Nota Histórico-Artistica
Embora muito alterada ao longo dos séculos, devido às necessárias actualizações técnicas, a Quinta do Campo é a única granja do Mosteiro de Alcobaça que perdurou, conservando-se até aos nossos dias (cf. Paulo Martins, Proc. de Class., IPPAR/DRL). As construções que hoje aí se observam remontam a períodos distintos, mas à excepção da casa de habitação e de outras edificações mais recentes, o conjunto de cariz utilitário é o que servia os monges em 1834, apenas tendo sido objecto de intervenções de restauro.
As origens desta vasta área cultivável conhecida como Granja do Valado está documentada desde o século XIII, fazendo-se recuar a instalação dos religiosos cistercienses ao final da centúria anterior (PEDRO; JOSÉ; SOUSA, 1988). A presença dos monges brancos, com os seus consideráveis conhecimentos agrícolas e de hidráulica, permitiu desenvolver toda esta vasta propriedade. Para tal, foi drenado o paúl do Valado, e mais tarde, já no âmbito das reformas pombalinas, o trabalho foi continuado por Frei Manuel de Mendonça, o que possibilitou o aumento da área a cultivar, facto que, muito possivelmente, estava na origem da alteração do nome de Granja do Valado para Quinta do Campo (NATIVIDADE, 1944, p. 50; Paulo Martins, Proc. de Class., IPPAR/DRL). No século XIV a Quinta funcionava já como Escola de Hidráulica Agrícola, e os colonos que trabalhavam nos coutos eram instruídos sobre a melhor forma de o fazerem, sendo-lhes fornecidos os equipamentos e sementes necessários. Assim se manteria até à extinção dos conventos, embora dos edifícios medievais pouco ou nada reste, uma vez que a intervenção pombalina veio melhorar os anteriores equipamentos.
Desta vertente agrícola da Quinta são testemunho os edifícios que formam o pátio, desenhando um U fechado pela actual casa de habitação. Trata-se da adega, dos celeiros e das cavalariças, que se pautam por uma arquitectura depurada, com fachadas marcadas pela abertura de janelas de linhas rectas e portas de verga curva, sem qualquer decoração, e acesso ao andar superior por escadas externas.
Os monges que permaneciam na Quinta viviam, certamente, no convento de reduzidas dimensões que se erguia onde hoje está a casa, dispondo ainda de uma pequena capela. Pouco se sabe sobre a ocupação destes dois espaços, a não ser que, em meados do século XIX se encontravam em ruínas. Ou pelo menos assim o terá entendido o proprietário, o espanhol Manuel Yglésias que, depois da extinção das ordens religiosas, mandou demolir o edifício conventual e o templo. Em sua substituição ergueu, cerca de 1850/60, a casa de habitação, sob a orientação de um técnico francês sobre o qual não se conhecem mais dados (Paulo Martins, Proc. de Class., IPPAR/DRL).
De planta rectangular, a casa apresenta uma longa fachada caracterizada pela simetria na abertura dos vãos de ambos os pisos - janelas de linhas rectas que alternam com três portas no piso térreo e apenas janelas no andar superior. Ao centro, e a marcar o eixo, uma mansarda. No alçado posterior, mantém-se a mesma simetria, abrindo-se para um jardim onde se encontra uma construção circular que é um miradouro com vista sobre a várzea.
Actualmente a funcionar como Turismo de Habitação, foi necessário acrescentar e remodelar, a Sul, algumas dependências da Quinta para melhor cumprir as suas novas funções. Procurou-se, no entanto, conservar a estrutura espacial, orgânica e funcional cisterciense, sendo que o sistema hidráulico de controlo das marés e da salubridade das águas se mantém em aparente bom estado (IDEM).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 1276/2005, DR, II Série, n.º 243, de 21-12-2005 (ver Portaria)
Edital N.º 145/2003 de 28-10-2003 da CM da Nazaré
Despacho de homologação de 26-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 23-10-2001 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como IIP
Edital N.º 123/99 de 26-11-1999 da CM da Nazaré
Despacho de abertura de 13-08-1998 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 10-07-1998 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução de processo de classificação
Nova proposta de classificação, de 16-06-1998 da proprietário
Proposta de classificação de 2-04-1993 da proprietária