Nota Histórico-Artistica
Vila Nova de Portimão teve foral manuelino, dado em 1504, e plenamente justificado pelo nível de desenvolvimento económico então atingido pela povoação, de evidente vocação marítima. No mesmo ano, o monarca faz de Portimão terra condal, outorgando o título de primeiro conde a D. Martinho de Castelo Branco.
O novo município quinhentista, cuja expansão urbana ainda hoje se adivinha no traçado da zona mais antiga, não se notabilizaria pela grandiosidade da sua arquitectura. Porém, a cidade actual revela ainda alguns vestígios de singelas construções da primeira metade do século XVI, aqui e ali enobrecidas por uma moldura ou pormenor de cantaria lavrada.
Assim acontece com a casa da Quinta do Morais (ou dos Morais), também conhecida por Quinta Manuelina, ainda que o actual estado de ruína do imóvel mal permita imaginar a sua feição original. A quinta, hoje urbanizada, ficava muito próxima do núcleo quinhentista de Portimão. Da primitiva casa de habitação resta essencialmente o corpo principal, totalmente devoluto. É composto por uma estrutura térrea de planta rectangular, do tipo dos tradicionais montes dos Sul do país, com cobertura de telha, acrescentada de dois corpos mais elevados. Um destes, de planta quadrada, e adossado a Norte, configurava um torreão alto, coberto por telhado de quatro águas e com proporções que permitiam evocar a suposta datação quinhentista. Porém, este torreão foi demolido em 2000, perdendo-se assim um dos mais interessantes elementos estéticos do conjunto.
O último corpo levanta-se no centro da estrutura principal, e era ligeiramente avançado em relação ao torreão. Possui cobertura em telhado de duas águas, e sob a empena triangular destaca-se a janela, de verga trilobada, e pintada de azul, que parece constituir o mais característico elemento manuelino do imóvel (e o único ainda reconhecível). No vão interior existem ainda dois bancos-conversadeiras, com assentos de cantaria, certamente contemporâneos da ombreira. Os vãos do corpo térreo são de verga recta, sem qualquer elemento decorativo, mas os perdidos janelões do torreão teriam igualmente cantarias quinhentistas, pintadas no mesmo azul.
Embora em avançado estado de degradação, no final da década de noventa do século XX era ainda possível encontrar nesta casa algumas das suas características originais, que justificavam a tentativa de lhe conceder protecção legal. A perda do torreão soma-se ao acentuar do estado de ruína, hoje quase total, e ainda ao avanço das urbanizações contíguas, que nos últimos anos cercaram o imóvel, ocasionando a perda de qualquer vestígio da primitiva ambiência rural, e prejudicando imensamente a leitura do conjunto. SML
Diploma de Classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Número do Processo
Não disponível