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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Mosteiro de Santa Maria de Salzedas

Arquitectura Religiosa / Mosteiro - Itinerário de Cister

Designação
Designação Atual
Mosteiro de Santa Maria de Salzedas
Outras Designações
Mosteiro de Santa Maria de Salzedas (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Cerca do Mosteiro de Salzedas (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Mosteiro - Itinerário de Cister
Itinerário Temático
Itinerários de Cister
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado numa pequena povoação, a meia encosta de um vale por onde correm os rios Torno e Varosa, o Mosteiro de Santa Maria de Salzedas encontra-se ainda hoje inserido num território de grande interesse paisagístico.
Sujeito a diversas campanhas de obras ao longo dos séculos, sobretudo no tempo de D. João III, foi, contudo, nos sécs. XVII e XVIII que o conjunto assistiu à sua mais profunda remodelação, dela resultando a atual fachada da igreja, a reforma estilística do seu interior, bem como a reconstrução dos claustros. Na sequência da extinção das Ordens Religiosas (1834), seria a vez dos monges abandonarem definitivamente as suas instalações, enquanto nos sécs. XIX e XX se procedeu à desamortização parcial dos bens monásticos, altura em que um particular adquiriu a cerca e parte do conjunto construído.
Como consequência deste conjunto de ocorrências, chegaram até nós raríssimos vestígios da sua primitiva construção, sendo apenas possível visualizar uma pequena capela absidal localizada no braço norte do transepto. Pode-se, assim, afirmar que o conjunto existente resulta quase em exclusivo das obras realizadas entre os sécs. XVI e XVIII, quando se construíram os dois claustros subsistentes, se remodelou o espaço interior da igreja, com a destruição da primitiva abside e absidíolos, e se refez por completo a fachada.
O edifício, de planta cruciforme, é constituído por três naves de cinco tramos, um transepto saliente e cinco capelas absidais escalonadas. Exteriormente, a sensação transmitida é de imponência, apresentando-se o seu alçado principal de setecentos, com três amplas portas ao nível térreo, sobre as quais se abre idêntico número de janelas. Encontram-se, no entanto, inacabadas as suas torres laterais devido ao início das invasões napoleónicas.
Do conjunto é de destacar a Sacristia com a sua abóbada de aresta assente em duas pilastras, mobiliário setecentista e alguns quadros alegóricos da vida de S. Bernardo; a Sala do Capítulo com os seus painéis azulejares seiscentistas, o corpo da hospedaria, com a antiga residência abacial, para além de dois claustros resultantes das campanhas de obras quinhentistas e seiscentistas.
Entre 2010-2011a Direção Regional de Cultura do Norte promoveu uma profunda ação de reabilitação tanto da ala nascente do mosteiro que originalmente correspondia à noviciaria (sécs. XVII-XVIII), como da zona dos claustros: "Claustro da Colação" (séc. XVII) e "Claustro do Capítulo" (séc. XVIII). O projeto integrou ainda outras componentes tais como: receção, auditório, sala de exposições temporárias, loja e estruturação de um percurso de visita.
Procedeu-se ainda ao restauro do mobiliário e pintura da sacristia bem como de um conjunto de outras obras, perfazendo um total de 32 quadros destacando-se, entre eles, as pinturas de Vasco Fernandes (Grão Vasco), Bento Coelho da Silveira e Pascoal Parente. De assinalar ainda o restauro de peças de escultura, ourivesaria, livros e pintura mural, para além da investigação histórica de todo o conjunto.

História
O Mosteiro de Salzedas esteve inicialmente ligado a uma abadia de monges cistercienses localizada em Argeriz (Abadia Velha), situada a apenas 1,5 km de Salzedas, edifício este que nunca chegou a ser concluído. Ambas as casas se relacionam com a figura de D. Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz que, desde 1135, possuía propriedades no termo de Argeriz (doação de D. Afonso Henriques) e em Salzeda, nome utilizado na época. A propriedade de Salzeda foi entregue por D. Teresa aos cisterciences de Claraval para que nela fundassem uma nova abadia, iniciando-se, em 1168, as obras de construção do conjunto monástico que viu a sua igreja sagrada em 1225, abandonando-se, definitivamente, a construção da antiga abadia hoje classificada como IIP: "Ruínas românicas no local de Abadia Velha".

Paulo Fernandes/IPPAR/2006. Atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2018.
Diploma de Classificação
Decreto n.º 31-I/2012, DR, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ampliou a área classificada e alterou a designação para "Mosteiro de Santa Maria de Salzedas") (ver Decreto)
Despacho de homologação de 3-09-2009 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 11-07-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 26-04-2007 da DR do Porto do IPPAR para a classificação do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas como MN
Despacho de 18-07-2004 do vice-presidente do IPPAR a determinar a abertura do processo para reclassificação como MN
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (reclassificou como MN (ver Decreto)
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (classificou como IIP a "Igreja de Salzedas, incluindo as tábuas quinhentistas, uma imagem da Virgem, em prata, um contador de sacristia semelhante ao do Mosteiro do Bouro, o cadeiral e todo os elementos de valor artístico ainda existentes, a Sala do Capítulo, forrada de azulejos do século XVII, a Capela do Desterro, revestida de azulejos do século XVII, e os jardins anexos") (ver Decreto)
Número do Processo
O monumento encontra-se em Salzedas, e foi edificado sobre o rio Torno, a meia-encosta, tendo uma presença preponderante na paisagem. Existe ainda o lagar de azeite e a antiga tulha, e situada um pouco mais adiante, integrando ainda o conjunto, a capela do Desterro, que se ergue na área identificável com a antiga cerca. A povoação de Salzedas é um núcleo urbano com valor e que tem sido razoavelmente estimado, exibindo vários edifícios de interesse bem tratados.
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 291/2014, DR, 2.ª série, n.º 83, de 30-04-2014 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 3-09-2009 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 11-07-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 26-04-2007 da DR do Porto
Afectação 9914631
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viseu / Tarouca / Salzedas
Praça António Pereira de Sousa
Salzedas -
Polícia:
LATITUDE
41.054309
LONGITUDE
-7.724675
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1135
1135, possuía propriedades no termo de Argeriz (doação de D. Af
1168
1168, as obras de construção do conjunto monástico que viu a sua igreja sagrada em 1225, abandonando-se, definitivame...
1225
1225, abandonando-se, definitivamente, a construção da antiga abadia hoje classificada como IIP: "Ruínas românicas no...
1834
1834), seria a vez dos monges abandonarem definitivamente as suas instalações, enquanto nos sécs. XI
1978
1978 (classificou como IIP a "Igreja de Salzedas, incluindo as tábuas quinhentistas, uma imagem da Virgem, em prata, ...
1997
1997 (reclassificou como MN (ver Decreto) Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (classificou como II...
2004
2004 do vice-presidente do IPPAR a determinar a abertura do processo para reclassificação como MN Decreto n.º 67/97, ...
2006
2006.
2007
2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
2009
2009 do Ministro da Cultura Parecer favorável de 11-07-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
2010
2010-2011a Direção Regional de Cultura do Norte promoveu uma profunda ação de reabilitação tanto da ala nascente do m...
2012
2012, DR, 1.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (ampliou a área classificada e alterou a designação para "Mo...
2018
2018.
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Arqueologia dos espaços cistercienses no Vale do Douro", Cister no Vale do Douro, pp.189-242 TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes Edição 1999 Porto

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