Nota Histórico-Artistica
No centro histórico da Guarda e em pleno recinto muralhado da cidade, junto ao adro da igreja de S. Vicente, ergue-se um austero edifício de três pisos, em cuja fachada, revestida a cantaria de granito mas provavelmente caiada na origem, se destaca um interessante janelão quinhentista. Segundo algumas tradições, este edifício teria sido o Paço Episcopal medieval, palco do assassinato do Bispo D. Álvaro de Chaves por um seu criado, que o terá lançado à rua de uma janela. Ainda que esta associação não esteja comprovada, a janela quinhentista mantém-se no imaginário local como referência irresistível ao célebre episódio.
A janela quinhentista, único elemento classificado do imóvel, rasga-se ao centro do segundo registo da fachada, voltada para a antiga Rua Direita do burgo medieval, sendo os restantes vãos todos de verga recta e sem decoração. Trata-se de uma elegante moldura em meia-cana, correndo desde o peitoril até ao lintel, onde forma um arco contracurvado e trilobado, rematado com cogulhos. Nas ombreiras, a moldura é delimitada por pequenos e delicados capiteis geometrizantes, e assenta em bases semelhantes, já sobre o peitoril. Entre a moldura e a caixilharia da janela, o intradorso é decorado com motivos renascentistas de candelabros, putti, mascarões, aves e temas vegetalistas. O peitoril possui um medalhão central com efígie, sustentado por grifos alados.
É uma encomenda esclarecida, situada em prédio de uma das principais artérias da Guarda medieval, embora não obrigatoriamente ligada a um dignatário da Igreja. No entanto, a sua feitura terá sido paralela à construção da terceira Sé da Guarda, a decorrer desde finais do século XIV e terminada apenas em pleno século XVI, sendo que este o seu estaleiro, activo durante tanto tempo, terá necessariamente influenciado as opções estéticas da cidade. No caso da presente janela, geralmente dita manuelina, é ainda de salientar que parece possuir semelhanças com a molduração do pórtico da Capela dos Pinas na referida Sé. Caso se possa confirmar uma relação directa entre uma e outra obra, ainda que apenas a nível do executante, poder-se-á situar a sua realização já no reinado de D. João III. SML
Diploma de Classificação
Portaria n.º 146/2013, DR, 2.ª série, n.º 53, de 15-03-2013 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 3-01-2013 da diretora-geral da DGPC
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13596/2012, DR, 2.ª série, n.º 202, de 18-10-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de homologação de 11-05-1978 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 10-05-1978 da COISPCN a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 2-10-1975 de particular
Número do Processo
Não disponível