Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situado na zona residencial do Campo Alegre, nas imediações da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, esta habitação unifamiliar, conhecida como Palacete Primo Madeira, é um edifício de planta retangular irregular rodeado por jardim arborizado delimitado por muro com guarda de ferro.
A casa divide-se em quatro pisos, correspondentes à cave, ao andar térreo, ao andar nobre e à mansarda. A fachada principal apresenta um corpo central destacado, com varanda no piso superior assente sobre grandes colunas, que formam um alpendre sobre a porta de entrada. O restante pano murário é marcado pela abertura de janelas a espaços regulares.
Uma das fachadas laterais apresenta um alpendre em ferro e vidro, de gosto arte nova, sobre a porta do piso térreo. A fachada posterior, também rasgada por janelas dispostas a espaços regulares, apresenta uma varanda com escadaria, que permite o acesso ao jardim.
As molduras das janelas e os frisos em cantaria, as cornijas e balaustradas que rematam a fachada, bem como a maciça varanda com escadas em granito que abre a fachada posterior para o espaço exterior, são elementos tradicionais que enobrecem a casa.
Originalmente, o interior da habitação integrava, na cave, os espaços domésticos de serviço, como a cozinha, a lavandaria ou a dispensa, no rés-do-chão, as salas de estar, a de jantar com a respetiva copa, a de bilhar, o salão da entrada, no primeiro piso, os quartos da família proprietária, com os respetivos sanitários, e no piso da mansarda, os quartos do pessoal. Embora mantenha grande parte do programa decorativo original, está atualmente adaptado para receber eventos da Universidade do Porto.
História
Este palacete, que ocupa o lote de terreno entre os números 855 e 1021 da Rua do Campo Alegre, foi edificado nos anos finais do século XIX pelo Conselheiro Pedro Maria da Fonseca Araújo.
Mais tarde, o edifício foi adquirido pelo industrial Primo Monteiro Madeira, que contratou o arquiteto José Marques da Silva para executar algumas intervenções. Em 1899 a casa foi ampliada com a construção de uma cavalariça com cocheira.
Este elegante palacete, que se impõe na malha urbana do Campo Alegre por uma certa imponência e pelo enquadramento que lhe dá o jardim arborizado, reflete o ambiente burguês do Porto dos séculos XIX e XX, traduzindo o gosto arquitetónico urbano da elite da cidade à época. Na área circundante, outras casas da mesma tipologia, como a Casa Burmester ou a Casa Andersen, exprimiram também, com os seus modelos elegantes de palacetes citadinos, a marca urbana desta nova burguesia portuense do dealbar do século.
Nas últimas décadas do século XX, o edifício foi adquirido pela Universidade do Porto, tendo sido reconstruída entre 1986 e 1988 segundo um projeto da autoria do arquiteto Fernando Távora, enquanto o espaço do jardim foi remodelado pelo arquiteto Francisco Caldeira Cabral. O projeto de Fernando Távora viria a ganhar em 1990 o Prémio "João de Almada", atribuído pela Câmara Municipal do Porto.
Durante largos anos, funcionou na Casa Primo Madeira a biblioteca do Círculo Universitário. Atualmente, o espaço alberga o Clube Universitário do Porto. O edifício foi classificado em 1982.
Catarina Oliveira
DGPC, 2019
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível