Nota Histórico-Artistica
A ermida de São Pedro de Alcáçovas foi fundada nas primeiras décadas do século XVI, havendo notícias da sua existência desde 1536. A obra de edificação foi patrocinada por Luísa Rodrigues, viúva de Luís de Mira de Sequeira, fidalgo da vila.
A sua estrutura, de planimetria rectangular, desenvolve-se longitudinalmente, sendo composta pelos volumes da nave e da capela-mor, que dá acesso à sacristia. A fachada principal é precedida por nártex de três arcadas, rematado por frontão com enrolamento e campanário, sem sino, ladeado por pináculos. O portal de acesso ao interior do templo, arquitravado, é ladeado por duas janelas.
O alçado posterior e um dos laterais estão adossados a construções posteriores, e a fachada lateral visível possui dois contrafortes, pouco salientes.
O interior apresenta uma diferenciação dos espaços da nave única, de planta rectangular, e da capela-mor, de secção quadrangular. Os tramos da nave são marcados por pilastras e a abóbada de berço que cobre o espaço é decorada com estuques policromados, que substituem os frescos que primitivamente a decoravam.
A capela-mor, antecedida por arco triunfal, é também coberta por abóbada de berço, decorada por frescos divididos em nove painéis que retratam cenas da vida de São Pedro, o apostolado, a prisão, a salvação do naufrágio no Tiberíades por Cristo, e o martírio, legendados em português arcaico (SOUSA, Catarina V., 2003, p.133). O pano murário da capela-mor apresenta também, em toda a sua área, vestígios de pintura a fresco, subsistindo actualmente as figuras de Santa Apolónia e Santo Amaro nos alçados laterais (Idem, ibidem, p.134).
Até ao ano de 1657, o espaço da capela-mor pertenceu a uma irmandade, sendo nesta data adquirida pela família Fragoso de Barros. Estes fidalgos terão sido os encomendantes da pintura mural que decora o espaço da abóbada, que pelas suas características não se insere nas produções picturais do circulo oficinal da região (Idem, ibidem, pp. 133-134).
Há ainda notícia da existência de pintura a fresco na abóbada da sacristia da capela, com representações dos atributos de São Pedro. O espaço, de planta quadrangular, possui um lavatório em mármore esculpido com o relevo das chaves entrelaçadas, símbolo do padroeiro.
Entre 1998 e 1999 a Ermida de São Pedro foi objecto de uma campanha de obras de reparação da estrutura e das pinturas murais.
Catarina Oliveira
IPPAR/2005
Diploma de Classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Parecer favorável de 15-07-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 17-10-2008 da DRC do Alentejo para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 21-07-1986 do vice-presidente do IPPC
Proposta de 22-03-1986 da Secretaria de Estado da Cultura
Número do Processo
Não disponível