Nota Histórico-Artistica
O Convento de São Francisco, ou do Espírito Santo, terá sido um dos primeiros cenóbios franciscanos a ser fundados em Portugal. Alguns autores apontam o ano de 1217 para a sua fundação original, juntamente com os de Lisboa, Guimarães e Alenquer, mas é mais provável que o complexo conventual da Guarda tenha sido iniciado cerca de 1235, na mesma época em que era fundado o convento franciscano de Covilhã. Certa é a sua existência no ano de 1272, quando o capítulo provincial dividiu a custódia portuguesa em duas, e o convento da Guarda foi incluído na custódia de Coimbra. O convento terá passado por diversas fases de construção; em 1298 decorria ainda a edificação do edifício original, e no início do século XVI a comunidade franciscana recebia uma doação de Isabel de Pina, filha do cronista Rui de Pina, para o restauro da igreja. Em 1600 Filipe II ordenou o lançamento de uma finta sobre os habitantes da Guarda para que fossem realizadas obras de renovação do templo do convento, que terá dado origem à actual estrutura, de linhas maneiristas muito sóbrias, com elementos decorativos flamenguistas. Depois da Extinção das Ordens Religiosas, foi instalado no edifício um regimento de Infantaria, pelo que foram realizadas diversas obras de alteração e adaptação que resultaram na descaracterização interior tanto na igreja como na área das dependências conventuais.
O conjunto conventual, de planta rectangular, inclui a igreja, o claustro e um pátio interno, junto à capela-mor. A fachada do convento, a oeste, está dividida em dois registos, separados por friso, com portal em arco abatido, no primeiro, encimado por janela de sacada ladeada por volutas, pilastras e dois janelos, no segundo. O conjunto é rematado por frontão triangular, e nos panos laterais foram rasgadas janelas de moldura rectangular.
A porta da igreja, integrada na fachada principal do convento, apresenta moldura rectangular rematada por friso. O espaço da nave foi dividido em dois pisos, e à entrada do templo foi rasgada uma porta com lintel moldurado encimada por nicho em arco pleno, que permite o acesso ao claustro e às antigas dependências conventuais. Um dos retábulos executados para o interior do templo encontra-se actualmente na igreja matriz de Vilar Maior.
O claustro, de planta quadrada, possui arcadas no primeiro registo, compostas por cinco arcos abatidos assentes em pilares quadrados, a que correspondem no segundo registo janelas rectangulares. Ao centro do pátio foi construída uma fonte de tanque circular com coluna rematada por esfera gomada e esfera armilar.
A partir de 1984 uma parte do edifício conventual foi adaptado para a instalação do Arquivo Distrital da Guarda. Ao longo da década de 90 foi executada pelo Instituto Português de Arquivos uma campanha de obras de remodelação e ampliação das instalações do arquivo. O restante espaço conventual é ocupado pela Guarda Nacional Republicana e pela Direcção de Finanças.
Catarina Oliveira
IPPAR/2004
Diploma de Classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Despacho de 11-02-1982 da presidente do IPPC a determinar que se pondere a eventual classificação
Número do Processo
Não disponível