Construída possivelmente no início do século XVII, a Capela dos Girões foi edificada como templo particular da família Beltrão no espaço adjacente ao solar onde habitavam, tendo como orago São Luís Beltrão. No entanto, a capela só viria a ser benzida pelo pároco da freguesia em 1715. A partir de 1934 o pequeno templo passaria a servir o Seminário de São José, fundado nesse mesmo ano em Sobral Pichorro e instalado no solar dos Beirões. Actualmente a igreja encontra-se fechada ao culto, sendo visível o estado de degradação em que se encontra.
A estrutura chã da Capela dos Girões denuncia o conhecimento da arquitectura maneirista de raiz classicizante, enquanto o seu programa decorativo apresenta inequívocas influências nórdicas. A fachada do templo, delimitada por dois contrafortes, possui ao centro portal de moldura rectangular, encimado por friso saliente e janela quadrada. A fachada é rematada por cornija e pináculos nos ângulos. Do lado direito foi colocada a sineira, decorada por motivos geométricos e rematada por cruz e pináculos. Uma guarda de ferro delimita um pequeno átrio fronteiro ao portal principal. As fachadas posterior e lateral direita estão adossadas ao edifício do Seminário de São José, e a fachada lateral esquerda apresenta dois panos divididos por pilastras com capitéis decorados por motivos geométricos esculpidos em baixo relevo.
O interior da capela, de nave única, tem coro-alto de madeira e não possui capela-mor autónoma. Ao fundo da nave foi colocado retábulo de talha de estilo nacional com imagem do padroeiro ao centro. O espaço é coberto por abóbada de berço abatido em madeira, dividida em caixotões pintados com figuração hagiológica.
A Capela dos Girões demonstra bem a actualidade de gosto dos seus encomendantes e do mestre que a concebeu. Construída numa zona periférica, longe dos centros artísticos predominantes em Portugal no início do século XVII, apresenta um modelo arquitectónico erudito, cuja estrutura é inspirada na tratadística italiana de raiz clássica, conjugando-se com um programa decorativo derivado das gravuras flamengas, que na época circulavam por toda a Europa e eram explorados pela arquitectura maneirista.
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 16 de Junho de 2004
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 27-03-1971 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar
Novo parecer de 19-03-1971 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Despacho de homologação de 31-03-1970 do Subsecretário de estado da Administração Escolar
Parecer de 9-04-1969 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
ZEP
n/a
Afectação
9914630
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Guarda / Fornos de Algodres / Sobral Pichorro e Fuinhas
- -
Sobral Pichorro -
Polícia:
LATITUDE
40.692581
LONGITUDE
-7.45985
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1715
1715.
1934
1934 o pequeno templo passaria a servir o Seminário de São José, fundado nesse mesmo ano em Sobral Pichorro e instala...
1969
1969 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP Construída possivelmente no início do sé...
1970
1970 do Subsecretário de estado da Administração Escolar Parecer de 9-04-1969 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a...
1971
1971 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar Novo parecer de 19-03-1971 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da...
1977
1977 (ver Decreto) Despacho de homologação de 27-03-1971 do Subsecretário de Estado da Administração Escolar Novo par...
2004
2004
0
IMAGENS
1
BIBLIOGRAFIAS
Acesso Móvel
Aponte a câmara do telemóvel para aceder a esta
ficha no
imediato.