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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Estação lusitano-romana situada na estrada para o castelo da Póvoa de Lanhoso

Arqueologia / Povoado Fortificado

Designação
Designação Atual
Estação lusitano-romana situada na estrada para o castelo da Póvoa de Lanhoso
Outras Designações
Estação lusitano-romana de Póvoa de Lanhoso / Casa da Cultura / Casa Botica / Castro de Lanhoso / Povoado fortificado de Póvoa de Lanhoso / Estação lusitano-romana, na Estrada para o Castelo de Póvoa de Lanhoso (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Povoado Fortificado
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Foi graças à abertura de uma estrada de acesso ao Santuário da Senhora do Pilar e ao Castelo, executada no fim dos anos trinta do século passado, que se colocaram a descoberto vestígios arqueológicos no sopé do Monte do Castelo, na Póvoa de Lanhoso, a uma altitude de aproximadamente quatrocentos metros, sobranceiros às bacias dos rios Cávado e Ave, em terrenos agrícolas particularmente férteis.

Das escavações conduzidas no local nos anos quarenta resultou a identificação de um povoado fortificado erguido durante a Idade do Ferro, embora encerrando materiais indicadores de períodos ocupacionais anteriores, desde, pelo menos, o Calcolítico, como atesta o espólio recolhido no arqueossítio, do qual fazem parte inúmeros fragmentos cerâmicos deste período.

Tal como sucede noutros povoados de altura enquadrados na denominada "cultura castreja", este castro, classificado em 1948 como "Imóvel de Interesse Público", sob a designação de "Estação lusitano-romana", dispunha de um sistema defensivo, do qual remanescem apenas escassos elementos, com base nos quais se poderá obter uma imagem muito parcelar da realidade inicial, fruto das múltiplas modificações às quais foi sujeito ao longo dos séculos, resultantes, não apenas de acções de destruição explícita, como de reaproveitamento dos seus materiais construtivos para obras de utilidade mais recente, destituído que estaria o povoado da sua utilidade e significado iniciais, uma prática assaz recorrente junto das gentes locais.

Não obstante, foi possível reconhecer um conjunto de alicerces de cinco estruturas domésticas, que se localizariam, à semelhança dos testemunhos congéneres do Noroeste peninsular, no recinto delimitado pelo muralhado interno, de planta circular e rectangular, no interior das quais ainda é possível observar a presença de pavimentos lajeados.

A recolha de materiais efectuada à superfície forneceu apenas fragmentos de tegulae e imbrices, elementos de construção que vêem confirmar uma das realidades mais presentes neste tipo de povoados fortificados de altura: a sua ocupação num segundo período, já em pleno domínio romano do actual território português, ainda que, muito naturalmente, predominem as cerâmicas comuns típicas dos castros da Idade do Ferro desta região do actual território português, a par de artefactos metálicos, com especial referência para dois torques, uma espada de ferro e um capacete de bronze, a revelar, no fundo, o carácter defensivo desta tipologia arqueológica.

Na realidade, esta aparente deferência não deverá surpreender, atendendo, sobretudo, à extensa navegabilidade propiciada pelo rio nesta zona, certamente uma das razões pelas quais várias comunidades da Idade do Ferro a preferiram para edificar os seus povoados de altura. Mas não só, pois outros factores essenciais à vivência quotidiana dos seus habitantes, como a abundância de pequenos cursos hídricos, a fertilidade do solo e a vastidão montanhosa vital para a actividade pastorícia, juntamente com a existência de várias matérias primas, com especial destaque para o minério, terão sido, na verdade, decisivos para a sua ocupação por parte de grupos humanos ao longo dos tempos. Um cenário que seria rapidamente confirmado pela sua reocupação já durante o período medievo, com a edificação de um castelo.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 37 077, DG, I Série, n.º 228, de 29-09-1948 (ver Decreto)
Número do Processo
Situada na estrada para o castelo de Póvoa de Lanhoso
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 9914629
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Localização
Braga / Póvoa de Lanhoso / Póvoa de Lanhoso (Nossa Senhora do Amparo)
Largo Barbosa e Castro
Póvoa do Lanhoso -
Polícia:
LATITUDE
41.586148
LONGITUDE
-8.280989
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1948
1948 (ver Decreto) Foi graças à abertura de uma estrada de acesso ao Santuário da Senhora do Pilar e ao Castelo, exec...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Hallazgo arqueológico notable. Un casco céltico en Portugal", Ampurias TEIXEIRA, C. A. Edição 1941
"Monumentos Nacionais. Seu arrolamento, classificação e protecção, especialmente na parte que se refere a arqueologia", Revista de Guimarães CARDOZO, Mário Edição 1941 Guimarães
"A perda frequente de especímenes preciosos da nossa joalharia arcaica", Revista de Guimarães CARDOZO, Mário Edição 1965 Guimarães
A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal SILVA, Armando Coelho Ferreira da Edição 1986 Paços de Ferreira
"El castro de Lanhoso", Archivo Español de Arqueologia GARCIA y BELLIDO, António Edição 1946 Madrid
"O Castro de Lanhoso e o seu espólio", Congresso do Mundo Português. Memórias e Comunicações Apresentadas ao Congresso da Pré e Proto-História de Portugal TEIXEIRA, Carlos Edição 1940 Lisboa
"Notas arqueológicas sobre o castro de Lanhoso", Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia TEIXEIRA, Carlos Edição 1940 Porto
"Os torques do castro de Lanhoso (Povoa de Lanhoso)", Anais da Faculdade de Ciências do Porto TEIXEIRA, Carlos Edição 1939 Porto
"Cerâmica Castreja", Revista de Guimarães ALMEIDA, C. A. F. de Edição 1974 Guimarães
"Trepando aos Montes", O Distrito de Braga CUNHA, Arlindo Ribeiro da Edição 1975 Braga
O povoamento proto-histórico e a romanização da bacia do médio Cávado Edição 1990

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