Nota Histórico-Artistica
A vila Tânger foi construída em 1903 por encomenda de Jorge Colaço, artista plástico de grande impacto na viragem para o século XX. O local escolhido (Monte Estoril) encontrava-se, por essa altura, em acelerado processo de urbanização, com vista à sua transformação em estância turística de qualidade superior, o que determinou o aparecimento de múltiplas moradias unifamiliares, maioritariamente de pendor ecléctico.
A partir da viragem do século, todavia, o eclectismo foi parcialmente ultrapassado por uma arquitectura mais nacionalista, vocacionada para as condicionantes de veraneio procuradas por uma cada vez maior classe média que vivia em torno de Lisboa. A Vila Tânger surgiu neste último contexto, e é uma das obras que melhor reflecte as pesquisas que, por essa altura, o arquitecto Raul Lino começava a fazer em torno do ideal de "Casa Portuguesa". O mesmo autor havia realizado, nos dois anos antes, outros interessantes exemplos: as casas Monsalvat e Gomes da Silva.
A vila Tânger é um edifício de planta irregular, composto por vários corpos, entre os quais um octogonal, que correspondia originalmente ao alpendre. Em altura, a casa apresenta três pisos, de alçados destituídos de pormenores assinaláveis, à excepção da aplicação de bandas de azulejos polícromos, cujo padrão é maioritariamente geométrico, em diálogo estético com os característicos duplos beirados.
No interior, os compartimentos são de planta rectangular, organizados em dois corpos principais separados por uma escadaria central de acesso aos pisos superiores. À margem desta orgânica localiza-se a sala principal, articulada com o alpendre e com uma pequena varanda. A disposição geral privilegiou a concentração funcional: assim, as áreas de cariz mais social localizam-se no piso térreo, a Sudeste; os espaços de apoio à família no lado oposto; os pisos superiores foram destinados a quartos e dependências privadas.
A casa manteve-se na posse da família original até 1937, ano em que foi adquirida por Mário Pereira. O novo proprietário patrocinou obras no imóvel, segundo projecto de Zacharias Gomes de Lima, que se limitou a pequenas actualizações no espaço, incluindo construção de um anexo. Bastante mais graves foram as obras realizadas na década de 80 do século XX, altura em que as caixilharias de madeira foram substituídas por alumínio e em que o alpendre foi encerrado, utilizando também alumínios.
PAF
Diploma de Classificação
Portaria n.º 997/2010, DR, 2.ª Série, n.º 235, de 6-12-2010 (ver Portaria)
Despacho de homologação de 8-06-2010 do Secretário de Estado da Cultura
Edital N.º 112/10 de 25-01-2010 da CM de Cascais
Parecer favorável de 28-10-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 14-05-2008 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como IIP
Edital 732/06 de 3-10-2006 da CM de Cascais
Despacho de abertura de 21-06-2005 do presidente do IPPAR
Proposta de 27-05-2005 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Nova proposta de 30-11-2004 da CM de Cascais
DESPACHO N.º 42/2004 de 25-03-2004 do presidente do IPPAR a determinar que se estudasse a classificação
Proposta de 12-03-1985 da CM de Cascais, após deliberação de 20-02-1985
Número do Processo
Não disponível