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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela da Misericórdia de Murça

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela da Misericórdia de Murça
Outras Designações
Capela da Santa Casa da Misericórdia de Murça (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A história da capela de Nossa Senhora da Conceição encontra-se intimamente ligada à história da Misericórdia de Murça, reflectindo o conturbado percurso que esta confraria conheceu desde o século XVII, entre os quais se destaca o prolongado interregno das suas actividades regulares, entre os meados do século XVIII e o início da centúria de Oitocentos.
Não se conhece o ano da fundação da Misericórdia, mas o portal da capela está datado de 1692, o que faz recuar a sua instituição a uma época anterior, balizando-se a construção do templo entre o final do século XVII e as primeiras décadas do século XVIII. Isto porque, num documento endereçado pela confraria a D. João V, com data de 8 de Maio de 1717, onde se solicitam os privilégios que os reis habitualmente concediam a estas instituições para a capela e hospital que então estavam a ser fundados, refere-se que a confraria tinha por sede uma capela na igreja matriz. Percebemos, assim, que em 1717 a capela de Nossa Senhora da Conceição não se encontrava, ainda, disponível; facto que revela um logo tempo de obras, possivelmente motivado por dificuldades financeiras.
Na verdade, por estes anos foi instituído um vínculo a favor da Misericórdia por Fernando Borges Leitão, D. Madalena de Faria e José de Sá Carneiro, que depressa se tornou a principal fonte de financiamento da confraria. A capela encontrava-se definitivamente concluída em 1746, pois assim o indica o registo de casamento dos descendentes de um dos instituidores do vínculo. Nas décadas seguintes, a história da Misericórdia foi bastante atribulada, tendo desaparecido no decorrer da primeira metade do século XVIII, mas retomando a sua actividade no início da centúria seguinte, e nunca perdendo a ligação estreita à família dos instituidores.
Ao longo do século XIX há notícias da forte degradação que atingia a capela, criando-se, mesmo, uma comissão de salvaguarda. Esta solução parece não ter conhecido grande repercussão, pois as referências da centúria seguinte mantêm as críticas em relação ao estado de conservação do imóvel.
A capela destaca-se na envolvência urbana pela cenográfica fachada barroca, profusamente decorada. O portal, de linhas rectas, é flanqueado por pilastras e por dois pares de colunas torsas com pâmpanos e aves esculpidas, unidos por um friso de motivos geométricos, que suporta o frontão de aletas. Este, é interrompido, ao centro, pelo brasão dos Condes de Murça, aí colocado no século XIX. No tímpano do frontão que coroa o alçado, a imagem de Nossa Senhora da Conceição recorda a invocação da capela. Na cartela do lado direito pode ler-se uma citação do Livro do Génesis, 28, 10-17: "QUAM TERRIBILIS EST LOCUS ISTE: HIC DOMUS DEI EST ET PORTA COELI " ou seja, Que terrível é este lugar! Aqui é a casa de Deus, aqui é a porta do céu.
No interior, a nave única apresenta abóbada pintada a fresco (onde se distingue a figura do Rei David), púlpito, e cadeirais de madeira para os mesários, com espaldar esculpido e pintado. De cada lado, dois arcos de volta perfeita delimitam as capelas, com retábulos de talha dourada, de tribuna pintada. A zona da cabeceira é definida por uma composição de cantaria que recorda uma estrutura retabular e engloba, num primeiro registo, a capela-mor, com retábulo de talha dourada, e duas aberturas laterais encimadas por nicho com imagens. Sobrepõe-se-lhe um outro arco de volta perfeita, idêntico ao da capela-mor, e outras duas aberturas laterais, fechadas por painéis. Ao centro, encontramos, novamente, o brasão dos Condes de Murça, que fizeram questão de ostentar a sua importância e poder através da constante aposição de símbolos heráldicos.
Para além da igreja, este edifício compreende, ainda, a sacristia e a Casa do Despacho.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 22051577
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Vila Real / Murça / Murça
Rua Alfredo Pinto
Murça -
Polícia:
LATITUDE
41.403462
LONGITUDE
-7.454962
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1692
1692, o que faz recuar a sua instituição a uma época anterior, balizando-se a construção do templo entre o final do s...
1717
1717, onde se solicitam os privilégios que os reis habitualmente concediam a estas instituições para a capela e hospi...
1746
1746, pois assim o indica o registo de casamento dos descendentes de um dos instituidores do vínculo.
1974
1974 (ver Decreto) A história da capela de Nossa Senhora da Conceição encontra-se intimamente ligada à história da Mi...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Murça: património artístico AUGUSTO, Marcelino Edição 1999 Mirandela
Murça. História, gentes, tradições FERNANDES, J. L. T. Edição 1985 Murça

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