Nota Histórico-Artistica
Muito embora a actual configuração da Casa dos Laranjais resulte da campanha arquitectónica levada a cabo no decorrer do século XVIII, é evidente a integração de elementos provenientes de construções anteriores, bem como a persistência de determinados modelos, que contribuem para o carácter excepcional desta construção.
Tal é o caso da torre, rematada por merlões e com uma gárgula no cunhal, que exibe uma lápide com a data de 1654, época em que terá sido levantada, seguindo o modelo da denominada casa-torre medieval, que foi "o primeiro tipo evoluído da residência nobre portuguesa" (AZEVEDO, 1988, p. 55), e que se manteve ao longo dos séculos, principalmente no norte do país. Construída de raiz, ou apenas parcialmente recuperada nesta data, a torre não deixa de se impor na malha urbana da cidade, recordando os tempos medievais, e o poder de quem nela habitava.
Do período manuelino restam duas portas, inscritas na fachada Este do corpo anexo à torre. Estas, revestem-se de importância acrescida, dado que em Guimarães, e à excepção da Casa da Câmara, são praticamente inexistentes os vestígios de edificações manuelinas. Todavia, trata-se de uma campanha relativamente modesta, que reflecte o reduzido surto construtivo da época de D. Manuel nesta cidade, contrariamente ao que acontecia em localidades costeiras, de forte dinâmica económica e social, como Viana do Castelo.
A última campanha arquitectónica remonta ao século XVIII, quando era senhor da Casa Torcato de Barros de Faria. Este foi responsável pelas modificações e acrescentos introduzidos, principalmente ao nível do corpo do edifício, e que reflectem os conceitos habitacionais setecentistas, patentes na regularidade da planta e dos alçados. É perceptível a procura de estabilidade e o desenvolvimento horizontal da Casa, da qual resulta uma fachada relativamente longa, de dois pisos, o último dos quais apresentando tratamento privilegiado, como a grande maioria dos andares nobres deste período.
Muito embora a torre exiba a lápide com a data de 1654, é possível que Torcato de Barros de Faria tenha efectuado obras nesta área em 1720, segundo consta num documento existente na Biblioteca Pública do Porto, referido no Processo de Classificação do imóvel ( IPPAR/DRP, 1994).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Despacho de arquivamento de 11-04-2011 do diretor do IGESPAR, I.P., por superveniência da protecção legal já estabelecida
Proposta de arquivamento de 30-03-2011 da DRC do Norte, por estar incluído no Centro Histórico de Guimarães, inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO, que, ao abrigo do n.º 7 do art.º 15.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro, se encontra classificado como MN (ver Lei)
Procedimento prorrogado até 31-12-2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30 de Dezembro (ver Despacho)
Informação de 10-10-1994 da CM de Guimarães, considerando que o imóvel podeia ser classificado como VC
Despacho de abertura de 21-04-1989 do vice-presidente do IPPC
Proposta de abertura de 19-04-1989 do IPPC
Proposta de classificação de 14-03-1989 da proprietária
Número do Processo
Não disponível