalidades necessárias a um sanatório da época, partindo daí para a forma, a selecção de materiais muito cuidada, denotando finalmente a capacidade de concretização de uma ideia ambiciosa e inédita." (Arruda: 2004, p. 53).
Na fachada do hospital, virada ao mar, destaca-se o corpo principal, mais elevado, com pano murário central contrafortado, marcado pela abertura de janelas e um óculo de vitral encimados por cartela com a denominação do hospital e rematado por frontão triangular. Os corpos laterais são abertos a todo o comprimento por uma galeria interrompida por dois torreões. O espaço exterior é decorado por gárgulas, azulejos Arte Nova e elementos de ferro forjado que denotam o cuidado desenho e a atenção dada ao ornamento por parte da equipa de arquitetos. No alçado posterior, os corpos são divididos, alternadamente, em dois e três pisos, ganhando importância o volume central, mais elevado e rasgado por três grandes arcos de acesso à galilé que precede a capela. Este espaço, dedicado a Santa Ana, divide-se em nave, com trifório e coro-alto, e capela-mor, sendo decorado com pinturas murais, frisos de gesso, esculturas de mármore e vitrais que conferem ao interior um revivalismo de gosto bizantino. O interior do sanatório apresenta corredores amplos, decorados por azulejos florais, ganhando especial interesse o Jardim de Inverno, com painéis de azulejos representando plantas medicinais.
História
Desde meados do século XIX um grupo de médicos, dos quais faziam parte Sousa Martins e José de Almeida, participavam ativamente no movimento de construção de sanatórios em Portugal. A Costa do Estoril oferecia uma conjuntura favorável à instalação destes estabelecimentos, quer pelas condições atmosféricas e marítimas de excelência quer por ser uma região pouco habitada e servida pela linha do combóio.
A zona entre a Parede e Carcavelos apresentava-se como o local ideal para o tratamento da tuberculose óssea, e assim o lugar das Sainhas foi escolhido para edificar um novo sanatório. A família Biester foi a grande patrocinadora da obra, e em 1899 Frederico Biester e a sua mulher, Maria Amélia, apresentaram à Câmara de Cascais o pedido de autorização para a construção do edifício, com projeto assinado por Rosendo de Carvalheira. Com a morte dos instituidores, em 1900, foi a sua herdeira e tia, Claudina Chamiço, quem prosseguiu a obra. A primeira pedra era lançada no ano seguinte e a 31 de Julho de 1904 o Sanatório de Sant'Anna era inaugurado.
É atribuída a Álvaro Machado a co-autoria do projeto, e com os dois arquitetos principais trabalharam António do Couto Abreu, Adolfo Marques da Silva e Manuel Joaquim Norte Júnior. No programa ornamental colaboraram o escultor Costa Motta, os pintores António Ramalho (vitrais) e Jorge Pinto (azulejos).
Catarina Oliveira
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Portaria n.º 584/2011, DR, 2.ª série, n.º 115, de 16-06-2011 (ver Portaria)
Edital 182/08 de 19-03-2008 da CM de Cascais
Edital 197/04 de 12-02-2004 da CM de Cascais
Despacho de homologação de 23-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 15-03-2003 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 28-11-1991 do presidente do IPPC
Proposta de 3-10-1991 do IPPC para a abertura do processo de instrução da classificação
Proposta de classificação de 15-09-1987 da CM de Cascais
Número do Processo
Não disponível