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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja da Misericórdia de Penafiel

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja da Misericórdia de Penafiel
Outras Designações
Antiga Sé Catedral de Penafiel / Edifício e Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel / Museu de Arte Sacra da Misericórdia de Penafiel (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Com existência conhecida desde o século XVI (ABREU, 2002, p. 48), e sediada na capela em frente da matriz, a Misericórdia de Penafiel apenas beneficiou de igreja própria na segunda década do século XVII. A sua edificação deve-se à iniciativa do padre Amaro Moreira, cujas doações e legados pios permitiram fortalecer a Irmandade e construir uma nova igreja (no denominado rossio das Chãs), na qual foi sepultado (na capela-mor). As obras tiveram início na década de 1620, estando concluídas, muito possivelmente, em 1631, data que figura numa inscrição patente na capela-mor, que nos informa ainda da dotação de Amaro Moreira (SOEIRO, 1994, p.48). O partido arquitectónico adoptado é, de alguma forma, ambíguo, e ainda que se possa inscrever numa linguagem maneirista, motiva análises como a seguinte: "a igreja da Misericórdia corresponde a uma tipologia de austeridade, fiel à traça sem estilo, (...) que imperou pelo país desde o início da década de 60 do séc. XVI, com a tendência gradual para o predomínio das ordens dórica e toscana. Trata-se de um edifício assumido na sua forma chã, mesclado de elementos eruditos, no qual a gramática clássica se articula segundo uma estética de liberdade" (GARCIA, 2001, p.6). O seu frontispício, concebido como um retábulo, inscreve-se nas denominadas fachadas-retábulos. É delimitado por pilastras, nos cunhais, que acentuam a sua verticalidade, sendo que a do lado direito separa o alçado da torre sineira, setecentista, que se eleva bem acima da linha da empena, terminando numa cúpula bolbosa, revestida por azulejos. No interior, a nave única e a capela-mor, alta e bastante profunda, são articuladas pelo arco triunfal, flanqueado por pilastras e encimado por frontão triangular. Na capela-mor, o tecto é em caixotões de cantaria, numa composição de linguagem seiscentista, tal como o arcosólio onde se inscreve o túmulo de Amaro Moreira e seus descendentes. O património integrado que hoje podemos observar neste interior é muito posterior, remontando na sua grande maioria ao final do século XVIII e inícios da centúria seguinte, e substituído os originais de época barroca. A linguagem aqui presente é já neoclássica, conhecendo-se os nomes dos entalhadores responsáveis pela execução dos retábulos (SOEIRO, 1994, p.54).
Recuando alguns anos, importa referir uma das obras mais significativas de que o templo foi alvo, pois denuncia não apenas a importância da actualização estética do imóvel, e a adaptação às alterações urbanísticas do espaço envolvente, mas também o respeito pelo património construído e a aposição de um elemento que, no entanto, alteraria por completo a leitura do imóvel. Com o crescimento de Penafiel, a malha urbana envolveu a igreja, reduzindo significativamente o espaço fronteiro à fachada principal. Assim, foi decidido levantar um novo frontispício, virado para a praça, e que corresponderia ao corpo da nave e capela-mor do lado da Epístola. Esta imponente fachada, que seria flanqueada por torres, foi licenciada pela Câmara em 1764, mas as obras interromperam-se em 1769 por manifesta falta de recursos e algumas irregularidades (IDEM, p.50). Dez anos mais tarde os trabalhos deveriam ter sido retomados, mas uma polémica entre a Irmandade e a Câmara devido às licenças necessárias, impediu que tal acontecesse, e o caso apenas foi resolvido em 1780, pelo Desembargo do Paço, a favor da Misericórdia. Todavia, a obra nunca foi concluída, e o que hoje observamos é apenas uma parte da monumental fachada projectada. De linhas e elementos decorativos rocaille, o alçado desenvolve-se em planta contracurvada, que destacam a composição central formada pela porta, nicho e óculo, flanqueada pelos cunhais onde se abrem os nichos. Ao lado, ergue-se a capela da Senhora da Lapa, de linhas menos eruditas, e edificada em substituição da parte da fachada que ficou por levantar. Da mesma época deverá ser, ainda, a capela do Senhor dos Passos, na cabeceira da igreja. (RC)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 22051577
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Penafiel / Penafiel
Largo da Misericórdia
Penafiel -
Polícia:
LATITUDE
41.20648
LONGITUDE
-8.283655
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1620
1620, estando concluídas, muito possivelmente, em 1631, data que figura numa inscrição patente na capela-mor, que nos...
1631
1631, data que figura numa inscrição patente na capela-mor, que nos informa ainda da dotação de Amaro Moreira (SOEIRO...
1764
1764, mas as obras interromperam-se em 1769 por manifesta falta de recursos e algumas irregularidades (IDEM, p.50).
1769
1769 por manifesta falta de recursos e algumas irregularidades (IDEM, p.50).
1780
1780, pelo Desembargo do Paço, a favor da Misericórdia. T
1982
1982 (ver Decreto) Com existência conhecida desde o século XVI (ABREU, 2002, p. 4
1994
1994, p.48).
2001
2001, p.6).
2002
2002, p.
0
IMAGENS
5
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Retábulos das Misericórdias Portuguesas LAMEIRA, Francisco Edição 2009 Faro
Penafiel SOEIRO, Teresa Edição 1994 Lisboa
"As Misericórdias de D. Filipe I a D. João V", Portugaliae Monumenta Misericordiarum - fazer a história das Misericórdias, vol. 1, pp. 47-77 ABREU, Laurinda Edição 2002 Lisboa
"A clássica arquitectura de Penafiel. O caso da igreja da Misericórdia!", CD Actas das Jornadas de Estudo As Misericórdias como Fontes Culturais e de Informação, Outubro de 2001 GARCIA, Isabel de Bessa Edição 2002 Penafiel
A Misericórdia de Penafiel - a igreja e uma pintura antiga CEPÊDA, Augusto Abreu Lopes Edição 1990 Penafiel

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