Nota Histórico-Artistica
A história da Capela de São João dos Azinhais remonta pelo menos ao século VII d.C. e ao domínio visigodo, época na qual teria sido aí fundado um templo dedicado aos meninos mártires Justo e Pastor, de resto talvez erguido sobre um anterior santuário votado ao culto localmente muito divulgado de Júpiter Olímpico. Sobre as fundações visigóticas, que terão possivelmente servido de mesquita rural durante o domínio muçulmano e local de romarias ao longo dos séculos, e junto das quais terá acampado o exército de D. Afonso Henriques na véspera da reconquista de Beja, foi levantada no século XVII a ermida atual, dedicada a São João Baptista e construída com reaproveitamento de materiais antigos.
A ermida, hoje parcialmente arruinada, ergue-se sobre uma elevação na margem direita do rio Xarrama, a alguma distância da vila do Torrão, rodeada por campos cujo cultivo em muito tem contribuído para a destruição dos abundantes achados arqueológicos existentes no local. Constitui um exemplar típico de templo rural alentejano de características arcaizantes, evocando os modelos quinhentistas das ermidas fortificadas antecedidas por alpendres. Esta feição de templo fortificado é marcada pela quase ausência de frestas de iluminação, pelos alçados laterais ritmados por contrafortes muito salientes, e pelos grossos contrafortes cilíndricos rematados por coruchéus cónicos que flanqueiam a cabeceira.
No interior, composto por nave longitudinal e capela-mor quadrada, destacam-se a cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas e a abóbada de arestas sobre mísulas da capela-mor, revestida por pinturas murais com cartelas e florões em vermelhão e dourado, e as pinturas semelhantes que ainda se adivinham em alguns panos murais. Na abóbada da capela-mor pode ler-se uma inscrição evocativa do orago (Mt 11,11). Para além destes elementos arquitectónicos e ornamentais, o templo integra alguns vestígios visíveis do seu passado mais longínquo, como fósseis de madeira e fragmentos de pedra possivelmente visigóticos, que se juntam aos achados das épocas romana e muçulmana feitos na envolvência.
Sílvia Leite/DIDA - IGESPAR, IP/2012
Diploma de Classificação
Portaria n.º 245/2013, DR, 2.ª série, n.º 79, de 23-04-2013 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Relatório final do procedimento aprovado por despaho de 16-11-2012 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 13423/2012, DR, 2.ª série, n.º 180, de 17-09-2012 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 12-01-2012 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer de 19-12-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Proposta de 20-11-2009 da DRC do Alentejo para a classificação como IIP
Edital de 17-06-2009 da CM de Alcácer do Sal
Despacho de abertura de 25-05-2006 da vice-presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 11-05-2006 da DR de Évora do IPPAR
Proposta de 14-07-1993 da CM de Alcácer do Sal para a classificação como VC
Processo iniciado em 1992 no IPPC
Número do Processo
Não disponível