Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizada em Panóias, junto à estrada que liga Braga a Prado, a Casa da Mainha é um solar edificado no último quartel do século XVII por Lourenço Fernandes da Silva.
Desenvolvendo-se em planta retangular, a casa apresenta um programa de gosto maneirista, onde a austeridade do conjunto é ritmada pela harmonia das fachadas, todas elas marcadas pela abertura simétrica de fenestrações. A habitação integra uma propriedade agrícola, precedida por portão com frontão de armas e rodeada por um extenso jardim de buxo com fontes, anexos agrícolas e um pombal.
A fachada principal situa-se num dos topos da casa, com porta de entrada de moldura reta precedida por uma imponente escadaria de granito com corrimão de volutas, delimitada por pilastras com pináculos. A fachada posterior, também precedida por escadas, abre para um alpendre com varanda envidraçada. Uma das fachadas laterais integra o pombal, edificado no século XVIII, bem como um alpendre e varanda com guarda de rótulas de madeira.
O espaço interior obedece à divisão funcional das casas senhoriais seiscentistas, com o piso térreo destinado às dependências de serviço e o superior reservado para as salas nobres, cobertas por teto em masseira, que na Casa da Mainha são intercomunicantes.
Destaca-se ainda o oratório privativo da casa, construído em 1804, que integra um retábulo de madeira (Ferreira: 1980).
História
A herdade da Mainha integrou, até ao século XIV, um couto do Mosteiro de Tibães, um dos maiores proprietários de terras no Alto Minho medieval. Na centúria de Trezentos os monges fizeram grandes doações das suas terras situadas na freguesia de Panóias, entre elas a herdade onde seria edificada a Casa da Mainha, descrita na centúria seguinte como um edifício sobradado (Oliveira: 1974, p. 97). No século XVI, a propriedade passou para a pertença do capitão de ordenanças do Couto de São Martinho de Tibães.
No último quartel do século XVII, Lourenço Fernandes da Silva, que ocupava o posto de capitão de ordenanças do mosteiro na época, mandou restruturar e ampliar a velha casa da Mainha. Foi então edificado o solar maneirista que hoje existe na propriedade, sendo também plantado, na mesma época, o jardim de buxo que rodeia a casa. O peculiar pombal, colocado numa das fachadas laterais da habitação, data do século XVIII, e na centúria de Oitocentos os proprietários mandaram edificar o oratório.
A Casa da Mainha foi classificada como de interesse municipal em 2013, pelo seu valor estético intrínseco e conceção arquitetónica, por ser testemunho simbólico e de vivências e por refletir a memória coletiva local.
Catarina Oliveira
DGPC, 2016
(em colaboração com a CM Braga)
Diploma de Classificação
Edital n.º 62/2013 de 6-06-2013 da CM de Braga
Anúncio n.º 13501/2012, DR, 2.ª série, n.º 190, de 1-10-2012 (ver Anúncio)
Despacho de arquivamento de 14-03-2012 do diretor-geral da DGPC
Nova proposta de arquivamento de 21-02-2012 da DRC do Norte
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Parecer de 19.03.2007 do Concelho Consultivo do IPPAR a propor o arquivamento e o envio do processo à autarquia para a ponderação da classificação como de IM
Proposta de arquivamento de 7-09-2005 da DR do Porto do IPPAR, por não terem valor nacional
Despacho de abertura de 17-11-1993 do presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 28-10-1993 da DR do Porto do IPPAR
Proposta de classificação de 16-01-1992 da ASPA
Número do Processo
Santa Maria de Panóias