Nota Histórico-Artistica
Foi graças à abertura de uma estrada de acesso ao Santuário da Senhora do Pilar e ao Castelo, executada no fim dos anos trinta do século passado, que se colocaram a descoberto vestígios arqueológicos no sopé do Monte do Castelo, na Póvoa de Lanhoso, a uma altitude de aproximadamente quatrocentos metros, sobranceiros às bacias dos rios Cávado e Ave, em terrenos agrícolas particularmente férteis.
Das escavações conduzidas no local nos anos quarenta resultou a identificação de um povoado fortificado erguido durante a Idade do Ferro, embora encerrando materiais indicadores de períodos ocupacionais anteriores, desde, pelo menos, o Calcolítico, como atesta o espólio recolhido no arqueossítio, do qual fazem parte inúmeros fragmentos cerâmicos deste período.
Mas foram também recolhidos fragmentos de tegulae e imbrices, elementos de construção que vêem confirmar uma das realidades mais presentes neste tipo de povoados fortificados de altura: a sua ocupação num segundo período, já em pleno domínio romano do actual território português.
Uma particularidade que, se era comum a inúmeros povoados de altura erguidos durante a Idade do Ferro, destacava-se, no caso em epígrafe, perante a sua localização privilegiada, em grande parte mercê da extensa navegabilidade do rio nesta zona, associada à abundância de pequenos cursos hídricos, à fertilidade dos solos (daí resultante) e à vastidão montanhosa vital para a actividade pastorícia, assim como à existência de várias matérias primas.
Não surpreende, por conseguinte, que fosse de igual modo identificado nas imediações um troço de via romana, referenciada, já em finais do século, por um dos maiores conhecedores e divulgadores de antiguidades da ampla região bracarence, o Padre Martins Capela.
Conduzindo ao denominado "Castelo de Póvoa de Lanhoso", a "Estrada lusitano-romana" integraria a via militar romana XVII, destinada a ligar as antigas cidades de Bracara Augusta (Braga) e Aquae Flaviae (Chaves).
O que não seria inusitado, porquanto a presença romana nas actuais fronteiras físicas portuguesas pautou-se, tal como nos demais recantos do Império, pela implementação de uma política administrativa assente em dois vectores vitais para a sua perduração no tempo: na definição de unidades político-administrativas e no traçado de vias que assegurassem uma ligação permanente e célere entre os principais centros populacionais, ao mesmo tempo que a sua renovação, face às exigências assomadas com o desenrolar dos acontecimentos registados em Roma.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 30 762, DG, I Série, n.º 225, de 26-09-1940 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível