Nota Histórico-Artistica
Não se conhece a data da instituição da Misericórdia de Vila Nova de Cerveira, muito embora se pense que tal possa ter ocorrido no final do século XVI. Na verdade, o primeiro Livro de Receitas e Despesas conhecidos remonta a 1605, mas falta-lhe o caderno inicial que corresponde a um período de dez anos, razão pela qual se tem aceite o ano de 1595 como o da fundação da confraria (DIOGO, 1979, p. 15; FONTE, 2001, p. 102).
A construção da igreja, com sacristia e sala anexa, ocorreu já no século XVII, implantando-se no interior das muralhas da vila como, aliás, era apanágio das Misericórdias, que procuravam os locais mais próximos dos centros de poder. Desenvolve-se em planta longitudinal, com nave única e capela-mor rectangular, mas com portal principal no alçado lateral, tal como acontece com outras duas igrejas do distrito -Viana do Castelo e Valença (NOÉ, 2002). Uma situação que, à semelhança de Viana, deverá ser compreendida no contexto da malha urbana da vila.
Neste alçado, as pilastras, encimadas por urnas, definem dois panos correspondentes, no interior, à nave e à capela-mor, ambas da mesma largura e da mesma altura. O portal, com pilastras toscanas coroadas por urnas, é rematado por frontão curvo interrompido pelas armas de Portugal e coroa real. Ladeia o portal um outro vão de verga abatida, abrindo-se, no registo superior, três janelas também de verga em arco abatido. No pano da capela-mor, e para além do janelão, encontra-se a sineira.
No interior, com coro alto assente sobre arco abatido, ganha especial importância a capela do Ecce Homo, elevada em relação à nave, e para a qual se abre através de arco de volta perfeita. O seu tecto pintado exibe a representação dos quatro evangelistas e, ao centro, um pelicano, símbolo da caridade. Esta iconografia repete-se na capela-mor, mas com a Santíssima Trindade como motivo central.
O arco triunfal, de volta perfeita, é decorado por elementos de talha dourada, que envolvem os retábulos colaterais, de talha dourada e branca. Esta, corresponde já à campanha decorativa do século XIX, que desde 1814 e até 1820, ano da benção do novo retábulo, foi responsável pela remodelação total do interior do templo. Durante este período, o antigo retábulo, executado pelo pintor Filipe Cerveira aquando da edificação do templo, foi apeado e as tábuas que o constituíam encontra-se hoje na sacristia. O retábulo actual é, tal como a restante talha, neoclássico, exibindo na tribuna a tela alusiva à Visitação.
A Misericórdia de Vila Nova de Cerveira adoptou, desde cedo, o Compromisso de Lisboa de 1618, pelo qual se regia. Dispunha de Hospital desde 1857, e prestava o habitual auxílio aos mais desfavorecidos que era o fundamento destas instituições, aplicando o dinheiro em encargos pios, festividades, bens de alma dos irmãos falecidos, e reparação dos seus edifícios (FONTE, 2001, p. 116).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma) , alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Número do Processo
Não disponível