Nota Histórico-Artistica
Em 1771 e no contexto de experiências manufactureiras já avançadas noutras cidades, como a Covilhã, o Marquês de Pombal decidiu criar, em Portalegre, a Real Fábrica de Lanifícios. A sua viabilidade justificava-se plenamente pela vasta tradição do comércio de lã e gado existente nesta área do Alentejo. Muito embora produzisse panos, a abundância de matéria-prima deveria justificar a especialização no fabrico de lanifícios, isto é "artigos finos e droguetes destinados a outros fins, que não o exército" (CUSTÓDIO, 1992, p. 288), que a diferenciava da sua congénere covilhanense.
O Governador de Armas da Província do Alentejo, Manuel Bernardo de Melo e Castro, foi o responsável pelo estabelecimento da Fábrica, oficialmente criada em 15 de Julho de 1772 (CUSTÓDIO, 1992, p. 289).
Para as suas instalações foi escolhido o antigo Colégio Jesuíta de São Sebastião, situado na Corredoura de Baixo. Este havia sido fundado em 1605, mas encontrava-se desabitado desde 1759, ano em que ocorreu a expulsão da Ordem e a nacionalização dos seus bens. Através das plantas subsistentes, é possível perceber as profundas alterações sofridas pelo edifício, muito embora a construção conventual tivesse obedecido a "(...) conceitos relacionados com as regras de clausura e de ordem interna do universo monástico, conceitos que, bem vistas as coisas, se integravam na lógica da disciplina fabril" (CUSTÓDIO, 1992, p. 292).
As dependências conventuais definiam-se em torno da igreja-salão, de característica maneiristas. Esta, apresentava capela-mor profunda, com duas capelas laterais. A nave, coberta por abóbada de berço, exibia três capelas laterais intercomunicantes. A entrada para o complexo conventual era feita através do alpendre que ainda hoje existe, e que tanto caracteriza o edifício na malha urbana da cidade.
Muito embora subsistam vestígios da sua anterior vocação, como é o caso das pinturas da abóbada da igreja, da primeira metade do século XVIII, todo o conjunto, incluindo a cerca, foi transformado de forma a poder receber a nova estrutura industrial, que representava a ascensão da burguesia e de uma mentalidade racional e profana (CUSTÓDIO, 1992, p. 292).
A reabilitação do espaço conventual foi concebida com grande rigor, espelhando a organização das oficinas próprias da indústria de lanifícios do século XVIII. O que permitiu a adaptação da Fábrica aos diferentes períodos que atravessou, sendo derrotada apenas pelas novas tecnologias do século XX. Neste espaço funcionou a manufactura das Tapeçarias de Portalegre, da firma Fino, o que, de alguma forma, manteve viva a história e a memória da antiga Fábrica Real.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Aviso n.º 18686/2022, DR, 2.ª série, n.º 187, de 27-09-2022 (ver Aviso)
Deliberação de 16-08-2022 da CM de Portalegre a aprovar a decisão final de classificação como MIM
Em 2-06-2022 foi dado conhecimento do despacho à CM de Portalegre
Despacho de concordância de 27-05-2022 do diretor-geral da DGPC
Informação favorável de 4-05-2022 da DRC do Alentejo, por o imóvel não ter um valor patrimonial de âmbito nacional
Pedido de parecer de 26-04-2021 da CM de Portalegre sobre a classificação como MIM
Aviso n.º 14162/2020, DR, 2.ª série, n.º 182, de 17-09-2020 (ver Aviso)
Deliberação de 8-07-2020 da CM de Portalegre a aprovar a abertura do procedimento de classificação como MIM do Edifício da Fábrica Real e Colégio de São Sebastião - Edifício da CMP
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma) , alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Enviado à DRC Alentejo em 20-01-2009, para a instrução do processo de classificação
Parecer de 6-01-2009 do Departamento de Salvaguarda do IGESPAR, I.P., favorável à prossecução do processo de classificação
Memorando de 6-02-2008 da CM Portalegre, contrário ao eventual encerramento do processo de âmbito nacional
Despacho de 23-10 2006 da vice-presidente do IPPAR, no sentido de se proceder à audência prévia dos interessados
Proposta de encerramento de 25-09-2006 da DR de Évora do IPPAR, por o edifício já não ter valor nacional após as obras realizadas
Despacho de abertura de 14-01-1994 do presidente do IPPAR
Proposta de classificação de 13-01-1994 da DR de Évora do IPPAR
Proposta de 9-12-1992 da CM de Portalegre para a classificação do Edifício da Fábrica Real
Número do Processo
Não disponível