Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizada junto à povoação de Polvoreira, a Quinta de Carvalho de Arca integra um conjunto de edificações de cariz habitacional e agrícola, composto pelo solar, com capela privativa, pelas dependências onde se instalam o lagar, a adega e alambique, a cocheira e as cavalariças, e ainda por jardins, campos de cultivo e vinha. A propriedade, murada, apresenta um grande portão alpendrado, pelo qual se acede ao terreiro principal, onde se eleva um chafariz de taças com tanque, em granito.
Frente a este ergue-se o solar de traça barroca, datado do século XVII, de planta irregular em U formada pela justaposição de três corpos que, embora apresentem alturas distintas, se harmonizam. O corpo principal, de planimetria retangular e virado a este, é coroado por pináculos e divide-se em dois registos, apresentando na fachada uma escada de pedra lateral, de acesso ao andar nobre, e à direita, um corpo mais baixo e saliente, precedido por colunata com telheiro, pelo qual se acede ao salão nobre. No corpo posterior da casa fica a área dos quartos e, a ligar esta ala com a construção principal, ergue-se o torreão e uma harmoniosa varanda alpendrada em granito, fechada, virada a norte e com serventia pelo interior. O torreão exibe, sob uma janela com mainel, a pedra de armas da família Paiva Brandão, proprietária da casa.
À esquerda da casa ergue-se a capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, de planta retangular precedida por alpendre sustentado por colunata. No interior destaca-se o altar de madeira em talha e as pinturas da Virgem com o Menino e de São José com o Menino que o ladeiam. Do lado esquerdo erguem-se as dependências agrícolas, e do lado direito foi erigido, sobre o muro traseiro da propriedade, um passadiço que permite a ligação ao interior da casa. Este muro é encimado por merlões chanfrados e quatro esculturas em granito, apresentando ainda duas janelas gradeadas e o referido portal de acesso à quinta.
O solar é rodeado por um jardim de buxo, com cedros japoneses, e pela área de cultivo, que mantém a tradição agrícola da casa, atualmente centrada sobretudo na produção de vinho. Destacam-se ainda a adega, o lagar e o alambique, espaços já modernizados.
História
A origem da Quinta de Carvalho de Arca remonta, pelo menos, ao século XIII, quando é identificada nas Inquirições de D. Afonso III, datadas de 1258.
No início do século XVI a propriedade pertencia à Casa de Bragança, tendo sido o duque D. Jaime quem, em 1528, a aforou e emprazou ao seu escudeiro Duarte Vaz. A partir dessa data, e até inícios do século XX, a quinta manteve-se na posse dos seus descendentes, tendo sido esta família quem, no século XVII, mandou construir o solar que hoje se conhece.
Depois de passar, por herança, para a filha dos Marqueses de Sesimbra, a Quinta de Carvalho de Arca foi herdada em 1906 pela família Paiva Brandão, que conserva a propriedade até ao presente.
Cerca de 1910 o solar foi objeto de obras de remodelação e restauro, no intuito de adaptar o espaço às comodidades que os avanços técnicos do início do século XX começavam a oferecer às tipologias habitacionais, permitindo assim que a casa, embora implantada num espaço rural, pudesse ser ocupada permanentemente. As obras em nada prejudicaram o projeto original, harmonizando-se com a imponência barroca do edifício, tão características da arquitetura solarenga minhota.
Catarina Oliveira
DGPC, 2016