Nota Histórico-Artistica
Composta por volumes diferenciados que desenham um L aberto para um vasto terreiro antecedido por portal ameado, a Casa de Arcouce é bem um exemplo das diversas intervenções que os edifícios habitacionais são objecto ao longo dos séculos, e que transformam a sua arquitectura, adaptando os imóveis às necessidades dos sucessivos proprietários.
A mais antiga referência sobre a Casa remonta a 1612, sabendo-se que aqui faleceu, em 1659, António Jorge Gomes, o primeiro senhor de Arcouce de que há notícia (SILVA, 1958, p. 285).
O imóvel que hoje conhecemos é, muito possivelmente, uma construção mais tardia, já do final do século XVIII ou inícios do XIX, integrando e recuperando a casa anterior. Na verdade, só a partir do nascimento de Francisco Carlos de Azeredo Pinto e Melo, em 1790, é que encontramos as famílias presentes da pedra de armas da fachada, facto que deverá indiciar uma campanha de obras de maior vulto.
Em todo o caso, é difícil determinar com exactidão os trabalhos e respectiva cronologia, uma vez que a documentação apenas refere as campanhas arquitectónicas mais próximas. É o caso da capela, dedicada a Santo António e mandada erguer, em 1814, por D. Rosa Joaquina de Freitas, herdeira da propriedade, e viúva de António de Azeredo de Araújo e Melo, falecido em 1800 (IDEM, p. 286).
Mais recentemente, já no século XX, Francisco Carlos de Azeredo Pinto e Melo e Leme, nascido nesta Casa a 6 de Outubro de 1900, introduziu novas alterações, recuando a capela.
A entrada principal efectua-se através da fachada que faz ângulo com o frontispício do templo, e ao qual se acede através das escadas de lanço único, com guarda de volutas. A porta é de verga recta, e ao lado abre-se uma janela de avental trabalhado. Entre ambas, o brasão da família ocupa um lugar de destaque: trata-se de um escudo esquartelado, no 1º quartel, Azeredos; no 2º, Pintos; no 3º, Araújos; e no 4º, Melos. A capela, tal como a casa, apresenta pilastras nos cunhais, encimadas por pináculos. O portal é abatido, abrindo-se na zona superior do alçado, que termina em empena, um óculo quadrilobado.
Nas restantes fachadas, com vãos simétricos e de linhas rectas com aventais trabalhados ao nível do andar nobre, merece especial referência o corpo ameado, e o alçado que se abre a Norte, com varanda alpendrada sustentada por colunas torsas.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível