Nota Histórico-Artistica
A Anta da Tapada de Matos localiza-se no Lugar de Mosteiros, freguesia de Nossa Senhora da Graça de Póvoa e Meadas, concelho de Castelo de Vide. Encontra-se a cerca de 450 metros a oeste da povoação de Matos da Póvoa, numa zona de vale, 3 km a noroeste de Póvoa e Meadas. Implanta-se na peneplanície, numa suave encosta e o ribeiro de Mosteiros passa imediatamente a poente.
O monumento destaca-se, entre as várias centenas existentes no concelho, pelas suas imponentes dimensões. É constituído por uma câmara poligonal, que atinge os 5,80 metros de diâmetro, formada originalmente por oito esteios de granito, sete preservados in situ, embora fraturados. A laje de cobertura está ausente. Apresenta corredor longo, orientado a nascente, bem diferenciado da câmara sepulcral, paralelo, com 8,70 metros de comprimento e 1,70 metros de largura. Está delimitado por seis ortóstatos, e foi afetado pela edificação de um muro de divisão de propriedades que o cortou em dois. A mamoa ou tumulus mantém-se conservada.
A construção megalítica condenou um silo preexistente, escavado na rocha, que se desenvolvia sob o corredor de acesso, indicando uma ocupação anterior deste espaço, possivelmente de carácter habitacional.
História
A Anta da Tapada dos Matos foi erguida entre o Neolítico Final e o Calcolítico (final do 4º milénio e meados do 3º milénio a.n.e.). O espólio recolhido nas diversas intervenções compreende diversos fragmentos cerâmicos, lâminas e lamelas, pontas de seta, um machado de pedra polida, contas de colar e placas de xisto.
São conhecidas referências documentais a monumentos megalíticos na bacia hidrográfica do Rio Sever desde 1489, constando nas Ordenanzas del Concejo de Valencia de Alcantara onde assumem a função de marcos territoriais. No entanto, torna-se quase impossível identificar as mencionadas.
A identificação da anta deve-se a Maria Conceição Rodrigues realizada durante a prospeção de campo efetuada para a elaboração da Carta Arqueológica de Castelo de Vide durante o ano 1975. No entanto, já tinha merecido a atenção de George e Vera Leisner, sendo referida na publicação de 1959, Die Megalithgraber der Iberischen Halbinsel: der Westen, onde a designaram Anta da Herdade dos Mosteiros. Foram realizadas escavações, em 1983, pelo Grupo de Arqueologia de Castelo de Vide, e mais tarde, nos anos de 1994 e 1995, Jorge de Oliveira conduziu duas campanhas de trabalhos arqueológicos, no âmbito do projeto Neolítico e Megalitismo no Nordeste Alentejano, que incidiram principalmente no corredor de acesso.
Ana Vale
DGPC, 2020
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-AI/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (toda a área é considerada ZNA) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 16-11-2012 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 13396/2012, DR, 2.ª série, n.º 175, de 10-10-2012 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 7-12-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Parecer de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como SIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Edital de 1-04-1997 da CM de Castelo de Vide
Despacho de homologação de 18-03-1997 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 10-01-1992 do presidente do IPPC
Parecer de 16-12-1991 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Despacho de abertura de 21-12-1990 do vice-presidente do IPPC
Proposta de classificação de 16-10-1990 dos SRAZS
Processo iniciado em 1988 nos SRAZS
Número do Processo
Não disponível