Nota Histórico-Artistica
A Igreja de São Romão, situada no centro histórico de Carnaxide, foi fundada em 1676, para que substituísse a primitiva ermida dedicada ao santo, de antiga fundação, e cuja estrutura se encontrava, à época, muito arruinada. As obras iniciaram-se nesse mesmo ano, e embora tivesse havido uma breve interrupção nos trabalhos, a nave estava já de pé em 1683; na época, a primitiva capela servia ainda as funções litúrgicas.
Em 1688, foi erigida uma das torres da fachada, e entre 1690-1695 foi demolida a ermida, o que indica que a capela-mor estaria já edificada. No ano de 1694, segundo indica uma visitação ao local, a sacristia estava concluída.
Com o violento terramoto de 1 de Novembro de 1755, a estrutura do templo ficou bastante danificada, pelo que nos anos seguintes foram executadas obras de reconstrução do espaço.
A igreja, de planta rectangular, apresenta uma fachada de gosto barroco, precedida por escadaria com guarda de ferro. O frontispício, que se divide em três registos, é marcado pela disposição das duas torres sineiras.
O portal, ladeado por duas colunas, com fuste estriado até meia-altura, que suportam um frontão interrompido, assente sobre friso, cujo tímpano é decorado por cartela com a representação de São Romão. Este conjunto é ladeado por dois nichos, que albergam as imagens de Santo António e São Vicente de Paula.
No segundo registo foram rasgadas três janelas com grades de ferro, as laterais com bandeiras decoradas por relevos e encimadas por friso, a do centro com frontão triangular. O conjunto é rematado por empena triangular.
O interior, de nave única, possui paredes totalmente revestidas por azulejos de padrão azuis e brancos, de finais do século XVII. Ao fundo, sob o coro-alto, foi colocado um painel de azulejos figurativos, de gosto rococó, representando São Pedro e São Paulo.
O espaço, coberto por abóbada de berço, possui capela lateral, e púlpito rectangular. No acesso à capela-mor foi edificado arco triunfal, ladeado dois altares de talha dourada, inseridos em arcos de volta perfeita.
A capela-mor, de planta quadrada, possui tecto em abóbada de aresta, ornamentada por pinturas, e as paredes possuem revestimento de azulejos figurativos. Este espaço foi objecto de uma campanha de restauro nos primeiros anos do século XIX, dirigida pelo pintor Pedro Alexandrino e pelo mestre carpinteiro António Pedroso.
O corredor que permite o acesso à sacristia possui um conjunto azulejar raro, uma vez que representa episódios da mitologia grega - "Teseu e Ariana", "Narciso mirando-se na água" e "Apolo chorando a morte de Jacinto" - num espaço sacro.
Catarina Oliveira
IGESPAR,I.P./2007
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-BQ/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria)
Anúncio n.º 5791/2012, DR, 2.ª série, n.º 54, de 15-03-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Parecer favorável de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 30-09-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como MIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Edital N.º 374/2007 de 25-07-2007 da CM de Oeiras
Despacho de abertura de 9-05-2007 da subdirectora do IGESPAR, I.P.
Proposta de abertura de 24-04-2007 da DR de Lisboa do IPPAR
Processo iniciado em 1982 no IPPC
Número do Processo
Não disponível